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Carta aos antepassados

Carta aos antepassados

Queridos antepassados hoje sou uma mulher negra, a primeira da minha família com diploma de curso superior,  casada a 12 anos com uma filha linda de quatro anos.

Tenho  saúde física, mas há uns três anos venho sofrendo com vícios, me senti muitas vezes perdida e sem direção e infelizmente não consigo me sentir feliz e realizada com o meu trabalho.

Sinto sempre que me falta algo, acredito que seja a benção de vocês para que eu possa seguir.

Sei que alguns de vocês sofreram muito com preconceito de raça e de classe social, passaram fome, frio, tiveram que deixar suas cidades em busca de sobreviverem, a maioria não pode estudar, muitas mulheres sofreram com abusos de todos os tipos,  precisaram se prostituir para sobreviver, tiveram filhos que não conheceram seus pais por serem frutos de abusos, houveram abortos, alguns foram abandonados pelas mamães por não terem condições de criá-los por não terem convivência com seus pais e mães sofreram não se sentiram acolhidos e amados, sentiam medo e sofreram com a injustiça.

Ao meu irmão Alex com qual não tenho contato, ao meu irmão Luciano que  nasceu mas faleceu com poucos dias e a minha irmã Aline não nascida que sinto muita falta de vocês e quero agradecê-los por existirem e lhes dizer que trago vocês no meu coração e que vocês tem um lugar na minha vida. Ao meu irmão mais velho Robson sou extremamente grata por sempre cuidar de mim, que eu conheço a sua dor e sofrimento com os vícios e com a falta de um pai, sei o quanto você me ama e que eu também te amo.

Ao meu papai e mamãe só tenho que agradecer por terem me dado o que há de mais valioso a vida, sei o quanto vocês me desejaram e sou muito grata porque vocês são perfeitos como são, fizeram sempre o melhor que puderam por mim e foi e é o suficiente.

Tive muito amor e carinho das minhas vovós materna e paterna, sinto uma saudade tão profunda, as vezes acredito que seja uma saudade de outras gerações. Sinto uma necessidade de reforçar as características em mim dos negros e nordestinos que parece que foram ficando perdidas durante as gerações e devido a localidade em que vive hoje a maioria da nossa família.

Enfim só quero agradecer a todos os meus antepassados por tudo que foram e como foram, porque permitiu que eu hoje seja quem sou. Quero dizer que todos tem um lugar no meu coração e que sou um pouquinho de todos vocês com muito orgulho.

Peço que me abençoem minha jornada para que possa honrá-los vivendo com felicidade, saúde física, emocional, mental, encontrando o meu lugar, sendo próspera em todas as áreas da vida.

Eu me curvo perante vocês.

 

Janaína Nogueira Lima e Silva

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Janaína Nogueira
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Filha de Juscelino e Marilene a caçula de 5 irmãos: Alex, Robson, Luciano (falecido), Aline (não nascida). Esposa de Emilio e mamãe da Eloísa Maria.

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