[ editar artigo]

CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

Queridos antepassados,

Meus tetravós, trisavós, bisavós, avós, meus papais e a todos aqueles que vieram antes de vocês e que de alguma maneira contribuíram para que a vida chegasse até mim, venho expressar a minha imensa gratidão!

Mesmo com tantas as dificuldades e desafios conseguiram fazer com que o nosso sistema familiar continuasse e as nossas historias prosseguissem, algumas de dor e dificuldades, outras de conquistas e vitórias. O importante é que estamos aqui dando continuidade e dizendo sim à vida que recebemos.

Sei que muitos dos nossos ficaram nas nossas pátrias de origem, Alemanha e Itália e nem por isso deixamos de ser parte uns dos outros, sei que o trajeto da viagem até o Brasil trouxe obstáculos. A dor da despedida daqueles que não puderam vir, a solidão, a falta daqueles que amam sabendo que era provável não revê-los...

Sinto que foram muito fortes, guerreiros e corajosos.

Estavam determinados a buscar novas oportunidades mesmo sem saber ao certo o que estava por vir, só promessa do governo que ganhariam um pedaço de terra para produzir e recomeçar.

Minha bisavó materna Cristina veio moça da Itália, de Veneto, sozinha... ela recomeçou, na região de Rio Negro/SC.

Meus trisavós italianos, Piovezan, vieram de Istrana e Treviso, do norte da Itália, no navio Cachar, em 1888 e foram para o município de Lapa/PR, onde receberam um pedaço de terra para recomeçar. Meu trisavó Domênico veio com sua esposa Virgínia e 4 filhos, depois tiveram mais 3 filhos aqui. Dois deles são meus bisavós. Ângela, com 8 anos, veio junto no navio e João nasceu em 1892 aqui.

Meus pais são primos de segundo grau. Aqueles que vieram se despediram de muitas coisas e apenas olharam para frente e confiaram na intuição.

Da Alemanha vieram meus trisavós da Bucóvia, Bungartner (eram chamados de Bucovinos), Favaro e Klostermann. Ainda estou estudando sobre a vinda deles para o Brasil.

Meu coração se entristece quando imagino quantas foram as noites não dormidas que passaram buscando soluções, quantos que se foram sem alcançar seus sonhos, quantos não encontraram seus propósitos de vida...

Reverencio todos! Sinto muito por só agora serem vistos mas foi o tempo que precisei. Também sinto muito pelas histórias não contadas, pelos segredos não revelados...

Peço ao divino criador que olhe e cuide de cada alma. Eu sou parte de vocês e vocês de mim, todos são vistos e todos fazem parte, somos um.

Hoje percebo quantos são os desafios que tiveram, as relações turbulentas, a falta de amor, a orfandade, os relacionamentos de posse e obsessão, os excluídos, os abortos cometidos, as crianças não desejadas, as crenças colocadas no sistema, a falta de paciência, o machismo imposto, o racismo impregnado, os amores proibidos, a falta de amor próprio, a falta de dinheiro, a não prosperidade, o nome não honrado.

Quantos foram os desequilíbrios e a falta de ordem e de respeito, de amorosidade e compreensão e o quanto estavam a favor deste sistema, cada um carregando seu fardo, sua parte. Hoje dou luz e amor puro a tudo que passou aceitando, respeitando assim como foi, sem querer mudar.

Sou grata a todos por não terem desistido dos seus sonhos, mesmo diante das dificuldades.

Trago comigo esta força para continuar e a sabedoria de vocês para buscar e fazer minha parte.

Seguirei nos valores do bem, do cristianismo, do respeito, da empatia, da simpatia, da cooperação, da caridade que o nosso mestre Jesus nos ensinou.

Amorosamente,

Carla Aparecida Klostermann Favaro Bongarter Adão Leineker Vidal Piovezan

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Ler conteúdo completo
Indicados para você