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Cartas aos meus antepassados

Cartas aos meus antepassados

 Queridos antepassados,

Hoje consigo olhar tudo com mais amor e menos peso.

As dores, as inseguranças, os traumas que carreguei por muito tempo, os choros, as raivas... por fim, sei que ainda carrego algumas coisas que ainda me fazem me sentir inseguro mas prometo à vocês que estou no caminho de minha cura. Sei que para vocês, meus bisos não foi nada fácil criar os meus avós em um tempo sem muito conhecimento e ainda por  cima, em cidades do interior (parte de mãe).

Vejo vocês meus bisos por parte de pai, muito amor foi envolvido entre nós, mesmo a senhora, bisa Maildes, acamada, sofrendo com essa doença desde quando nasci, mas o seu amor por mim era visível (eu era o bisneto que ela mais se alegrava em ver e o que mais dava atenção à ela, nas vezes que eu ia na casa dela). Por 20 e poucos anos ficou nesse estado vegetativo mas ao mesmo tempo muito lúcida e brincalhona, eu te amo, te vejo e te respeito.

Ao meu biso Nazário, só tenho à dizer que eu tenho um amor enorme pelo senhor, mesmo não tendo muito o que conversar, quando ainda estava aqui, nesse plano da vida.

À minha bisa Maria, que morava no interior, eu só tenho à agradecer por confiar tanto em mim, pois fui o primeiro a saber que ela não estava bem, mas por medo de preocupar os outros preferiu ficar dias e dias com dor e desconforto, até que tomou a coragem para falar comigo (depois de muito perguntar se ela estava bem, mesmo sabendo que não), por fim, quando a internaram foi a última vez que a vi, pois não voltará mais para a casa.

Ah! Meus amados avós por parte de mãe, eu tenho um amor tão grande pelo senhores, que não consigo nem descrevê-lo.

Tenho um sentimento de muita gratidão por serem os melhores avós que eu possa ter, vocês são os meus tesouros. Posso não demonstrar isso em palavras mas sempre penso em vocês (sei que preciso mudar esses hábitos, pois devemos demonstrar o amor em vida, principalmente). Eu vejo vocês.

Ah! Meus avós por parte de pai, não tivemos muito contatos, pois meu pai não gostava muito e com o tempo aprendi a não gostar também, afinal, não tínhamos motivos de estarmos juntos se meu pai não fortaleceu esse laço, hoje, consciente, levo mais amor à vocês, às vezes longe, às vezes perto, mas nunca distante.

Eu os amo e os vejo.

Aos meus pais/genitores (eu os considero assim pois em cada fase de minha vida foram se tornando mais genitores do que pais, de fato). Sempre fui uma criança extremamente nervosa, agressiva, impaciente, teimosa, mimada, emburrada... aos 7  anos passei por um abuso e a minha genitora o acobertou, afinal, após 17 anos do acontecido, os dois ainda estão juntos, e isso que minha mãe pegou no ato e nada fez, além de depositar a culpa em mim, uma criança de 7 anos, em plena formação cognitiva, moral e ética.

Eu carreguei isso comigo por muito e muitos anos, até que eu entrei no mudo das terapias, a qual me trouxe mais noção do que eu sentia, do que eu tentei fazer (sim, tentei suicídio uma vez), com isso eu vejo que até os meus 18- 20 anos, eu vivia para chamar a atenção de um pai que eu julgava ser ausente, o qual demonstrava de forma fria o seu amor por mim (hoje eu sei que é o jeito dele e consigo levar).

Ainda estou em processo de cura com essa questão de minha mãe, a qual eu sempre "endeusava" e colocava em um pedestal e com o meu pai eu só o culpava, por pensar que ele deveria me proteger contra tudo aquilo que aconteceu mas que na verdade sequer ele sabia do que havia acontecido (e não sabe até hoje, mesmo eu com 24 anos de idade).

Papai, querido papai, eu te amo, peço perdão e te vejo.  Sou menor, o senhor, maior. Mamãe, querida mamãe, eu te libero, eu te vejo e  peço perdão mas também te perdoo, hoje aprendi que todos nós  temos que fazer escolhas em nossa vida (e olha que com tudo isso eu sempre tive dificuldade em  decidir). Quero que a senhora me liberte desse peso que não é meu, é seu.

