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Comendo para os antepassados

Comendo para os antepassados

 

Esse título é um pouco estranho para mim. 

Me vem em mente, quando era criança e tínhamos porcos. Tratávamos deles, eles avançavam sobre o alimento.  Era muito estranho!

Então, o tempo foi passando e eu fui conhecendo outras realidades, diferentes do nosso sagrado lar que minha mãe cuidava com tanto carinho e meu pai provia com total responsabilidade.

Vi a tal merenda escolar. Era algo estranho. Parecia algo feito para nossos porcos. Não tinha cuidado, tempero, sabor. Não era como o alimento preparado por mamãe, nem por vovó.

As crianças, muitas famintas, avançavam em direção aquelas grandes panelas . Pareciam nossos animaizinhos.  Tão triste.

Eu me negava a participar dessa situação. Eu não via consideração naquela situação.  Parecia um misto de caridade com migalhas.

Preferia meu pão com nata, preparado por mamãe com carinho, embrulhado carinhosamente num pano de prato.

Então, fui para Universidade. Lá não havia muita escolha: ou comprava alimento ou comprava conhecimento (livros) com todo o dinheiro que minha família me enviava com muita generosidade, mas era  realmente como a história do manto do mestre. Você já deve ter ouvido falar. 

Sou tão grata por minha família. Porque se não fosse a Mana Susy Guedes e o amor de cada um deles eu jamais teria estudado uma graduação. 

Então, eu percebi, anos depois, quero dizer, alguns kilos a mais, que eu efetivamente comia o que tinha. Era como uma declaração de humildade perante meus antepassados que tanto sacrifício fizeram: comer o que tem é um ato monástico.

Nem sempre o que tem é apropriado para nossa vida, para nossa saúde. Mas, por vezes, é a única opção que temos.   

Vivi por um bom tempo deste modo. Então, ouvi minha avó dizendo um dia: "não podemos fazer luxo, minha fia!"  Fiquei pensando, pensando...  meditei muito, constelei e ressignifiquei:   

- Querida vovó, agora podemos deixar esse luxo de lado, de comer o que tem, para escolher o que teremos para comer.

Fui à quitanda. Frutas e verduras agora é nosso lema, nosso luxo. Porque agora podemos.

Também botei fora panelas de alumínio, que bonitas por fora, se bem ariadas, fazem um mal danado para nossa saúde.   Prefiro minhas lindas panelas de ferro. Pretas que só.  Pratos de louça bonitos.  Talheres de cabo vermelho. Outro com um ponto "Gold" .

Queridos antepassados,ainda temos muito que realizar.  Flores à mesa é algo que amo!

 

Enquanto escrevo aqui ouço uma música tão linda. Ofereço a você:

 

 

OLINDA GUEDES é mãe. Sua primogênita é Nina Maria. Apaixonada pela vida, escreve com o coração o que cabe em palavras. Dona do Pedaço é o quarto livro de sua autoria.

Enfeita a casa para o Natal há muitos anos, mesmo antes dos filhos nascerem. Sua mamãe também era uma mulher muito gentil e cuidadosa com a felicidade. Todos os anos tinha árvore de Natal.

Conduz, no Instituto Anauê-Teiño, a Escola Real, uma Escola de Saberes Úteis. Uma iniciativa cujo objetivo é trocar saberes das diversas ciências com o propósito de uma vida mais feliz, próspera e saudável.

https://linktr.ee/olindaguedes

 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
OLINDA GUEDES
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Oilá, gente linda! É uma boa história a minha vida... ainda temos muito a viver. A parte mais linda é ser "Mamain" das duas princesas Nina Maria, Camila Maria e dos cinco príncipes cavalheiros...

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