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TUDO COMEÇA NA INFÂNCIA

TUDO COMEÇA NA INFÂNCIA
Flavia Cristine Abreu Sena
fev. 9 - 5 min de leitura
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Tudo tem seu início em algum lugar do passado.

Ao revisar a minha infância e a dos meus pais eu senti um misto de compreensão e gratidão por tudo que eles fizeram por mim, pois consigo ver que fizeram o que podiam fazer e principalmente, só poderiam dar o que receberam.

A infância do meu pai é uma incógnita, já que não tenho muitas informações (meu pai faleceu em 2019) e tudo que tenho são frases que ele falava mas nunca se aprofundava.

Meu pai passou a infância na roça, meu avô era o provedor e minha avó, dona de casa. Papai relatava que apanhava muito e sempre brigava com um dos meus tios (morreu brigado com esse tio), ele era o mais velho (tinha 3 irmãos e 4 irmãs). Papai falava que minha avó era de circo e que nunca foi aceita pela família do meu avô. Não sei detalhes de sua infância pois me relatou muito pouco, mas pelo pouco que foi relatado percebia que foi uma vida difícil, de regras, obrigações e privações, percebo que também não havia demonstrações de carinho e amor entre pais e filhos.

A infância da minha mãe é mais conhecida por mim, pois conversei com ela sobre este período da vida dela, porém ela também tem poucas memórias. Minha mãe foi entregue para outra família pela minha avó biológica. Eram da mesma família, a minha avó deu ela para a prima. Esse segredo foi guardado até os 20 anos de idade da minha mãe, até ela descobrir por terceiros. Segundo ela, não sentiu nada (!?) e disse que não tinha sentimento pela mãe biológica.

Minha mãe passou a infância dela no Rio de Janeiro, o pai adotivo morreu quando ela tinha 3 anos e a mãe adotiva quando ela tinha 14 anos. As minhas tias (na verdade primas dela) cuidaram dela até ela se casar com meu pai.

Passou muito tempo para minha mãe aceitar a mãe biológica assim como suas irmãs de sangue e isso aconteceu quando a minha avó já estava com mais de 80 anos. Ao conversar com ela percebo que seus sentimentos não foram validados e a repressão de sentimentos foi instalada naquela jovem de 20 e poucos anos, sendo que já vinha de uma infância com poucas demonstrações de afeto.

Minha infância foi marcada, na minha percepção infantil, pela indiferença dos meus pais aos meus sentimentos, a falta de atenção e demonstrações de carinho. Não me sentia "vista ". Foi o início da somatização, tive quadro grave de diarreia ainda bebê e na primeira infância tive quadro de amigdalite, uma doença renal chamada nefrite aguda, fraturas de braço, passei por 2 cirurgias antes dos 7 anos de idade.

Passei a adolescência somatizando essas dores no meu corpo, cada período da minha vida (infância, adolescência, juventude e vida adulta) marcada com um ou mais sintomas diferentes. Fiz muita terapia para me ajudar nessas crises emocionais e físicas e fiquei muito tempo dependente de remédios.

Eu lembro da presença da minha mãe em todos esses momentos, seu cuidado e amor eram sentidos por mim, eu me sentia amada e "vista", ou seja, através da doença eu recebia atenção e amor.

Eu precisava ser vista, meus pais precisavam serem vistos e o sofrimento emocional nos aproximava (eu com minha mãe), não lembro do meu pai nessas internações ou cuidados. Lembro pouco de sua presença na minha infância, ele estava sendo "o provedor", ele foi criado dessa forma, não sabia ser diferente.

Então hoje me dou conta que sou resultado das memórias pessoais e trans geracionais dos meus pais, eles também não foram enxergados nas suas dores e faltas, não tiveram a afetividade necessária para passar adiante, eram crianças carentes e só queriam ser "vistos" por seus pais.

Eles se encontraram, se apaixonaram, casaram, tiveram 4 filhos juntos (3 vivos) e infelizmente tiveram um relacionamento disfuncional e abusivo com o passar dos anos (não consigo lembrar de momentos de carinho e amor entre os dois) e separaram 15 anos antes do meu pai morrer.

Hoje entrego, aceito, perdoo e sou grata por todo amor que me foi dado, eles fizeram o seu melhor e hoje com a consciência dos meus emaranhamentos familiares que tanto me adoeceram, posso ser livre e desfrutar a vida com plenitude.

Por amor a vocês fui leal mas agora estou livre para amar e ser amada, ter uma vida com saúde e prosperidade. Obrigada papai e mamãe por todo amor!


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