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CARTA AOS ANTEPASSADOS

CARTA AOS ANTEPASSADOS

Queridos antepassados, é com muita emoção que escrevo esta carta para vocês!

Sei das lutas, dos sofrimentos, das dores por que passaram, através de histórias contadas por meus pais.

Recebi o nome das minhas duas avós. Da avó materna, Mirtes, e da avó paterna Cristina. Querida vó Mirtes, eu não tive o privilégio de conhecê-la. Deve ser por isso, que não gostava desse nome, tão pouco de ser chamada por ele. Sinto muito. Até pouco tempo, odiava este nome. Me sentia como se eu fosse 2 pessoas diferentes, a Mirtes era triste, tímida, solitária, sem ação, quase que invisível perante os outros. Quero, através da constelação, entender o porque destes sentimentos. Sei que a senhora teve tuberculose e morreu muito nova, devido esta doença.

Meu avô, seu marido, casou-se novamente logo que viuvou. Nós seus netos, quase que a maioria, não a conhecemos. Conhecemos a segunda mulher do vô. Fomos ensinados a chamá-la de tia. Será que lhe excluímos do lugar de vó, por não termos lhe conhecido?

Sinto muito! Eu lhe vejo. Sei da sua existência.

Minha mãe sempre falava que a senhora era muito amorosa com todos, em especial com seus empregados, e com as pessoas mais humildes, este lado eu devo ter puxado pela senhora.

Gratidão vozinha! Agora eu te vejo! Você é grande, eu sou pequena.

Vó Cristina, sinto saudades da senhora. Quero que saibas, que muitas vezes me senti rejeitada pela senhora. A senhora idolatrava minha irmã, e achava defeito em tudo o que eu fazia. Nunca entendi porque não gostava de mim. Achava que tinha que gostar, pois eu que tenho seu nome.

Peço perdão se alguma vez lhe ofendi, ou lhe magoei. Eu sinto muito!

Há pouco tempo atrás, estava analisando sua vida e percebi o quanto a senhora era forte, guerreira, lutadora. Vivia além do seu tempo. Viuvou muito jovem e administrava tanto sua vida financeira , como particular. Recebia na sua casa, seus netos que vinham para estudar.

Me identifico muito com a senhora.

Quando viemos embora pra Lages, construímos nossa casa onde era a sua, então a senhora passou a morar conosco, e foi assim, até seus últimos dias. Lembro que a senhora caiu e quebrou o fêmur, e eu dormia no seu quarto para lhe cuidar. Gratidão por ter tido essa oportunidade.

Quero que saibas que lhe admiro muito, e que entendo que a senhora deu, o que tinha para dar. Gratidão por ter sido tão valente, tão forte! As vezes me vejo na senhora, e isso me dá muita força.

Quero agradecer aos meus queridos pais, por terem me dado a vida.
Sei de toda história de luta por que passaram, pra criar seus onze filhos, com dignidade, honra, valentia, carinho, amor, honestidade, autoridade e firmeza quando foi necessário.

Me orgulho de fazer parte deste sistema familiar. Me orgulho e sou grata por ser filha de vocês.

Mãezinha, você era a Poliana, sempre justificando o comportamento dos outros. Sempre ajudando os menos favorecidos. Tinha uma meiguice e uma doçura, que me emociono de lembrar.

Meu querido paizinho, homem batalhador. Era o único provedor da família, e nunca passamos necessidades. Sempre tivemos comida, roupas, calçados, brinquedos, um lar para morar, e sua presença. Muito bravo, muito enérgico, muito pão duro. Sei que dava o que tinha pra dar, e as vezes, muito mais do que recebeu. Trazia os costumes de sua geração, onde os pais não podiam ser muito próximos dos filhos, para não perder a autoridade.

Lembro que tinha uma barreira muito grande entre nós, seus filhos e o senhor. Mas que, graças ao bom Deus, eu consegui ultrapassar essa barreira. Consegui lhe abraçar e lhe beijar todos os dias, e lhe pedir a sua bênção. Lembro que sentava ao seu lado, no braço da sua poltrona, e ficávamos de mãos dadas assistindo televisão.

Quando eu chegava na sua casa, a mãe sempre lhe dizia "pronto, chegou teu remédio". E o senhor me dizia "chegou minha princesa". Que saudade de vocês! Gratidão por serem meus pais, gratidão por serem os pais que eu precisava ter.

Perdão se algum dia fiz vocês sofrerem.

Sei que não queria que eu me casasse, pois queria que eu cuidasse de vocês. Eu teimei com o senhor e me casei. Eu tinha que seguir o meu caminho. Mas nunca abandonei vocês, construímos uma casa no seu terreno, para ficarmos por perto.

Meu marido, apesar de alguns conflitos que tiveram, também me ajudou cuidar de vocês. Perdão pai, por não ter entrado na igreja comigo, quando eu me casei. Como não queria que eu me casasse, achei que não era merecedor de ir comigo até o altar. Sinto muito! Fiz o que minha "maturidade" na época, me permitiu fazer.

Obrigada paizinho e mãezinha, por me ajudarem a cuidar dos meus filhos. Eles nasceram e cresceram perto de vocês, recebendo e dando amor.

Lembro do sofrimento de vocês quando meu irmão desencarnou e me disseram que se não fosse pelos meus filhos, seus netos, vocês não teriam sobrevivido a esta dor, pois eles distraiam vocês.

Que bom que estive sempre pertinho. Que bom que pude cuidar de vocês, como filha que honra seus pais.

Eu os vejo, os sinto pertinho de mim, sempre.

A senhora, mãezinha, atrás de mim, com sua mão no meu ombro esquerdo, e o senhor, paizinho, atrás de mim, com sua mão no meu ombro direito.

Eu sou feliz, pois tenho em mim a força e a coragem do senhor, meu pai e a doçura e a bondade da senhora, minha mãe.

Eu amo vocês além da vida!

Gratidão à todos os meus antepassados, por terem vindo antes, e por terem aberto caminho para eu estar aqui!   Eu vejo vocês, deixo com vocês o que é de vocês. Trago comigo, só o que me pertence.

Todos vocês ocupam o lugar que pertence a cada um.

Gratidão à todos e muita luz!

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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