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CONSTELAÇÃO DE CURRICULUM

CONSTELAÇÃO DE CURRICULUM
ELIANI A. AMARAL
mai. 16 - 12 min de leitura
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Cá estou eu, manuseando minha Carteira de Trabalho, viajando ao meu passado para fazer a reconciliação com as atividades profissionais que tive e, pelo que analisei, acho que não posso considerar algumas atividades como um trabalho ou emprego porque elas não eram contínuas.

Logo, denomino como trabalho aquelas atividades realizadas que não constam em minha carteira e emprego para aquelas que estão registradas.

Então, meu primeiro trabalho foi de balconista (assim éramos denominadas na época) em uma alfaiataria. Ali trabalhei por 7 meses, sem registro em carteira, e o único fato que me ocorre de não ter gostado era o de a filha do dono abrir a minha correspondência, ler e as esconder, até o dia que eu as encontrei (imaginem o meu espanto).

Perguntei a ela porque fazia aquilo e, ela me respondeu que, como não recebia cartas, queria saber o que havia escrito nelas. Fiquei quieta e logo depois recebi o convite de outro emprego com salário melhor e carteira de trabalho assinada.

Meu segundo emprego, também de balconista, em uma loja de tecidos e confecções. Um ambiente muito bom e éramos várias atendentes e todas nós nos divertíamos muito com os ocorridos durante o dia. Então, veio uma crise entre os sócios e a empresa demitiu, sem justa causa, eu e algumas das atendentes.

Somente ficaram as duas mais velhas.

Logo em seguida fui convidada a trabalhar em outra loja de tecidos e confecções, como balconista, e eu era a única funcionária da loja. Era um ambiente muito bom de trabalho. Mas os sócios descontentes com a cidade resolveram mudar-se para o Recife e começar uma nova empresa lá. Assim foi meu terceiro emprego.

Meu quarto emprego foi em uma farmácia da cidade, como balconista, um ambiente muito bom. Lembro-me que eu tinha dificuldade em ler as receitas dos médicos e não consegui aprender a dar injeções porque ficava com pena das pessoas, mas isso não foi empecilho porque havia pessoas preparadas para isso.

Quando fui morar em Agudo, com uma de minhas irmãs, que estava grávida e passava muito mal, fiquei com eles até irem morar com os pais de meu cunhado para evitarem mais gastos porque estavam construindo.

Dessa forma, cuidando de meu sobrinho e da casa, foi meu quinto trabalho.

Como gostava muito do lugar e dos amigos e queria ficar mais um tempo, surgiu o meu sexto emprego em uma empresa de tabacos, por contrato determinado, safrista, como ajudante de operações. Fiz novos amigos, novos aprendizados e era um ambiente muito divertido de trabalho porque meus colegas eram hilários.

Tão logo terminou o contrato de trabalho voltei para a casa de meus pais em Sobradinho.

Meu sétimo emprego, também com contrato determinado, foi pela prefeitura de Sobradinho para um recadastramento eleitoral no Fórum da cidade. Saíamos pelo interior do município com a equipe e era muito divertido devido às peraltices inocente da Joara.

Até hoje, quando nos reunimos e relembrarmos dessa época, rimos às gargalhadas.

Daí veio um novo convite de emprego, o meu oitavo, no clube da cidade, para efetuar cobranças e realizar atividades como fazer as atas das reuniões. Nesse eu vivenciei coisas bem diferentes dos outros: eu sabia que era uma pessoa mais humilde financeiramente do que as esposas dos sócios da diretoria, que não era do círculo de amizades deles, e eu me comportava com modos, respeito e educação, porque eu sabia o meu lugar. Mas os olhares e as conversas entre elas sobre mim não me passavam despercebido.

Foi então que, pela primeira vez, pedi a exoneração do emprego.

Como eu estava desempregada, minha irmã, aquela que morava em Agudo, já tinha construído sua cabana e não encontrava ninguém para cuidar de meu sobrinho e me convidou para ir morar, novamente com ela. Meu nono emprego, de babá. Fiquei lá até o meu sobrinho completar quatro anos e o casal se separar. Foi muito dolorosa essa separação, principalmente, para o meu sobrinho.

Eu e meu sobrinho viemos para a casa de meus pais e minha irmã ganhou transferência do banco e foi morar em Salto do Jacuí, em uma pensão, até ela se organizar.

Meu décimo emprego, foi quando uma amiga, o irmão e um amigo compraram uma livraria e bazar e me convidaram para trabalhar. O ambiente era muito bom até os sócios, que eram solteiros, se desentenderem devido à namorada de um deles começar a cobiçar o outro.

A sociedade foi desfeita e um dos rapazes me indicou para outra empresa.

Foi então que veio o meu décimo primeiro emprego, em uma relojoaria.

O ambiente era bom, exceto, quando a dona tinha seus ataques de ciúmes do marido (não com nós as funcionárias, mas com as namoradas que ele levava para a chácara deles e ela fica sabendo). Eu e minhas colegas, no fundo, até tínhamos compaixão por ela. Ela queria manter seu casamento e era muito religiosa. Inclusive tinha irmãos padres.

Foi um tempo bom e de aprendizado.

