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A decadência da razão

A decadência da razão

Eu li um artigo postado no Facebook contando que alguns macacos na Índia estavam, aparentemente, obedecendo o distanciamento "social" entre eles para receber alimentação (mantinham distância inclusive do tratador), coisa que não é comum entre esses espertos bichinhos na hora da refeição. Eles fazem mais o estilo "salve-se quem puder" quando se trata do assunto comida.

O comentário que se seguia falava da possibilidade de serem animais treinados. E eu diria que sim, são treinados pelo instinto, pela sensibilidade e pela "irracionalidade", por que não? 

Talvez, você considere que agora exagerei. Não posso afirmar que o motivo que os levou a agir dessa forma seja realmente o instinto ou sapiência inata. Mas, eu não duvido nada que seja assim, já que os animais sempre estão dando lições de moral para os humanos mundo afora.

A razão (ou racionalidade), considerada como qualidade exclusiva dos humanos, é a "mera" capacidade de encontrar lógica e utilizar o raciocínio como forma de ponderar e deliberar sobre coisas. Porque afinal, se você for uma pessoa informada ou atenta, já percebeu que suas decisões acontecem muito antes de você ponderar os motivos das escolhas que faz.

E diante do quadro que se apresenta mundo afora e, principalmente, no Brasil, acho necessário começar a rever o papel do ser humano dentro do sistema planetário. Não se pode ser um guardião do mundo, o que a mim me parece que deveria ser o papel do humano, quando não se é capaz de usar a lógica para ver o óbvio, quando se passa a fazer do óbvio qualquer outra coisa que lhe seja mais conveniente.

Uma vez que a razão faz parte do raciocínio e boa parte das pessoas estão mostrando-se incapazes de fazê-lo, é preciso olhar para o outro ingrediente que anda faltando no humano, mas sobrando na Natureza, a inteligência emocional.

Ninguém sobreviveria se suas necessidades básicas não fossem minimamente atendidas, como necessidades fisiológicas, por exemplo. Mas, a capacidade emocional do ser humano é a base da vida. Afinal, Jesus Cristo não desceu à Terra para pregar o amor só porque ele achava legal. Uma pessoa pode não morrer fisicamente por falta de afeto e contato, mas pode morrer psicológica e racionalmente. E é isso que estamos vendo na TV, nas redes sociais, no mundo. O empobrecimento da razão, a decadência.

Já sabemos que nosso subconsciente domina 95% (+ou -) de nossa consciência total, aliás ainda bem que é assim. O ser humano seria incapaz de administrar essa "tecnologia" chamada vida, embora ache que possa. Mas, agora os 5% restantes parecem estar dando curto-circuito. O ser humano perdeu toda a sua compostura como raça, ainda que muitas pessoas ainda consigam comportar-se bem socialmente (só não se sabe até quando).

Precisamos observar que o componente razão não está sendo suficiente para impedir que o humano cometa barbaridades que um animal jamais poderia sonhar, pensar ou imaginar, porque sim, eles são capazes de fazer isso.

Eu gostaria de saber exatamente onde o ser humano começou a usar a razão como arma de autodestruição. Porque os mecanismos de defesa e sabotagem do ser humano não passam pela razão, e essa deveria servir como antídoto para as irracionalidades humanas. Bem, eu não tenho essas respostas, assim como muitas outras que gostaria de ter.

Mas, uma resposta todos nós temos diante de nossos olhos, a racionalidade que deveria ser o plus (o a mais) do ser humano sobre todo o resto da natureza o está levando para o fundo do buraco, porque a capacidade que deveria vir por meio do amor ao próximo e a si mesmo, o animal está dominando melhor.

Tudo bem, somos seres complexos, dotados de instinto, emoções, vivemos em uma selva de pedra, estamos cada vez mais distantes, doentes, traumatizados, infelizes. Talvez, a causa disso tudo venha da ancestralidade animal mesmo, do uso da raiva como defesa, sempre pautado pelo medo, o maior inimigo da vida.

Saber Sistêmico
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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