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BELINHA E O ESTILINGUE

BELINHA E O ESTILINGUE

 

"- Vovô... Vovô... O senhor sabe onde tá o João?"

"- Que João, Belinha?"

"- O Joãozinho, vô!"

"- Ah! O Joãozinho, o Carlinhos e a Maria?"

"- É vovô! Você viu eles?"

"- Belinha, eu vi eles lá atrás do Paiol."

"- Lá atrás do Paiol, vovô?"

"- Sim, Belinha... Estão lá!"

Belinha, quando foi chegando perto, os meninos correram e se esconderam.
Belinha olhou, olhou, olhou... e disse:

"- Por que vocês estão se escondendo?"

Belinha foi caçar e sumiu... Começou a procurar, procurar, procurar... De repente, Belinha os viu combinando, escondidinhos.

Belinha ouviu tudo quietinha, enquanto eles estavam falando:

"- Oh, amanhã, nós vamos caçar de estilingue e a Belinha não vai junto, porque senão ela espanta os passarinhos.

Belinha falou:

"- Ah é? Vocês vão caçar passarinhos? Mas não vão mesmo! Não vou permitir! Eu odeio que matem os passarinhos."

Belinha é superprotetora e amiga de tudo e de todos. Belinha de boa de com a vida, voltou e falou assim:

"- Vovô, o que é estilingue?"

O vovô falou:

"- Belinha, estilingue é isso daqui. É uma forquilha, tem a borrachinha, uma malinha... e a gente coloca a pedrinha, Belinha... Quer ver?"

Puft!

"- Ah, vovô! Mas vovô... esse é pra matar passarinho?"

"- Ah, Belinha, a gente gosta mais é de brincar... Jogar a pedrinha... Pra ver quem joga mais distante."

"- Vovô... mas os meninos não pensam assim."

"- Não! Os meninos, Belinha, eles acham que vão conseguir pegar os pássaros, mas eles não alcançam não, Belinha. As árvores são altas e eles são pequenos. Não liga não, Belinha!"

"- Ah, vovô... Eu não quero que eles cacem passarinhos."

"- Belinha, tenho um pedido pra te fazer: Não vai junto com os meninos pra lugar nenhum, que eles vão muito longe... E você não aguenta, Belinha. Você é pequenininha... Os meninos são maiores que você."

Belinha falou assim:

"- Vovô, o senhor leva eu?"

"- Não, Belinha! O vovô não aguenta caminhar tanto."

"- Ah, vovô, vamos de cavalo lá?"

"- Não, Belinha... Nós não podemos. Lembra que você é menina e você não pode andar com os meninos."

"- Então tá... tá bom!"

Belinha ficou por ali... Pediu pra vovó uma xícara de chá com pãozinho. Ali vovô já vinha, dava um docinho... Belinha estava todo fofa, toda linda... Toda maravilhada das coisas! E ali sua tia conversa com a vovó e Belinha contava as coisas... Mas Belinha ali: pensando, pensando, pensando...

"- Eu quero um estilingue! Vovô você faz um estilingue pra mim?"

"- Tá, Belinha... Qualquer hora dessas eu faço..."

"- Não, vovô! Qualquer hora não, vovô!"

"- Oh, Belinha, prometa que não estraga o meu estilingue? O vovô tem pra jogar pedra pra bater e brincar... pra ver quem taca a pedrinha mais longe..."

"- Vovô, você empresta ele pra mim?"

"- Belinha, eu vou te emprestar... mas é pra você pegar a pedrinha e brincar ali."

Aí Belinha insistiu com o vovô e o vovô ensinou ela a jogar a pedrinha... Até que ela conseguiu esticar o estilingue e começou a jogar pedrinhas como ninguém... E maravilhada com as pedrinhas que iam longe, Belinha parou e pensou:

"- Hummm... Os meninos! Eles vão caçar passarinhos? Eu vou fazer barulho! Eu vou atrapalhar... Eles não vão conseguir jogar pedras nos bichinhos."

E os meninos saem da casa, passam pelo o corredor... e Belinha vai atrás.

Eles olhavam pra trás, Belinha quietinha escondida.

