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CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

        Querida bisavó Paulina e querido bisavô Antonio Manoel... Quando lembro da história do relacionamento de vocês, onde houve traição e não houve perdão... e houve tanto sofrimento por conta disso... vejo que isso é algo que ainda precisa ser compreendido para que não seja mais repetido nas gerações seguintes. Minha mãe, neta de vocês, sofreu com uma situação parecida com a de vocês. E eu, também!

       Querida bisavó Maria Joaquina, eu tinha um costume muito grande de, quando eu ia alimentar meus filhos, eles queriam saber o que eu estava dando para eles, e eu sempre falava: “vocês acham que eu vou dar veneno para vocês?”. Mal eu sabia que foi assim que você partiu desse plano, tendo sua comida envenenada por sua nora. E quando eu trouxe isso para a minha consciência, quando essa história não estava mais perdida no tempo, eu consegui percebi o quanto eu tenho medo que isso também aconteça comigo...

          Querida vovó Paulina, você sempre foi uma mulher de muita garra, coração muito grande, de poucos risos. Ficou viúva tão cedo, ainda com 10 filhos para cuidar, prover, zelar, sustentar. Trabalhava sem cessar para poder alimentar, educar, vestir seus filhos. Como seu marido, meu avô Manoel Antonio, faleceu tão cedo, e tão de repente, todos os seus filhos ficaram órfãos de pai.

          Quando olho para a sua história, vejo quantas de nós, mesmo dentro de relacionamentos conjugais, ainda nos sentimos sós, como viúvas. Ainda sentimos o quanto precisamos “ser homens”, resolver das coisas mais simples às mais difíceis, assim como você. Teve que ser mãe e pai e, ainda hoje, repetimos o mesmo caminho que você.

          Ah, mas quando eu lembro do seu hotel, da sua comida! Lembro do jeito que você cozinhava as batatinhas... E lembro da minha vontade de construir uma pousada, acolher pessoas, assim como você fez!

          Querida vovó Olga, de você pouco eu sei... meu pai ficou órfão de mãe tão cedo que as memórias que nós temos de você, nós procuramos sempre guardar com muito carinho. Sua fotografia com seu corte de cabelo... que, depois que a reencontramos, soubemos que você era professora. E, querida vovó, como eu amo ensinar! Programar e dar aulas, ensinar aquilo que sei do meu jeito... Agora sei o que eu herdei de você! Com 12 anos, eu dei minha primeira aula, substituindo a minha mãe. Depois fui estudar em um internato, onde eu também era professora, alfabetizando as crianças. Será que você fazia isso também?

          A sua ausência ainda precisa ser trabalhada! A orfandade ainda precisa ser curada. Eu sei disso!

          Querida vovó Prazer, que cuidou tanto de meu pai pela minha vovó Olga. De você, me lembro o quanto você fumava e agora eu sei que isso mostrava o quanto você sempre se sentiu só. Quando você partiu deste plano, sei que foi pela tristeza, pela solidão. Por muitos anos, foi assim que eu me senti também e repetia os mesmos passos que você. Agora eu entendo e coloco você em meu coração!

          Querido vovô Osório, como eu amo me lembrar de você! O quanto você sempre zelava por nós. Lembro que arrumava nosso prato de comida com tanto amor e cuidado, sentava ao meu lado na mesa e orava. Lembro-me disso todas as vezes que minhas netas estão junto a mesa comigo. Sempre foi tão bom ver o quanto você me cuidava, que hoje quero fazer o mesmo por elas.

          Comerciante, homeopata, um homem tão culto que quase sempre estava nos cartórios servindo como testemunhas de nascimento, casamentos e óbitos. Ah, se você me visse agora! Sou uma terapeuta de sucesso, que amo chás e homeopatias e... trabalho em cartório. Como comerciante, sei o sufoco que foi quando seu neto lhe tirou tudo que você tinha. E como hoje nós ainda passamos alguns sufocos financeiros, querido vovó... Eu entendo!

          Olhando para toda a história de todos vocês, vejo as afinidades nas profissões, os padrões de sofrimento dentro dos relacionamentos, as crianças não nascidas, os sintomas... E sinto que tudo isso, e muito ainda, ainda precisa ser curado. Mas hoje olho para a história de cada um de vocês com mais empatia e esperança – de que tudo, um dia, será curado!

         Maria Albertina de Figueiredo Henrique de Oliveira de Lima de Oliveira Koch Döerner da Silva Ribeiro de Souza – Carneiro

 

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Meu nome é Maria Albertina. Meu papai se chama Arnon Derner de Souza e minha mamãe se chama Izabel de Oliveira Souza.

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