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A HORTA E A BACIA DE VERDURAS

A HORTA E A BACIA DE VERDURAS

Sábado, dia 14/11/2020, foi um dia muito agradável e feliz. Fomos, meu marido e eu, almoçar na casa de amigos. Antes de voltarmos para casa eles nos mostraram a sua horta orgânica.

Moram em apartamento, logo o espaço da horta se dá nos espaços das divisas do condomínio nos fundos e nas laterais. Nos fundos eles plantaram arvores frutíferas: limão, laranja, manga, ponkan, maracujá e outras que não lembro. Nas laterais plantaram: couve, repolho, couve flor, brócolis, tomate, alface, almeirão, beterraba, rabanete, escarola, berinjela, pimenta, manjericão, cheiro verde...

A horta estava exuberante!

Enquanto mostravam o cultivo a minha amiga colhia algumas verduras maduras. Ao fim da exposição ela nos presenteou com a fartura da foto abaixo. Esse carinho me causou uma catarse quando as lavei para acondicionar e guardar. A criança que vive em mim explodiu num turbilhão de emoções, viajando nas lembranças da infância.

Nas casas que morei haviam jardim e horta, cultivadas e cuidadas pelos meus pais e à medida que crescíamos, meus irmãos e eu ajudávamos. Éramos seis irmãos. Todo final de tarde a mamãe e eu íamos para a horta colher verduras e legumes para o jantar e almoço do dia seguinte.

Os filhos mais velhos, inclusive eu, íamos para a escola cedo e ela ficava com as 2 menores, a casa para limpar, roupas para lavar e passar, almoço para fazer...

A bacia de verduras me remeteu à cesta de verduras que eu carregava enquanto a mãe colhia e ensinava como colher. Sorri com a lembrança da infância, a voz dela, o cheiro de terra úmida. Nos vi na horta colhendo e lavando verduras, todos juntos à mesa, as vozes da família.

Chorei muito.

Pude ver e sentir de verdade a forma de amor que ela nos dedicou. Senti os cheiros das verduras, de comidas no fogão, de roupas sendo passadas, de forno quente e vi o quanto a mamãe trabalhava, das 5 da manhã até às 9 da noite.

Tinha um tempinho para se sentar à mesa para almoçar, tomar um lanche à tarde enquanto preparava o lanche das menores que estavam na escola e ao jantar. Me curvei emocionada em reverência e gratidão à ela.

Chorei. Orei. Agradeci.

Com tantos filhos, todos, sequencialmente, com menos de 2 anos de diferença, sempre bem alimentados, limpos e bem vestidos, com muitas roupas feitas por ela, com pão, bolo, biscoitos, geleias e manteiga feitos em casa... a falta de colo, carinhos e cuidados que me afastaram dela cessaram. Uma supermulher, contudo, não podia mesmo amamentar e dar colo por muito tempo.

Achava que sabia, mas não. Ainda que soubesse do volume de trabalhos que ela realizava, nunca havia me deparado com a realidade. Um filme real, lindo e em três dimensões, com volume muito alto, se passou na minha cabeça.

Foi como era possível ser, para ela e para o papai. Eles nos deram o que tinham e podiam dar. Tenho apenas que agradecer, obrigada minha mãe por não desistir de nós, obrigada pela vida que nos deu e pela sua vida que à nós dedicou.

Muito obrigada!

Continuei olhando a bacia e o tempo voltou, como nos filmes, para ver alguma cena final. Me vi ali, curvada, fungando por ter chorado, rosto molhado, mas rindo pela lembrança vivida e me sentindo leve, acolhida, abraçada e com o coração calmo.

Concluí o que fazia e resolvi registrar esta experiência vivenciada, fresquinha, para compartilhar.

Como diz a minha nora:

"Foi assim!"

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Anita Silva de Carvalho
Anita Silva de Carvalho Seguir

Sou Anita, nascida de Dalva Martins Ribas Silva e Erotides Silva, em Palmas/PR, em 13/12/1950. Tenho 2 filhos, tesouros que vieram honrar minha vida, com quatro netas. Apaixonada pela natureza e os milagres que o Senhor nos proporciona no dia a dia.

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