Belinha? Ela não era nada fácil... Como eu sempre falo, Belinha ela era cheia das artimanhas...

Os meninos conversam:

"- A Belinha, será que ela está por aí?"

E Belinha ouvindo...

"- A Belinha? A Belinha não tá aqui não!"

"- Mas eu ouvi um barulho."

"- Não, não é não. São os cachorros que estão com a gente."

"- Ah... então vamos!"

E continua daqui, uns pulam por um galho lá, outros pulam outros galhos pra cá... No meio tinha uma tora, no caminho da trilha... E os meninos começam a adiantar o passo e, de repente, chegam numa capoeira... Um lugar que é uma mata onde começa uma reserva florestal.

Belinha olha pra lá, olha pra cá... Se esconde atrás de um toco.

Joãozinho diz:

"- Mas tem alguém atrás de nós!"

Carlinhos diz:

"- Não, Joãozinho... Vamos embora! Não tá nem a Maria e nem a Belinha."

"- Não, mas a Maria até que podia vir, mas a Belinha? A Belinha só vem aprontando. Belinha vem cantando, brincando..."

E Belinha amava pegar borboletas! E ela vinha toda fofa... Não podia ver uma flor, que já ficava cheirando, ficava só imaginando.

De repente, Belinha continua seguindo os meninos... E o meninos se esquecem de Belinha e seguem caminhar, caminhar, caminhar... Belinha já estava cansada, com sede, sem água... E ela via os meninos com água e dizia:

"- Ah, que sede! Joãozinho bebendo água..."

De repente os meninos pulam um galho bem alto, que era uma tora deitada de uma madeira velha, derrubada. Pulam outro galho... e Belinha atrás...

Quando os meninos esticam os estilingues, que miram para atacar num passarinho, Belinha diz:

"- Não atacar não!"

"- Mas Belinha, o que você tá fazendo aqui, Belinha?"

"- Eu vim atrás de vocês, pra vocês não matarem os pássaros..."

"- Mas Belinha, nós só estamos brincando..."

"- Vocês são cheios de maldade! Vocês querem fazer mal pros meus passarinhos... Tão bonitinhos... Vocês são perversos!"

"- Não, Belinha! A gente só vai jogar pedrinhas...

"- Vocês não... vocês são mentirosos... Vocês querem fazer mal aos passarinhos..."

Belinha endoida... Belinha endoida e taca uma pedra. Belinha se deu mal, hein? Quando Belinha solta uma pedra, pra espantar o passarinho e o passarinho voar, Belinha acerta uma caixa de marimbondo... aquelas abelhonas pretas.

Belinha acerta e os marimbondos vêm tudo de encontro no rosto dela. Belinha começa a gritar desesperada... E os meninos desesperados, já pegam a Belinha... e vêm com Belinha que chora desesperada... E os meninos gritando, gritando...

Daí já veio o vovô correndo de encontro... O pai da Belinha junto... Pegam Belinha, com o rosto cheio daqueles ferrões no rosto. Tiram os ferrões...

Belinha não conseguia falar. Fizeram chá de cidreira e deram pra Belinha... E Belinha chorava, chorava... Aí eles colocam alguma coisa pra aliviar e colocavam outra...
Moravam ali na roça... Cidade muito longe pra ir... E ali chorando... Até que Belinha se acalmou...

Mas Belinha não conseguia falar... O rosto dela começou a inchar... E Belinha sempre dramática, muito dramática, queria um espelho... E a mãe dela disse:

"- Espelho você não pode pegar, Belinha!"

"- Por que eu não posso, mamãe?"

E Belinha passava as mãos no rosto... E o rosto de Belinha enorme... Belinha desesperada... E não podia nem relar, pois o rosto estava amortecido... E Belinha chorando, chorando... até que adormeceu.

Quando Belinha acordou, ela não conseguia abrir os olhos... E se desespera ainda mais, dizendo:

"- Eu não vou mais poder ver os pássaros, não vou mais poder ver os bezerros, não vou poder mais ver meu cachorro Bilú... Nem o cachorro branquinho do meu irmão não vou poder ver mais...

