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Carta aos Antepassados - Iniciando o meu processo de cura

Carta aos Antepassados - Iniciando o meu processo de cura

Queridos antepassados!

O que posso dizer nesse momento? Que honro a vida que me chegou através de vocês? Que digo sim para as suas vidas, suas histórias, suas escolhas? Que vejo vocês? Tudo isso ainda é muito pouco...

Gostaria de pedir perdão por não tê-los conhecido... por não ter tido a oportunidade de conviver com cada um... por não ter pedido a bênção como sempre fazia com  a minha mãezinha! Quanto que perdi por não poder chamá-los de bisa Antonia e Antonio (maternos), de vô Coletano e vó Marieta (maternos) e de vô José e vó Catarina (paternos). Só tenho de vocês informações vagas de uma tia de 86 anos (irmã da minha mãe) e os nomes registrados na Certidão de Nascimento.

Às vezes a vida nos prega peças... nenhuma foto presente no meu dia a dia... contudo, tomo vocês no meu coração com muito amor e reverência. Quase nada foi contado sobre vocês! E a vida foi passando, passando e as histórias, muito poucas,  ficando para trás no esquecimento. Às vezes, minha mãe ao falar sobre a família, afirmava ser neta de índia. Índia de São Luiz do Maranhão, sua terra natal. E não é que parecia mesmo? Cabelos muito lisos, pretos, com um brilho que se assemelhava a noite de lua cheia... tão corajosa, tão valente, tão guerreira... os filhos sempre em primeiro lugar! Confeitava bolos para casamentos, pintava fantasias de carnaval, pintava lindos quadros, flores artesanais, tapeçarias... uma artista completa! Precisava ajudar o meu pai no sustento da casa.

Ele, meu pai, rádio telegrafista dos Correios e Telégrafos, último nível (e com que orgulho ele falava isso), sempre tão ausente, transferido de um lugar para outro, e lá ia ele, deixando minha mãe na tarefa de cuidar dos filhos. Quando eu ficava brava e muito brava, ele cantava pra mim! Sossega leão, sossega leão..."Era orgulhoso por eu me chamar Catarina, nome por ele dado em homenagem a minha vó, sua mãe. Eu não gostava muito porque os meninos da escola me chamavam de "Catarina pinta o coelho", porque minha vó se chamava Catarina Pinto Coelho. E eu não entendia porque eu não tinha o nome da minha mãe e meu irmão, também não. Ele havia dado ao meu irmão, o seu nome e sobrenome, como se quisesse perpetrar a família "Pinto Coelho". Paraense de origem, afirmava a todos ser pernambucano. Hoje eu percebo que deveria haver algo muito forte, para que negasse a sua origem e a sua história! Jamais falava sobre a família, seus pais, seus irmãos, sua linhagem... e o tempo foi passando, passando e as conversas de família foram ficando esquecidas. Meu irmão e eu baianos, eles dois, uma maranhense e um paraense e se bastando um ao outro. Uma família tão pequena...

Quantas recordações! Apesar de meu pai nunca falar  de você, vó Catarina, eu sinto que herdei o seu jeito de ser. Esse nome tão forte não lhe deve ter sido dado por acaso. Acho que somos parecidas na forma de ser e de ver a vida! Destemida e encarando tudo de frente... ou será que foi da minha mãe, neta de índia, esse meu jeito meio insolente, eterna criança apesar dos meus 70 anos? Muitas interrogações...

Como posso então agradecer a vocês meus doces antepassados? Como agradecer pelos inúmeros presentes que ganhei através das histórias não contadas de cada um de vocês do meu sistema? Dificuldades, muitas, mas quem não se encontrou um dia com os seus fantasmas e com os seus emaranhamentos? Sigo em frente na certeza do meu caminho para a cura. Com serenidade, maturidade, entendendo que o que aconteceu, tinha que acontecer! Sequelas pelo caminho... fibromialgia, dores articulares, dores doidas no coração...

E, portanto, é com o coração transbordando de amor e carinho que agradeço à vocês a vida que chegou à mim, a meus dois filhos e a meus quatro netos. Honro as suas vidas, as suas batalhas e as suas conquistas! Honro tudo o que vem de vocês! Deixo com vocês o que lhes pertence e sigo com o que me pertence! Digo sim para tudo que foi e sigo honrando o meu sistema! E está tudo bem! E está tudo certo! Eu vejo vocês!

Gratidão, muita gratidão!

 

 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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