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Amor é relacionamento

Amor é relacionamento

Eu tenho aprendido coisas muito interessantes sobre o amor e os relacionamentos desde que comecei a observar esse tema mais de perto, e a visão que a Constelação Sistêmica tem sobre isso é muito diferente da ideia básica daquilo que acreditamos ser a convivência humana. 

Primeiro aprendi que precisamos compreender que todo o tipo de relacionamento deve ser baseado no amor, que não é um mero sentimento, mas um estado de espírito, um compromisso, uma atitude. Então, se o relacionamento for de amizade, filial, maternal, paternal, fraternal, de casal ou qualquer outro AL, sempre será pautado na decisão de contribuir para a relação. 

Depois, aprendi que, embora o amor seja o mesmo, ele se expressa de formas diferentes e será exercido de modo diverso dependendo do papel que cada um cumprir na relação. Por exemplo, na primeira esfera do amor, formada por pai, mãe e filho(s), já sabemos que os pais doam e os filhos tomam, não é uma troca, é uma doação, uma via de mão única, já que o retribuir dos filhos virá quando tomarem o que os pais lhe deram e entregarem a seus próprios filhos ou ao mundo aquilo que tomaram.

A segunda esfera envolve o chamado relacionamento de casal. Muitos são levados a crer que essa é uma relação de troca, onde eu dou e recebo em troca do que a pessoa com que me caso me dá ou recebe de mim. Esse é um grande engano. O amor entre um homem e uma mulher (ou qualquer outro formato de relacionamento de casal) é muito mais do que isso. Aprendi que aqui é preciso ter o espírito de contribuir, tornar as necessidades do outro, minhas necessidades, querer de fato auxiliar o outro na sua evolução. Ou seja, não podemos preencher os buracos do desamor que a primeira esfera poder ter nos trazido por meio dessa segunda esfera, é preciso se curar primeiro e depois se casar. Só assim essa união será real.

Aprendi também que a terceira esfera trata-se daquilo que tenho para doar em colaboração à vida dos outros, e nesse caso, profissionalmente. Porque nascemos com talentos únicos exclusivamente para doá-los. Claro que podemos desfrutar deles simplesmente ao usá-los para contribuir com o próximo, dando nada menos que o nosso melhor e recebendo por isso.

Mas, também aprendi que falar é mais fácil que fazer. Porque nossa cultura e sociedade foram muito pautadas no desamor, na falta de preenchimento de necessidades emocionais muito básicas, como a aceitação, o nutrir ou o deixar a essência ser. Mas, ainda que isso seja real e que a dor do desamor nos cause muitos prejuízos, teremos que curar cada esfera dentro de seu próprio contexto.

Também entendi, que uma esfera acaba por sair da anterior, e isso é bem lógico. Na primeira esfera, ao tomarmos dos pais a vida, estaríamos (em tese) preparados para, na esfera seguinte, contribuir para a evolução natural de nosso parceiro. E a partir daí, evoluídos (ou evoluindo sempre) oferecemos ao mundo aquilo que nos foi dado pela vida, que nos foi concedida por meio de nossos pais, e com isso contribuir para enriquecer a vida de todos e a nossa própria.

Percebe-se que ao final, a coisa não é bem assim. Saímos de nossas famílias feridos, mal amados, sentindo-nos muito menos do que realmente somos, entramos em casamentos (e seus derivados) com o objetivo de preencher buracos criados por complexos de Édipo e Eléctra. E frustrados, estressados e infelizes, vamos para o mundo trabalhar por migalhas.

É preciso voltar ao começo, independente de sua idade, de quantos casamentos teve ou de quantos empregos saiu ou quantas empresas faliu. Só voltando aos braços dos pais é que podemos mudar a rota.

Obviamente, que não poderemos fazer isso literalmente, porque em muitos casos nossos pais já se foram, ou já somos grandes demais para sermos pegos no colo. Mas, ainda sim será preciso voltar, tomar tudo o que nos foi entregue, concordar, assimilar, fazer o luto e, aí assim, sair para o mundo do amor e/ou da profissão.

Outra coisa que aprendi, é que por causa da forma como constituímos nossa vida física, algumas das leis naturais acabarão por ser difíceis de cumprir, pois que o mundo moderno distorceu o mundo natural. Mas, ainda assim é possível. 

Pegue sua criança interior nos braços e ame-a como você esperava ser amado(a), dê a ela aquilo que sentiu falta, sem desonrar ou desconsiderar o que recebeu de seus pais, tome isso e concorde que foi assim e nada pode mudar o que foi. Então, quando seu coração estiver preenchido de amor, vá buscar o parceiro "ideal", e quando digo ideal, não falo de princesas ou príncipes encantados, e sim de pessoas tão preparadas e dispostas a contribuir com sua vida, quanto você com a delas. Será preciso que elas também tenha feito a lição de casa de tomar seus pais e se amar primeiro. E por fim, e claro, não menos importante, dê o seu maior e melhor talento ao mundo e cobre o preço justo por ele.

Será um exercício de vida, mas ainda assim vale a pena buscar. Pare agora!!!! E imagine como será a sua vida com amor, pois que ele vale qualquer sacrifício.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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