E Belinha se viu totalmente desesperada... Teve febre, sua mãe a medicou e ela dormiu.

Quando Belinha acordou, mal conseguia ver uma frestinha, pois os seus olhos estavam muito inchados.

Belinha queria um espelho, mas a mãe dela a controlava.

E passaram-se três dias. E naquela época, médico era remédio caseiro... Remédio do vovô... Remédio da vovó...

Como o rosto de Belinha não desinchava, o vovô foi pra cidade visitar o tio de Belinha que era farmacêutico. Ele veio com o vovô pro sítio, aplicou uma injeção com antialérgico e o rosto de Belinha horas depois começa a desinchar.

Belinha ali:

"- Pode deixar! Quando meu rosto desinchar e eu voltar a ver vocês, eu vou acertar umas pedras nas suas caras!"

Belinha ainda não podia ver direito, e ainda ficava pensando em se vingar dos meninos... Só Belinha mesmo!

Quando Belinha se recuperou e ela conseguiu se olhar no espelho, ela ficava observando as pintinhas de cada ferruada que tinha levado pelas picadas dos marimbondos. E Belinha voltou a chorar, pois ela estava com aquelas pintinhas... E ela achava que ia ficar com aquelas pintinhas pra sempre...

Mas a mãe de Belinha disse:

"- Não, Belinha! Isso vai secar, vai cair... Você vai voltar a ter a pele normal, Belinha... Você é bonita..!"

E Belinha chorando, chorando... E olhando para os meninos, disse:

"- Vocês me pagam, me pagam..."

Mas Belinha, sempre, sempre queria se vingar dos meninos... Mas mesmo Belinha se dando mal, ela não desistiu da ideia.

Novamente, lá vai os meninos caçar. Só que agora os meninos já ficaram espertos:

"- Lá vai Belinha de novo."

Lá vai um deles... Dá a volta e pega Belinha no colo... Belinha leva um susto. Quando Belinha leva o susto, ela estava tão atormentada por causa dos marimbondos que morderam ela, que tudo aquilo já não era mais real... Belinha estava variando e sonhando que ela se vingava dos meninos.

Quando Belinha acordou, olhou para um lado... Olhou para o outro... Tomando aquela xícara de leite com chocolate, comendo o pãozinho com a manteiga, ela olhou pro seu irmão e falou:

"- Hoje eu pego o Joãozinho!"

A mãe de Belinha ouvindo aquilo, catou Belinha pela orelha e colocou ela de castigo. Belinha, teimosa, sai do castigo, enquanto a mãe de Belinha se distraía com os afazeres de casa. Belinha sobe na janela. O sofá ficava embaixo da janela... A janela era de madeira e abria inteira.

Olhe só pro jardim: E não é que Belinha está lá tentando pegar os marimbondos? Pra quê?

Quando a mãe de Belinha viu aquilo, saiu correndo e disse:

"- Belinha, o que você vai pegar?"

"- Eu vou me vingar dos irmãos deles todinhos! Vou deixar eles sem irmãos! Olha só!"
 

Belinha naquele dia ficou malvada. Belinha queria fazer mal pros marimbondos. Mas Belinha... Sempre com suas ideias... Mas Belinha imaginava... E Belinha inventava.

Belinha perseguiu os meninos, mas dessa vez se deu mal, pois ela ficou mais de dois meses sem poder fazer arte, porque quando os meninos saíam, eles já olhavam por tudo que é lugar, pra ver se Belinha não estava por perto.

Belinha ainda estava com as pintinhas todas na cara, das picadas dos marimbondos, mas ela continuava perseguindo os meninos.

Ah! O que é que Belinha fez? Ela pegou o estilingue, colocou a pedrinha, esticou bem... E deu uma pedrada na fuça de Joãozinho:

"- Isso daqui é pra pagar a dor das mordidas dos meus marimbondos! Bem feito pra vocês, seus meninos malvados! Mas que eu não vou deixar vocês machucarem os passarinhos, eu não vou deixar."

E assim era Belinha!

Belinha sempre, sempre, sempre... Dando bem ou dando mal, lá estava belinha sempre de bom humor pra brincar com a meninada.

 

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