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AMOR DO CORAÇÃO

AMOR DO CORAÇÃO

Encontrar alguém para seguir conosco muitas vezes é uma questão a qual não sabemos tratar. Amamos, nos apaixonamos e aí caminhamos na vida desejando que tudo esteja bem, idealizando o relacionamento perfeito, mas a perfeição não existe. E assim a vida segue.

Precisamos antes de tudo nos amarmos para sentirmos a nossa autoestima e assim podermos estar bem com o outro, de forma a nos sentirmos mais completos.

Vou começar a contar um pouco a história, do que eu sei, de cada um dos meus antepassados.

Meu avô paterno foi um homem, para mim, incrível. Ficou viúvo cedo, meu pai tinha 19 anos e sua irmã mais velha tinha 24 anos. Eram 4 filhos. Meu avô foi um homem voltado para os estudos, era era agrônomo e fez com que todos os seus filhos pudessem concluir o ensino superior, sendo que o meu pai só o fez depois de casado.

Depois de muitos anos viúvo, meu avô casou-se pela segunda vez e teve um filho que tem a minha idade. Uma união que não foi feliz, terminaram e ele ficou com o seu filho, meu tio. 

Quando nós éramos todos crianças, éramos unidos e passávamos as nossas férias escolares na casa do vovô, onde todos se juntavam, minhas tias e meus primos. Essa foi a minha lembrança mais significativa com o meu avô e o que ele representou para a minha vida. Um homem forte e que amava ter a família reunida. 

Não conheci o meu avô materno e pelo pouco que a minha mãe fala, ele foi um homem duro e provavelmente machista, filho de alemães vindos durante a guerra. Eu acredito que tenha sido um homem duro e sofrido por ter vivido e ter tido pais sofridos por ter deixado familiares para trás. Hoje eu posso ver e olhar para todo esse sofrimento. É muito doloroso imaginar todo o sofrimento que tenham passado e agradeço pelo esforço e luta que tiveram para sobreviver, de forma que hoje eu possa estar aqui.

Meu avô não teve sucesso quanto a prosperidade, sempre viveu com muito sacrifício. Tenho sempre a sensação que ele morreu sozinho. Meu vovô que o senhor esteja em um bom lugar, o senhor fez o que pode, eu hoje posso ter sucesso e seguir meu destino.

Ele casou e teve 4 filhos, minha mãe é a mais velha. Pelo relato da minha mãe, seu pai trabalhou por algum tempo em casa de jogos, ele supervisionava os jogos de mesa. Minha mãe não teve oportunidade de estudos, conta ela que a seu pai não lhe interessava em buscar colégio para os filhos. Mas ele também não deve ter tido oportunidades. Acredito que deve ter trabalhado desde muito cedo devido a condição de vida de seus pais.

Deve ter havido muita dor, muito cansaço.

Os estudos da Constelação me conectaram com toda a minha história de uma outra forma. Escrever me faz sentir a história, é diferente de escutá-la.

Minha mãe durante a infância. A vejo carregando o peso da responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos, tensa. Ela saía por algumas vezes sozinha com seus irmãos para passear, mesmo longe de casa. Quando minha mãe contava esse fato de sua história, parecia orgulhosa de fazê-lo. Mas também parecia muito feliz quando ia para casa de sua tia, irmã da minha avó, e ficava lá por alguns dias com as suas primas.

Era um descanso para ela?

Foi em um desses dias de descanso que minha mãe foi com as suas primas na casa das tias do meu pai, que morava num engenho de cana de açúcar. Parecia muito divertido e a vi em fotos, muito feliz. Nessa época meu pai estava internado no mosteiro de Olinda, em Pernambuco para ser padre, mas a minha mãe surgiu na vida dele.

Poucos anos depois a minha mãe estava casada com o meu pai. Seu pai não foi ao seu casamento, pois não queria o seu casamento. Eu imagino que ele não aceitou a família do meu pai, por ser de pessoas que trabalhavam com a terra, de origem negra, e meu pai ser moreno.

Quanto racismo!

Minha mãe sempre esteve voltada para a família do meu pai e todas as comemorações eram celebradas. Tínhamos pouco contato com a família da minha mãe e quando isso acontecia eu estava sempre só com a minha mãe para visitas esporádicas.

