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Antepassados e o vento

Antepassados e o vento

Sou o sonho dos meus antepassados.
Muitos viveram, sofreram, se alegraram, lutaram e venceram. Eles venceram através de mim. Porque por onde eu passei e passo, coloco um pouco deles no solo, no ar, no sorriso e no modo de ser.

Todos eles existem em mim. Em nós. 

Imagina quanta adversidade passaram para chegar até aqui, aprendendo a ser exatamente a resistência. A vida.

Eu não vim daqui do Brasil, vim da África também. A África trouxe avó e avô maternos, avó paterna e junto com uma linhagem paterna que não conheço, mas já reconheci. Afinal, o homem forte que meu pai é só pode vir de algum lugar, do avô. De antes do avô, da bisavó e do povo forte que estava lá. Eles me abastecem e me fazem grande, de graça. Assim como as virtudes e dificuldades do outro lado da família da mãe. Assim como ela, o amor deles me compõe. Eu sou pequena diante de tudo que foi. Quantas histórias. Eles são os gigantes.

Sabe quantos antepassados viveram de forma em que não podiam escolher suas realidades? Tempos cruéis em que guerra, escravidão, ódio, dominava o mundo. Épocas e épocas que o universo colapsou para depois re- existir. Todos eles sobreviveram em deixar um, dois ou dez membros para que você estivesse aqui.

E eu lhe pergunto, está fazendo o que com a vida que lhe chegou através deles? Estamos sendo convidados a olhar.

O nosso universo é dolorido também, outra época, história, cultura, economia, dores ainda, ódio ainda. Mas assim como eles, viva. Reverencie e faça um tantinho diferente se der conta. Mas faça!

Eu sei, eu sei, alguns não puderam. Mas você pode. Alguns morreram, mas você vive. Alguns foram vítimas, mas você pode ser o novo, diferente. Alguns foram perpetradores, mas você pode amar. Você pode, você é o novo. O que está fazendo com a vida que lhe chegou até aqui?

E quando digo isso, é com amor a tudo como foi. E você pode lutar por eles, vivendo e fazendo algo com isso. Veja, veja bem. Eu sei, eu sei. Mas não é impossível.

Há muito tempo atrás, eu cheguei através deles da África, e da Europa, e da Ásia, e do povo indígena de outras localidades e daqui. Tantos povos, tantas nações. E, reverenciando a todos eles, sou mais. Consigo usar a divindade de existir e agradecer verdadeiramente. Quantos deles eu sou? 

TODOS!
E quantos deles estão em você?
Essa é a saída, viu? É como descobrir o vento!
Vai só mais um pouquinho.
Ventar!

Saber Sistêmico
Rayanne Jarcem
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Um cadinho de Cláudio e um tantin de Edilma! Uma mistura que cresceu e foi investir no amor a vida. Também pudera, o que eles me deram é muito grande. É o novo, portanto, é poesia.

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