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Carência afetiva ou vínculo de amor interrompido?

Carência afetiva ou vínculo de amor interrompido?

A Constelação Familiar toca em um ponto muito delicado, na verdade vários. Mas, penso que tudo o mais começa no Vínculo de Amor Interrompido. Ou o que, talvez, possa-se chamar carência afetiva, não tenho certeza. 

A mim me parece que existem vários graus de carência afetiva se entendermos o contexto do que consideramos como afeto: "ligação afetiva; sentimento amoroso em relação a; afeiçoamento". É natural e faz parte do ser vivo afeiçoar-se. Todo o ser humano ou animal é capaz disso. E todos podem se sentir um pouquinho carentes de vez em quando, basta ter um cachorrinho em casa para saber disso.

Mas, quando essa carência se torna mais do que querer companhia, mais do que dormir de conchinha, ou ter alguém com quem trocar nossas melhores ideias ou segredos, parece que existe por trás disso algo muito maior. E existe mesmo. E é disso que fala o vínculo de amor interrompido.

A diferença entre estar carente porque, por exemplo, passamos um mês viajando e sentimos falta de nossos companheiros ou de nossos amigos é uma coisa. Mas, quando passamos uma vida inteira em busca de alguém que preencha um buraco que ninguém é capaz de tapar, aí tem algo bem maior do que carência.

Eu entendo o afeto como uma graduação entre gostar e amar. Porque amamos de formas diferentes, e nem todas as atenções podem atender certas carências, como o bebê que chora pelo colo da mãe, quando está no reconfortante colo do pai, ou vice-versa. Amamos nossos amigos de forma diferente do amor que temos pelo homem ou mulher que escolhemos para viver. Gostamos de pessoas e até de nós mesmos, mas nem sempre nos amamos.

Isso mesmo, eu descobri isso, pelo menos no meu caso. Eu gosto de mim, dos meus talentos, das minhas ideias, dos meus valores, mas não me amo (não ainda), e talvez alguém possa achar estranho isso, mas é real. Porque amar e gostar são coisas diferentes. Afinal, você daria sua vida por um poodle de pelúcia?

A diferença entre o vínculo de amor interrompido (e como sempre, deixo claro que esse é o meu entendimento, pode não ser compartilhado por todos) e a carência afetiva está na vinculação que existe entre pais e filhos, diferente de todos os outros jeitos de amar. Essa ligação, que passa por sangue, genética, ancestralidade, é muito maior do que um simples gostar, por isso que amar e gostar não são a mesma coisa. E por isso, que dizemos que gostamos de coisas e amamos pessoas ou animais (porque têm vida). O amor dos pais é vínculo de vida, de identidade, de essência. Não pode ser preenchido por outro tipo de energia, ainda que exista mesmo o amor (levando-se em consideração que existem tipos diferentes de amor). 

Eu busquei toda a minha vida pelo amor ideal, tipo príncipe encantado. E devo dizer que sou grata aos "sapinhos" que encontrei pelo caminho. Hehe. Mas, o amor eu não achei, porque o perdi ainda na minha gestação, quando minha mãe não teve condições de se conectar comigo, porque sua dor emocional era grande demais e ela também não tinha vínculo. E eu fiquei sem esse vínculo, fiquei em um oco, viva mais sem a essência que nos liga à crença de que a vida vale a pena.

A diferença básica entre o vínculo interrompido e a carência, pelo menos como eu entendo, está no fato que o vínculo de amor, além da genética, da ancestralidade, traz-nos a identidade e a aceitação da nossa essência divina, pois que traz um amor sem julgamentos, uma aceitação total daquilo que somos. E isso é que nos constrói.

Quando nos apaixonamos por aquele ser que é um potencial companheiro de vida, em geral, já temos nossa essência pronta, além do sex appeal (que a danada da natureza usa para fazer a humanidade crescer), já somos, ou deveríamos ser, completos. Com o amor de nossos pais nada disso é necessário. Somos amados pelo fato de existirmos (quando somos amados).

Portanto, se você tem uma carência afetiva infinda, volte para o começo, crie o vínculo de amor com seus pais, da maneira que for possível. Muitos deles já não estão mais aqui, outros não dariam acesso a essa aproximação, pois que seria doloroso demais. Busque ajuda e restabeleça seu vínculo, o amor depende disso.

 

Saber Sistêmico
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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