O que sei da história de infância do meu pai foi sempre contada pela minha tia. Primeiro um menino que chorava muito, vivia descalço no meio do mato. Quem lhe chamava mais atenção quando algo de errado acontecia era sempre a sua irmã. Acredito que meu pai teve uma infância feliz.

Minha avó, Maria Luiza (tenho o nome dele em homenagem a ela) faleceu cedo. Meu pai era muito jovem, creio que tinha 17 anos. Minha mãe nem a conheceu. Meu pai estava no mosteiro quando a sua mãe faleceu. Eu acredito que a sua dor deve ter sido muito grande, pois ele era muito ligado a ela. Até hoje existe um quadro com a sua foto na casa dos meus pais, hoje da minha mãe. Eu só a conheci através dessa foto, uma mulher muito linda.

Meu pai sempre foi um homem muito esforçado, atencioso mas não carinhoso em relação ao afeto do toque. Foi um pai que cuidava para não nos faltar nada.

Como conheceu a minha mãe? Na casa das suas tias, mulheres solteironas que moram em um dos engenhos. Lá estava a minha mãe, uma mulher bonita de olhos esverdeados, cabelos longos, alta. Se apaixonaram.

Sempre vi os meus pais como muito rígidos. Meu pai sempre parecia com medo de tudo e eu sempre me sentia presa. Meus momentos livres e tranquilos eram quando passava férias na casa das minhas tias ou quando ia com a irmã da minha mãe, minha tia que a amava muito, para a casa das primas. Tempos muito bons. Meus pais sempre discutiam muito, sempre tinha algo para discordar. Eles eram felizes assim e um não vivia sem o outro. Viveram assim até que há 3 anos meu pai partiu.

A vida dos dois sempre foi de sacrifício. Parece que esse sacrifício está sempre no meio de nós. Mas eu deixo com vocês o que foi de vocês e honro por tudo que fizeram por mim, foi o suficiente e hoje eu faço diferente, honrando-os. Por favor me libere de ter que conseguir o sucesso com sacrifício.

Honro você meu pai, honro você minha mãe e honro todos os que vieram antes de mim e que lutaram e viveram com sacrifício. Hoje os tempos são outros e eu posso fazer diferente. Que alívio dizer isso. Mas sinto ainda um peso no estômago, um aperto. Quanto sofrimento!

Eu me dou conta que a história da minha mãe se repete comigo quanto ao fato de olhar e cuidar dos meus irmãos. Eu sou a mais velha e tenho mais cinco irmãos e mais um não nascido. Cuidar dos meus irmãos foi uma tarefa muito pesada e também me dou conta do quanto eu amava ir para a casa das minhas tias para me sentir livre dessa tarefa. Sentia-me livre e podia ser eu mesma. Parece que antes era como se eu tivesse que ser a adulta que ainda não era, mãe que ainda não era.

Um insight, fiz o que os meus pais fizeram. Meu pai saiu do mosteiro para a casa da sua tia e minha mãe saiu da sua casa para a casa da tia. Eu sai de casa para ir em férias para casa da minha tia, que na época morava na França. Meus pais se conheceram quando saíram de casa para férias. Eu conheci meu marido quando também fiz o mesmo.

Conheci meu marido quando estava morando na França, onde fiquei durante dois anos. Meu marido era japonês que saiu do seu país para estudar lá. Nos conhecemos e viemos para o Brasil - Recife e nos casamos. 

Hoje sou viúva, há 5 anos, e minha filha mora em Portugal. Nas idas à Portugal estou conhecendo um português e estou começando a me organizar para ir morar lá.

Hoje me dou conta de quantas semelhanças, a história se repete, mas pode-se fazer diferente.

Gratidão à todos que vieram antes!

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Maria Luiza Marques Saito
Maria Luiza Marques Saito Seguir

Psicóloga clínica - bioenergética, consteladora com bonecos na água, em formação constelação sistêmica, Mestra em Reiki, Supervisora em análise bioenergética, Autora do livro "Sedução e Traição - A dor de Amar um psicopata", Massagem bioenergética.

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