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A metáfora do campo minado

A metáfora do campo minado

"Imagine que você é um soldado, seu território foi invadido, seu batalhão dizimado, deixando-o sozinho e ferido em um lugar deserto e escuro. Você sabe que ao amanhecer o inimigo voltará para tomar posse do seu espaço, porque essa é a sua pátria e ele, o invasor, vai encontrá-lo e levá-lo como prisioneiro. Mas existe uma possível solução, pois que um território seguro encontra-se próximo, e você sabe que se alcançá-lo, estará livre. Porém, entre esses dois territórios existe um campo minado, você mesmo junto com seu batalhão colocou as minas no terreno. Não foi possível voltar antes de ser atacado. O que você faz? Reúne toda sua coragem, intuição e vontade de viver livre e arrisca-se a ser detonado, mas com a possibilidade de escapar do jugo alheio, ou se deixa ficar derrotado aguardando um fim certo?".

Nós agimos assim em alguns momentos de nossas vidas, quando repetimos padrões e não aprendemos com eles. É bastante comum estarmos envolvidos nas mesmas discórdias, nos mesmos tipos de relacionamentos tóxicos, em roubadas e ciladas da vida. E por que isso acontece?

Vivemos como esse soldado que constrói o próprio campo minado, sem chance de voltar atrás. O batalhão são nossos hábitos arraigados, nossas certezas "absolutas", nossa falta de autoconhecimento e o desejo inato de querer tudo fácil, simples e rápido.

O inimigo são as situações que criamos, atraindo sempre os mesmos problemas, combatendo as mesmas batalhas, ignorando nossos deveres para com nossa evolução pessoal, sempre na expectativa que o outro ou acaso possa nos proteger enquanto andamos distraídos (dando os devidos créditos aos Titãs*).

Os territórios são as duas versões de nós mesmos, o primeiro é onde nos deixamos invadir pelos padrões repetitivos que nos ferem e incapacitam, o segundo é nossa zona livre, onde podemos enfim respirar e fazer nossas próprias escolhas.

Mas, existe o campo minado. Esse é o local onde guardamos crenças limitantes, medos não olhados, mentiras sobre nós mesmos. Muitas vezes, as minas são ideias compradas do alheio, ou consequências dos dramas e traumas que guardamos muito bem escondidos de nós mesmos.

Atravessar o campo minado significa olhar para suas dores, entender as projeções que fazemos como autodefesa e enfrentar nossos fantasmas, porque não existe outro caminho que não seja voltar por onde viemos. Sabemos, é claro, que isso nunca é fácil. Armamos as minas como defesas a ameaças que em algum momento podem ter sido da mais absoluta valia, mas que já não serve mais.

Também sabemos o quando é difícil não compreender os próprios sentimentos e nunca sentir que podemos simplesmente "baixar a guarda" e ser nós mesmos, porque podemos ser "banidos" do nosso próprio mundo pela falta de compreensão e aceitação daqueles que amamos e que nos venderam a munição que nosso batalhão usa diariamente.

Essa metáfora pode parecer um pouco pesada, não é mesmo? Afinal, uma guerra sempre será algo violento e assustador demais, mas não podemos esquecer, ao olhar para o mundo ao nosso redor que existem pequenas guerras diárias ferindo profundamente a alma de todos nós. É preciso compreender que ao nos armarmos com as minas da violência emocional, estaremos decretando nossa própria prisão.

* Epitáfio (Canção da banda Titãs).

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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