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Carta aos antepassados

Carta aos antepassados

Demorei um pouco para fazer esta carta. Enquanto isso pude pensar no quanto estive distante. Meus pais se mudaram para muito longe de suas respectivas famílias. Eu e meus irmãos crescemos sem contato com primos, tios, tias e avós. Víamos alguns no máximo uma vez por ano nas férias, quando viajávamos para revê-los, e isso só começou a acontecer depois que fiz 9 anos. Até então, a sensação que eu tinha é que éramos soltos no mundo. Eu ouvi de meus pais as histórias da família. Para mim, muito tristes.

Sinto muito vô e vó paternos, quando nasci, vocês já haviam partido. Você, meu avô, partiu antes mesmo de meu pai nascer. Eu sinto muito por você não ter podido pegá-lo no colo, não ter podido ensina-lo a cavalgar, não ter podido vê-lo crescer. Tenho a alegria de te dizer que seu filho é um homem muito bondoso e honesto. Sei que o senhor pode se orgulhar dele. Ele venceu apesar de toda dificuldade. 

Também sinto muito minha vó por ter perdido seu marido tão cedo, grávida e com outros filhos. Sinto muito por tudo que aconteceu depois também. Mas sou muito grata à vocês, meus bisavós, tataravós e todos os outros que vieram antes. Sou grata por terem dado a vida a meu pai e por meio dele, tenho minha vida hoje. 

Aos meus ancestrais maternos digo que também sou grata por terem me proporcionado a vida. Sei que assim como herdei muito da genética da família do meu pai, os costumes e tudo que vem no campo dele, também herdei muito de vocês. Cada dia que passa, me vejo mais parecida fisicamente como minha mãe e fico feliz por isso. Gosto de me ver nela. 

Eu pude aproveitar muito pouco da companhia de vocês. Creio que vi o senhor, meu avó, umas 4 vezes. Me lembro de seu rosto moreno, olhar sereno e muita calma. Eu gostaria hoje de poder me lembrar de momentos em que o senhor me contava histórias, me mostrava objetos antigos que me fizessem me sentir parte desta história, mas isso não aconteceu. Acho que sinto saudades do que não vivemos. Também tive pouco contato com a senhora minha avó. Sinto muito pela imagem ruim que tive da senhora. Que pena que minha mãe tinha histórias tão tristes para me contar sobre o relacionamento de vocês. Minha mãe sempre te amou. Que bom que ela conservou no coração esse amor e todo o respeito pela senhora, apesar de tudo. Com isso ela me ensinou que tomar pai e mãe no coração é uma escolha que precisa ser feita. Interessante que nós nem nunca tínhamos ouvido falar de Bert Hellinger. Rsrsrs.

Então, meus queridos antepassados, eu vejo vocês. Sou grata ao conhecimento sistêmico que passei a ter há pouco mais de um ano e que está me ensinando a importância de olhar para trás e reverenciar todos vocês. Esse exercício tem me ajudado a melhorar como pessoa e a enxergar essas relações com um olhar amoroso que até então eu não tinha. Hoje eu sinto vocês todos comigo e não julgo mais. Sinto muito por todo julgamento. Por favor me abençoem para que eu siga com a força que recebo de vocês. Eu prometo fazer da minha vida algo grande em homenagem a todos vocês.  
 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Robsstania Souza
Robsstania Souza Seguir

Administradora, consultora de empresas e Facilitadora de Treinamentos. Paralelamente é Coach e praticante de Barras de Access. Diretora da Insight Espaço de Desenvolvimento Humano e Empresarial.

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