Querido papai, eu te libero e peço que me libere também, o que é de vocês é de vocês e o que é meu é meu, vamos combinar assim?

As coisas tenderam a melhorar, pai e mãe, após eu ter saído de sua casa, mamãe, afinal, já não estou mais naquele ambiente que antes não entendia o porque que não gostava de ficar lá, mas hoje eu vejo que é porque eu o via como sujo, como vergonha, nunca considerei uma casa, uma lar familiar.

Por muito tempo, pai e mãe, eu trazia a frustração no amor por conta que eu não entendia tudo isso, mas hoje eu,  com mais consciência, consigo separar e trabalhar com o que preciso curar. Eu sou grato PELA VIDA que me deram, se não  fosse isso, eu não poderia estar aqui e agora, fazendo o meu legado. Eu vejo vocês e eu os amo, com todo o meu coração.

 Aos meus antepassados antes desses, eu sei que os tempos eram mais difíceis ainda, entendo hoje, o porque é muita briga no meio familiar, por conta de dinheiro, álcool e drogas. E por incrível que pareça é dos dois lados, tanto de pai quanto de mãe. Eu sei que não fui o primeiro a mexer em todo esse emaranhado, mas estou sendo o primeiro à aprofundar sobre tudo isso com mais amor e conhecimento e com isso quero curar cada vez mais o meu sistema familiar, até onde eu conseguir, curando todos os anteriores e os após a mim.

Sou grato por não desistirem, sou grato por terem sido persistentes, sou grato por darem  duro para eu estar aqui hoje. Nunca experimentei drogas e bebi algumas poucas vezes, acredito que  criei um bloqueio com tudo isso por medo de seguir esse padrão destrutivo em nossa família, porém também observei que isso é algo que eu preciso modificar pois não adianta não seguir o movimento mas bloquear isso  e não curar.

Portanto, também é algo que estou trabalhando, para que tudo possa ser modificado curado e ressignificado.

Com a minha falência, aos 23 anos, quando tentei entrar em sociedade observei a força que teve a minha ancestralidade e a da minha sócia, não soubemos administrar bem as coisas e com isso decretamos falência  em nossa empresa (ela já vem de um processo de falência e eu entrei confiante mas observei que foi o melhor para aquele momento pois eu precisava curar aquilo, não estava enxergando).

Tive que trabalhar muito com a energia da prosperidade para aprender a usá-la, e hoje, consigo ressignificar as auto-sabotagem que aparece em minha jornada, com relação ao dinheiro. Estou em um processo de alavancar os meus empreendimentos e o universo tem me mostrado muitas coisas positiva.

Graças a minha espiritualidade, sempre fui  conduzido para um caminho melhor. 

Hoje, com mais consciência, eu vejo que tudo que eu fazia antes era com muita dor, muito medo e insegurança e que muitas coisas precisaram acontecer para que eu conseguisse ver e começar o meu processo de cura. Vejo que a mordomia para a minha família por parte de mãe é a melhor coisa, ainda mais para as mulheres, que praticamente são donas de casa e que cuidam do marido, filhos, etc, porém tantas mulheres de minha família já quebraram esses padrões que é lindo de ver.

A ganância, a vontade de ser rico e se for preciso passar em cima do outro, passarão, eu não quero para mim. Sempre rezo aos meus Guias espirituais para que me mostrem o  melhor caminho, sempre peço ao universo que me dê o que é meu pois estou aberto as oportunidades que ele tem para mim. Mas não gosto muito de me envolver em sujeiras familiares, tanto é que eu me afasto de todas. 

Por fim, eu sou grato à todos os meus antepassados, por fazerem o que fizeram para dar a minha vida. Deixo com vocês, o que é de vocês. Levo comigo, o que é meu. Eu vejo todos vocês, e o  meu amor por vocês só aumentam, a cada estudo e prática terapêutica que aprendo. 

Sou grato, sou grato e sou grato.

A cura vem, estou aberto, sou merecedor.

Axé.

 

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Módulo 01- Aula 6- Cartas aos antepassados.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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