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AFEIÇÃO A PÁTRIA MÃE - Geografia Sistêmica

AFEIÇÃO A PÁTRIA MÃE - Geografia Sistêmica

Os africanos chegaram ao Brasil através do tráfico negreiro (séculos XV ao XIX) e vinham como escravos e fruto de migração forçada.

Somos a nação que mais recebeu africanos para escravidão foram em torno de 4 milhões de africanos a maior quantidade de africanos vieram das nações: Senegâmbia(Guiné), Angola, Congo, Costa da Mina, Benin e Moçambique(maior número). As etnias que vieram foram: banto, balantas, bijagós, jalogós, jalofos, jejes, nagôs, etc.

Vamos falar um pouco sobre esta migração forçada com base nas leis dos sistemas: Pertencimento, Equilíbrio e Hierarquia, mas antes vamos conhecer alguns conceitos geográficos.

  • Território deriva do latim terra e torium – terra pertencente a alguém. Pertencente não se vincula apenas a propriedade de terra, mas a uma dimensão afetiva: identidade de grupos e a afetividade espacial.

  • Territorialidade é apropriação/valorização simbólica em relação ao espaço vivido por meios dos significados dados que o transforma em espaço sentido. Esta define o sentido de pertença definindo os territórios de identidade, de pertença, de referência e de ação (Lei do Pertencimento).

  • Imaginário social são representações que corresponde aos desejos, expectativas, projetos, valores, crenças e hábitos. Este é responsável pela criação de uma comunidade de sentidos importante para a condição de sobrevivência como parte vital da legitimação ou definição de identidades. Grande gerador da territorialidade.

  • Desterritorialização é desenraizar as coisas, pessoas e ideias através do deslocamento ou dissolução de fronteiras, raízes, pontos de referência etc. Dissolver ou deslocar o espaço e o tempo.

  • Reterritorialização é movimento de construção do território, reconstrução da afetividade espacial.

  • Lugar é um espaço de reconhecido valor, onde há a presença dos laços afetivos com o espaço (Lei do Pertencimento).

Voltando a migração africana para o Brasil e que também ativa o nosso olhar para todos os migrantes que aqui chegaram e chegam todos os dias.

A afeição pela pátria é uma emoção humana. Quanto mais laços, mais forte será o vínculo emocional (territorialidade). Os referenciais criados por um povo através do imaginário social dão visibilidade e importância e servem para aumentar o sentimento de identidade e a lealdade pelo lugar (Lei do Pertencimento).

A familiaridade e tranquilidade gerada pela certeza da alimentação e segurança do domínio dos símbolos e espaços, recordações de sons e perfumes, de atividades comunais e prazeres acumulados pelo tempo gera uma profunda afeição inconsciente pela pátria (Lei do Pertencimento). O culto dos ancestrais gera segurança através do sentido de continuidade (Lei da Hierarquia – quem veio antes precisa ser reconhecido como tal).

As migrações se manifestam no abandono dos velhos territórios para os novos e assim o abandono da afetividade espacial. Há a perda da força do imaginário (energia de massas) ao privar o indivíduo de seus referenciais provoca uma sensação de ruptura com o mundo externo, se e sente isolado e despido de seu status anterior (desterritorialização – não pertencimento). Todo o legado de lembranças e experiências trazidos de um outro meio de pouco lhes serve para a luta cotidiana. Tudo fica para trás (exclusão) o novo espaço obriga a novas memórias.

É deixar para atrás uma cultura herdada, sua afetividade espacial (territorialidade) e se encontrar num espaço que não ajudou a criar, cuja história desconhece, cuja memória lhe é estranha, esse lugar é a sede da alienação (exclusão de sua pátria mãe-orfandade).

Vamos imaginar todo este processo fruto de uma migração forçada e com o resultado de anos de escravidão.

Os colonos tinham preferência por escravos de diferentes povos, pois isso dificultava a possibilidade desses de se organizarem e de se rebelarem contra a escravidão, promovendo uma maior desterritorialização (Lei do Pertencimento).

As condições da viagem eram precárias nos quesitos alimentação, acomodação e higiene tornando estes seres mais fragilizados e os colocando numa posição de não seres humanos na visão dos colonizadores. Anulando as funções exercidas por estas pessoas em suas tribos e povos (Lei da Hierarquia).

Mudar o nome era uma forma de suprimir a identidade toponímica de um espaço-tempo. Negar literalmente o pertencimento e a hierarquia.

Perder o território, o nome e referenciais é como desaparecer e em um novo ambiente a ver e a pensar sem o apoio de todo um mundo de vistas, sons e cheiros.(exclusão).

Os negros africanos eram levados para espaços que chamamos em Geografia de aglomerados de exclusão: instáveis, inseguros, amontoados promovendo a não identificação do grupo com seus ambientes e o não controle do espaço pelos seus usuários, impossibilitando a construção da territorialidade (Lei do Pertencimento).

A afetividade espacial dá ligar a revolta, raiva, sofrimento, dores, perda da dignidade e outros sentimentos que hoje podem estar presentes nos sistemas dos seus descendentes clamando pela inclusão através dos emaranhados e ruídos.

Olhar para estas dores e dar lugar a estes povos em nossos sistemas é promover a inclusão através das Leis do Pertencimento “Eu vejo vocês, eu dou um lugar no meu coração a todos vocês.”, da Hierarquia “Eu honro e reconheço todo o sofrimento de vocês para eu estar aqui” e do Equilíbrio “Todos os esforços de vocês nesta trajetória eu recebo e vou honrar sendo feliz, tendo sucesso e indo para vida com toda a sabedoria dos meus antepassados.

Através das Constelações Sistêmicas podemos promover a Reterritorialização de nossos antepassados trazendo seus arquivos de lembranças afetivas.

Look at all those mangoes! A strong mother in Sierra Leone. Photo by Annabel Symington.

Sou Cláudia Aparecida de Souza Monsôres  filha de José de Sant’Ana Monsôres Filho e de Irany da Conceição de Souza   Professora de Geografia   Terapeuta Sistêmica em Floral de Bach

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Cláudia Aparecida de Souza Monsôres Seguir

Sou terapeuta sistêmica, em sincronicidade, sistêmica em Floral de Bach, consteladora professora de Geografia.

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