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Cicatrizes da vida real

Cicatrizes da vida real

Há alguns dias, senti dores nas regiões operadas, isso acontece com bastante frequência. Ao tocar, a região, pouco explorada por mim, apertei com mais coragem para entender o que havia acontecido comigo naquela cirurgia. Coisa que eu não havia feito até então. Me dei conta que por trás do expansor (prótese provisória para reconstruir a mama) que está ali no lugar da minha mama, existe um buraco imenso. E embora exista uma prótese provisória que imaginariamente produz uma sensação de que tenho uma mama, eu não tenho, ela não existe mais, não está lá. 

Então, ao aprofundar os dedos sobre a pele, senti o vácuo. Entre aquilo que acredito e aquilo que realmente existe. E existe um buraco físico e emocional. Ao tocar naquele buraco, eu pude sentir além da profundidade que ele tinha, senti a agressão de tudo que houve comigo e o tamanho do desafio que enfrentei (não que eu não soubesse). Me dei conta do tamanho da marca física e emocional que ficou.

Um buraco que jamais será ocupado por uma prótese. Que ajuda a ludibriar o cérebro, a elevar minha autoestima, a não me sentir feia. Mas o fato é que tudo isso mexe tanto com a nossa cabeça.

Engana tão bem, que por vezes Henrique simula que está mamando, esses dias ele fingiu mamar e disse que ia sair leite. Eu, o informei que naquela não iria  sair leite nunca mais, (por mais que seja dura a notícia, temos o compromisso em casa de sempre falar a verdade), a notícia aos ouvidos e olhinhos dele não pareceu boa, - os olhinhos ficaram lacrimejados- ele me abraçou e ficou compadecido com a minha dor, porque sentiu minha tristeza ao falar aquilo. 

Ele disse: e a outra? Eu disse que na outra ainda dava! Por vezes ele me abraça e diz: mamãe, eu não queria que tivessem feito isso com você, cortaram seu peito! Eu sempre digo que foi necessário para que eu vivesse, e que agora o importante é que está tudo bem! (Um modo mais simplista de explicar), que não diminui em nada o impacto disso tudo.

A vida, nos traz alguns desafios para que possamos sair ainda mais fortes deles. E por mais que existam marcas físicas e emocionais, isso nos dá muita coragem para enfrentar outras etapas.

A minha vida, eu procuro aproveitá-la ao máximo, porque eu me dei conta que ela podia acabar antes do que eu imaginava, sem que eu pudesse fazer tantas coisas que eu gostaria. Pedi a Deus para ficar mais um pouco e me deixar ver meu filho crescer! 

Ele, foi generoso! Me deu um prazo maior 🙌🏻... Quanto tempo? Eu não sei, por isso quero aproveitá-lo.

Vivo a vida plenamente. E quero motivar o maior número de pessoas possível a fazê-lo também!

Talvez eu sobrevivi para encorajar pessoas, para trazer para a vida alguns que estejam praticamente mortos. Afinal de contas, tem pessoas vivas quase morrendo mesmo sem ter câncer, outras que têm câncer e que estão mais vivas que as que não têm e que provavelmente não irão morrer de câncer.

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
MILENA PATRICIA DA SILVA
MILENA PATRICIA DA SILVA Seguir

Sou mãe do pequeno Henrique, escritora professora de Direito Sistêmico, Advogada, pesquisadora, terapeuta, master e coach em PNL, doula, apaixonada pelo cuidar do ser, pelo conhecimento, pelos livros e pela vida e por chá de manjericão.

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