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Carta aos antepassados

Carta aos antepassados

Eu vejo vocês. Eu honro vocês e levo em meu coração a vida que aceitaram e assim ela pôde chegar até mim.

A minha busca segue em me liberar de padrões que não são meus e, os quais hoje eu começo a perceber que precisam ser vistos e deixados com seus donos.

E a cada história que descubro, muito sentido é acrescentado a tudo que vivi até aqui, é um redescobrir a mim mesma.

Meus amados bisos: Biso Joaquim, aventureiro, veio de Portugal jovem e sozinho, e com bisa Maria do Carmo, que aceitou começar uma família; deram de presente ao mundo o vovô José; mineiro, aventureiro também, que se casou com a jovem Francisca. Vovó Francisca, ficou órfã de mãe muito cedo, e era uma excelente benzedeira; filha dos amados bisos Franciso e Sebastiana. Biso Franscisco se casou de novo com a partida da bisa, mas não sei ao certo ainda a história toda, mas sigo na busca. Sei que vovó Francisca teve de cuidar dos irmãos menores, e nem sei quantos eram ainda. Eles tiveram oito filhos, entre eles, meu pai Antonio que se casou com minha mãe Luzia. Não conheci meus avós paternos, sei que havia também descendência espanhola pelo que me foi contado, mas ainda não sei de onde veio.

Minha mãe Luzia filha do vovô Pedro e da vovó Jandira, que tive a benção de conviver, mas que agora já fizeram suas passagens.

Vovô Pedro era filho dos bisos José e Joana e vovó Jandira era filha dos bisos Idalécio e Maria. Meus antepassados maternos, não sei toda a descendência, sei que haviam índios e negros.

Quanto amor foi gerado, quantos sofrimentos e dores carregados para que vida chegasse até aqui.

A cada história vou percebendo em meus gostos a herança desta rica mistura de portugueses, espanhóis, índios e negros.

O apreciar da dança espanhola, da comida portuguesa, dos objetos, enfeites e pinturas indígenas; da cultura negra de comida, dança e religião. Quanta força e diversidade em todos eles.

E com isso, a cada passo, é um nó que muitas vezes se desfaz de não merecimento; culpas, medos, saudades tão doloridas que cortam a alma e que nem sei de onde vem. Mas o que me encanta é que cada um deles sempre fez o seu melhor da maneira que lhe foi possível e jamais negaram o essencial que foi a minha vida.

Estudar as Constelações Sistêmicas é para mim um religare com a alma; a minha, da minha família, com a alma de Deus.

A vida segue para frente com o propósito de ir traçando novos caminhos; novas aventuras e assim se espalhar e se curar daquilo que lá atrás não foi possível, mas que foi tão doído que reverberou pelo tempo e gerações.

E a cada cura que sou submetida, vejo a felicidade deles e a paz em seus corações por saberem que nada foi em vão.

Eu amo todos vocês, gratidão.

Andrea Cristina de Lima Souza

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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