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A RELAÇÃO ENTRE OS CONTOS DE FADAS E A VIDA

A RELAÇÃO ENTRE OS CONTOS DE FADAS E A VIDA
Vanusa Catarina Ribeiro
jan. 16 - 7 min de leitura
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Um conto de fadas que sempre esteve comigo desde a minha infância é a Bela e a Fera. Na infância, juventude e vida adulta me encantava cada vez que assistia, sempre olhava para este conto de forma aparente e que a história me conectava de alguma forma. Hoje eu consigo ver o quão esse conto traz conexões com a minha história.

A Bela e a Fera foi um sucesso da Disney, sendo que, ao olharmos este de forma sistêmica, compreendemos muitas nuances do feminino e do masculino, da luz e da sombra, da rejeição e da aceitação.  

Acredito que muitos já conheçam o conto que referencio, porém, vou escrever aqui um resumo da história para fazer a relação entre o aparente e o além do aparente.

O conto traz a história de um jovem príncipe que vivia num lindo castelo. Certa noite durante uma tempestade recebeu a visita de uma velhinha que pediu abrigo e o jovem muito egoísta e grosseiro se recusou ajudá-la. Mal sabia ele que aquela velhinha era, na verdade, uma feiticeira disfarçada e que já tinha conhecimento de como era o príncipe. Essa feiticeira lançou um encanto sobre o príncipe transformando-o em uma fera monstruosa, o qual somente poderia ser desfeito no dia em que ele encontrasse e beijasse seu verdadeiro amor.

Num vilarejo próximo, viviam um comerciante com suas três filhas, a mais nova se chamava Bela e se destacava das demais, não somente pela sua beleza, mas, principalmente, pela sua bondade e humildade. Ela era uma moça muito diferente da sua época, gostava muito de ler e contava histórias para as crianças da vila, além de cuidar de seu pai e fazer os afazeres domésticos.

Em uma das viagens que seu pai fazia para vender os seus produtos, perguntou para as filhas o que elas queriam de presente. As mais velhas pediram coisas luxuosas, enquanto Bela pediu apenas uma rosa.

Ao retornar da viagem, o pai de Bela enfrentou uma forte tempestade e no meio de uma floresta encontrou um castelo que parecia abandonando e se abrigou durante o temporal; como estava muito cansado, adormeceu. No dia seguinte, quando estava quase saindo do castelo avistou um roseiral, logo se lembrou de Bela e resolveu pegar uma para lhe presentear.

Neste momento aparece a Fera muito enfurecida que decide tornar o homem seu prisioneiro, mas ele conta a razão de ter colhido a rosa e pede para se despedir de suas filhas. Após a despedida, muito triste ele inicia o caminho de retorno ao castelo, Bela então muito amorosa pede para acompanhá-lo.

Quando chegam ao castelo, Bela propõe a Fera para ficar no lugar de seu pai devido suas condições de saúde, Fera acata o pedido, enquanto o comerciante vai embora, com o coração partido. Bela ficou como prisioneira, foi acomodada em um lindo quarto, podia circular pelo castelo e tinha acesso à biblioteca, local que amava, pois adorava ler. Como ficava grande parte do tempo sozinha, Bela foi fazendo amizade com objetos do palácio.

Todo o tempo Fera observava Bela, ficando cada vez mais encantado com sua amorosidade, porém, cada vez que tentava se aproximar, Bela se posicionava e não aceitava a amizade de Fera pelo que ele tinha feito. 

Com o passar do tempo ela foi percebendo as boas características de Fera, e eles foram  se tornando amigos, enquanto ele se encantava com sua inteligência, gentileza, bondade e beleza, ela percebia que a Fera, apesar da feiura, era uma criatura bondosa que não lhe fazia tanto mal.

Apesar de estar sendo bem tratada e ter muitas coisas que antes não tinha, Bela sentia muita falta de seu pai; então, um certo dia, ela resolve pedir permissão a Fera para visita-lo. Bela foi rever sua família, como seu pai estava doente, ficou por alguns dias. Fera que gostava muito de Bela ficou muito triste, pois achou que ela não retornaria e adoeceu.

Ao fica longe de Fera, Bela percebe que se preocupa com ele e que um sentimento muito forte a ligava àquela criatura, decidindo então retornar ao castelo, onde encontra Fera quase morrendo, pois restavam apenas algumas pétalas na rosa.

Nesse momento, Bela percebe o quanto é amada e que também sente algo muito forte pela Fera e chorando, pede que a Fera não morra então, ela o beija e o feitiço é desfeito, e Fera volta a ser o belo príncipe, mas transformado numa nova pessoa, eles se casam e vivem felizes para sempre.

Existem muitas vertentes que podemos analisar neste conto. Logo no início já observamos a memória de orfandade de Bela, pois cresceu sem a presença materna, fato que se pode ser manifestado na representação do pedido da rosa ao seu pai.

Seguindo vemos nitidamente a lealdade ao sistema, antes da felicidade, os pais. Bela se mostra leal ao seu sistema, principalmente a seu pai quando se sacrifica para ser prisioneira em seu lugar.

Nas ações do príncipe é visível o senso de pertencimento, nós fazemos tudo para pertencer e pertencemos por duas vertentes, ou pela dor ou pelo amor. Inicialmente o príncipe expressava esse principio através da dor, porque não sabia pertencer de forma saudável, no final ele se transforma aprendendo a fazer parte através do amor.

Neste conto é muito presente também o princípio da compensação, através do equilíbrio entre o masculino e feminino, o masculino está orientado para o feminino, o homem precisa da mulher para ser homem e a mulher precisa do homem para ser mulher.

Na ordem do amor deve haver uma troca entre ambos, deve haver o dar e tomar, onde cada um tem o que falta no outro, e para ter êxito na relação, é necessário que ambos desejem e concedam o que o outro necessita, com respeito e amor.

Ocorreu também neste conto, o encontro de almas, Bela sentiu na sua alma o amor por Fera. Um encontro de luzes e sombras, as luzes representadas em Bela e as sombras representadas pela Fera.

As luzes são nossas virtudes, nossas características positivas, amorosidade, positividade; já a sombra são nossos aspectos primitivos, nosso cérebro reptiliano, nossa sede de poder, o qual geralmente repudiamos.

Todos nós, sejamos Bela ou Fera, temos nossos lados sombras e luzes; ao negarmos esse lado sombra, estamos excluindo um lado de nós mesmos, ao acolhermos este lado, fizemos a inclusão dele no sistema, onde atingimos a força que nos leva para a vida, nos libertando.

Olhar sistemicamente para os contos de fadas é um aprendizado incrível que nos transforma e transborda, é um aprendizado que reverbera por todo o nosso sistema.

Histórias conectam, e contadas de forma sistêmica atingem o nível da cura.

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