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CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS
Regina Passos Rocha
fev. 2 - 5 min de leitura
010

Queridos avós, bisavós, trisavós e tantos que eu não cheguei a conhecer...

Hoje sei que a vida chegou até mim através de vocês. Eu sinto que cada célula do meu corpo responde a cada informação da minha sobrevivência. Hoje eu sei que nada é por acaso, nada é coincidência.

Em algum momento na busca pelo meu propósito na forma de querer cuidar e ajudar o próximo, fui desbravando este mundo maravilhoso das terapias que a nossa mestra Olinda Guedes apresenta. Me encantei com os Florais de Bach e as Constelações e foi aí que descobri que minha bisavó materna era parteira, benzedeira e curandeira.

Dona Rita de Cássia Duarte foi uma grande mulher fazendeira, ainda jovem ficou viúva, criou seus filhos sozinha e continuou a cuidar da fazenda de café. Meu bisavô José Sebastião Duarte era do México e migrou para o Brasil em 1907. Foi morto em uma emboscada pelo seu próprio compadre por causa de uma cerca que dividia as fazendas.

Não consegui muita informação a respeito.

Sinto que existem muitos segredos.

Minha querida vovó Onória, da qual eu herdei o nome, me considerava sua neta preferida segundo as minhas primas. Ainda me lembro do cheiro do seu perfume Toque de amor, seu sabonete Alma das Flores, e como você era cheirosa, de como era vaidosa e não deixava de usar seu pó de arroz e seu sapato de verniz. Sinto muito a sua falta. Me lembro do chazinho assustado que fazia para mim que queimava uma madeirinha até virar brasa. Não sei para que servia, mas eu sinto até o gosto da erva Santa Maria.

Meu avô João Miranda eu não conheci. Faleceu de infarte. Minha avó também ficou viúva muito jovem e hoje eu sei que o senhor era descendente de alemães que migraram para o Brasil fugindo da guerra. Sofria traumas e não suportava barulho. Suas mãos tremiam muito. Sei que sua família precisou mudar o sobrenome e adotaram o sobrenome Miranda. Moraram na região de Angatuba, interior de São Paulo. Meu avô era um bom homem, mas tinha o vício de jogar. Ficou muito rico, fazia jogo do bicho, tinha um hotel e vários comércios. No final da sua vida perdeu tudo, levando a família a miséria.

Por ser uma família muito influente na região, não aceitaram o casamento do meu bisavô Juvenal Miranda com a minha bisavó que era índia. Não consegui saber o seu nome. Ele saiu de casa e nunca mais voltou para rever a família. Meu avô alguns anos depois foi procurado para receber uma herança da parte do pai, mas ele era muito orgulhoso e abriu mão da sua parte.

Meus avós paternos, querido vovô Dito, Benedito Lopes dos Passos, seus pais, meu bisavô João Lopes Sobrinho e minha bisavó Januária Maria Cardoso, eram espanhóis da cidade Sevilha. Me contaram que meu avô era um homem muito rude e grosseiro que maltratava muito os filhos. Eu tenho a lembrança de um senhor amoroso, que sofria de diabetes.

Tinha lindos olhos azuis, descascava laranja lima e cortava queijo pra mim. Morávamos bem próximos em um sitio lindo do qual tenho muitas recordações. Convivi bastante com meus tios, tias, primos e primas. Eu custo acreditar que aquele senhor que eu aprendi amar e que tinha tanto carinho por mim tenha feito coisas tão cruéis. Existia muita revolta na família por parte dos filhos e ninguém queria cuidar dele quando ficou muito doente, então passou muito tempo no hospital.

Lembro pouco da minha querida avó Etelvina Maria de Jesus, sei que era descendente de alemães. Tenho a lembrança de uma senhora magrinha que fumava muito e teve problemas no pulmão. Ela faleceu aos 57 anos com pneumonia eu era muito pequena. Minhas tias contam que ela protegia os filhos para não apanharem e por vezes meu avô descobria e batia nela. Uma vez ela estava gravida de gêmeos e meu avô a empurrou, ela caiu e bateu a barriga em um poço e abortou naquela noite os dois bebês.

Minha bisavó Clementina Maria de Jesus era alemã e meu bisavô Antônio Silveira Mendes Filho tinha origens espanholas e portuguesas.

Através de vocês, meus queridos antepassados, eu recebi a vida, gratidão!

Eu sinto escrevendo esta carta através dessas histórias de vida um aperto no peito, uma mistura de amor e dor. Quantos sofrimentos. Quem eu sou? O que eu herdei? O que eu posso fazer para curar o meu sistema?

Não sei o quanto isso reverbera em mim, mas sinto que estou no caminho certo, buscando nas minhas origens alemãs os ensinamentos de Hahnemann, pai da Homeopatia, e agora os ensinamentos de Bert Hellinger com as Constelações. Sinto meu chamado indígena através da Fitoterapia e dos Florais de Bach.

Agora sei que tudo tem um propósito na vida e que olhando para trás encontramos forças para seguir em frente!

Sou Honória Regina Duarte Miranda de Jesus Silveira Mendes Lopes Sobrinho Cardoso dos Passos.

Gratidão a todos os meus antepassados!

 

dromelot | VSCO


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