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Conhecendo a minha família biológica

Conhecendo a minha família biológica

Não, não é desde sempre que tenho vontade de conhecer minha mãe biológica. Sempre soube que era adotiva, mas nem sempre soube que conhecer minha mãe biológica era uma opção.

Quando eu tinha por volta dos 13 anos minha mãe conversou comigo sobre essa possibilidade, contou que não tinha muitas informações sobre minha família biológica, me disse o que sabia e que se fosse minha vontade juntas poderíamos buscá-los. Foi uma grande novidade descobrir essa possibilidade, primeiro tive que aprender a lidar com ela para depois descobrir se queria ou não tentar encontrá-los. Veio a sensação de raiva e mágoa, por ter descoberto que uma parte da minha história havia sido ocultada de mim pelas pessoas mais importantes da minha vida para depois vir o entendimento do porque eles tinham escolhido esperar me contar. Só aí, pude dar o próximo passo.

Em uma imersão terapêutica que fiz por um mês comecei a entender melhor o que sentia em relação a minha mãe biológica e a minha mãe adotiva. Ali, a vontade de conhecer minha família biológica começou a ficar mais forte. Mesmo com a vontade, não agi.

Segui a vida, pensando nisso de tempos em tempos, até que após me formar me encontrei novamente em uma sessão terapêutica descobrindo o quanto ansiava por conhecer mais a minha história. Aí sim pedi auxilio para meus pais e fizemos algumas tentativas para localizar minha família biológica. Minha mãe sempre me apoiou na procura, mesmo que isso significasse para ela ter que ouvir muitos perguntando: “ Ela não está feliz? Você não tem medo dela encontrar a outra mãe e te abandonar?”. Ela permaneceu firme, até o momento em que sentiu que a busca estava me deixando mais triste do que feliz. Meu pai apenas disse uma vez que achava que eu não devia ir atrás, mas que se era meu desejo ele me ajudaria.

Esse período foi turbulento para mim, imagino que tenha sido para meus pais adotivos também. Nós não chegamos a localizar ninguém da minha família biológica.

Eu não os encontrei fisicamente, não descobri seus endereços, nomes, idades. Porém nesse caminho de procura eu redescobri meus cabelos cacheados, que eu gosto de imaginar que seja uma mistura dos cabelos dos meus pais. Eu encontrei o valor da cor da minha pele, que tenho certeza que deve ser igualzinha à cor de uma das minhas irmãs biológicas, às vezes ela me visita em sonhos. Eu comecei a cozinhar com muito mais frequência, como imagino que minha avó também faça. Eu passei a olhar para minhas mãos e ver os dedos da minha mãe, a dançar e sentir todas as mulheres da minha família dançando comigo.

Muitos diriam que foi uma procura que terminou mal sucedida, já eu diria que eu localizei minha família melhor do que eu poderia imaginar. Eles sempre estiveram comigo, só que eu demorei um tempo para enxergá-los.

As descobertas não pararam, é algo que estou construindo diariamente. Às vezes os sinto pertinho, às vezes nem tanto, mas acho que é assim com toda família.

P.S: Essa é a foto da minha mãe biológica, que uma artista fez para mim baseadas em meus traços e algumas percepções que passei pra ela sobre como imaginava minha mãe. Do meu pai não fiz ainda, ele ainda está nascendo para mim, em algum momento farei também.

Abraços, Mari.

 


Mariane Bridi Di Domenico 

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Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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Sou apaixonada pela singularidade de cada pessoa e cada história. Amo falar e escrever com o coração.

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