Nesse ínterim, como eu buscava estabilidade em um emprego, veio o convite de minha ex-patroa para estudarmos para o edital de concurso que a prefeitura publicou. Eram cinco dias apenas para fazermos a inscrição, estudarmos e realizar as provas (de datilografia e teórica). Bingo! O meu décimo segundo emprego. Das cinco vagas a quinta foi a minha. Eu e ela fomos aprovadas. Levou um tempo ainda, mas quando saí da relojoaria fui direto para a prefeitura.

Uma nova jornada de aprendizado.

Em março de 1993, comecei minha jornada de aprendizado e desafios; e não fazia ideia do quanto eu viria a ter que me superar e a ter que buscar novos conhecimentos.

Graças a tudo isso, ao desejo de ser uma pessoa melhor fui conseguindo realizar as tarefas que me eram impostas com zelo e eficiência.

Claro que tive alguns acontecimentos cômicos, tais como: fiz uma convocação para uma reunião, e a lista que me deram, eram todos já falecidos. Foi então quando um de meus chefes voltando da reunião, brincado, falou: Que eu tinha um pé na terra e outro no céu, e que eu havia feito algo inusitado, uma convocação só de almas.

Até hoje eu rio disso e é um alívio saber onde estão meus pés.

Ainda vinculada à prefeitura, recebi uma nova proposta. Era para trabalhar em um posto de atendimento do INSS, e precisavam de três pessoas. Aceitei. Meu décimo terceiro trabalho.

Eu e meus colegas fomos receber o aprendizado em Santa Cruz do Sul. Aprendi muito rápido o meu serviço e, foi quando meu instrutor perguntou se eu não queria aprender o serviço do meu colega que não estava tendo o rendimento previsto. Respondi que sim.

E quando chegamos aqui, eu e minha colega, ensinamos a ele o que havíamos aprendido. Quando o INSS fez concurso, eu e minha colega voltamos para a prefeitura porque nossa matrícula era municipal e o rapaz continuou porque a matrícula dele era federal. Senti um alívio gigante ao voltar para a prefeitura porque não gostava de algumas injustiças que eu presenciava e que me faziam sentir mal. O salário era bom, mas eu não tinha estrutura para aquilo que eu via ali.

Ao retornar para a prefeitura, a secretária de administração (por solicitação do juiz eleitoral, porque estavam precisando de mais funcionário devido à demanda de serviço), ofereceu-me essa vaga. Aceitei sem hesitar.

Meu décimo quarto trabalho. Não fazia a ideia do que estava por vir. Como o cartório eleitoral ficava dentro do Fórum, a juíza decidiu, também, nos incumbir atividades dentro dos juizados e algumas atividades de ajudante dos funcionários do Fórum.

Eu nunca tinha visto e nem sabido de um lugar onde pudesse ter tanta disputa,  concorrência, rivalidade, lambança, conchavos, ganância e maledicência numa empresa. Tudo lá era motivo para discórdia. Um ambiente pesado, nebuloso (além dos processos que manuseávamos de crimes horríveis e bárbaros) e sempre com atritos.

Ao chegar em casa corria para o banho para me limpar, porque tinha a impressão que aquela sujeira grudava na pele. Muitas vezes tinha pesadelos. Foi quando chegou à nova juíza que nos desobrigou daquelas atividades, pois achou injusto que fizéssemos aquelas atividades sem uma remuneração extra e após terminar as eleições não renovou os contratos.

Voltamos para nossas prefeituras.

Voltando para a prefeitura, meu décimo quinto trabalho, fui lotada na secretaria de agricultura, desempenhando a atividade de secretária e auxiliando os departamentos. Todavia, logo fui remanejada para a secretaria de finanças e planejamento, tendo em vista que o funcionário que desempenhava as funções havia sido aprovado em outro concurso deixando a vaga.

Trabalhava com projetos e prestações de contas em meu décimo sexto trabalho. Eu nunca imaginei que aprenderia tanto e que trabalharia tanto; por meses eu não tinha um final de semana e ainda levava serviço para casa, quando era frio. Mas confesso: eu amava tudo aquilo. Muitas vezes eu me sentia cansada, mas completamente realizada e feliz com meu trabalho.

Minha chefia nunca me deixou sem conhecimento, sempre me enviavam a cursos. Muitas vezes ensinava os novos funcionários, bem como os funcionários de outras prefeituras. Naquela gestão, desempenhei minhas funções ali por 8 anos.

Houve mudança de governo, nova administração, uma administração muito conturbada entre si, não havia profissionalismo. Uma administração cheia de intriga, calúnias e fofocas. Os colegas com que eu convivia haviam se transformado em outras pessoas. O ambiente bom de outrora e cheio de paz já não existia mais.

Passei a lembrar daqueles funcionários lá do Fórum e de ver no que eles haviam se tornado e decidi que não era aquele tipo de ser humano que eu queria me tornar na vida. Doeu muito e por algum tempo ainda, mas eu sabia que não poderia continuar daquela maneira porque eu estava adoecendo fisicamente e mentalmente. Eu não tinha amadurecimento e inteligência emocional para lidar com aquilo.

Dois anos foi o que eu consegui aguentar e nem um dia a mais. Solicitei meu remanejamento para a biblioteca da prefeitura, meu décimo sétimo trabalho, até porque faltava pouco tempo para a minha aposentadoria ,e eu sabia que lá no meio dos livros eu conseguiria me recuperar e, com muita sorte, talvez me reencontrar.

A noite passada eu tive um sonho, não sei se isso chega a ser uma constelação, mas a interpretação do sonho dizia que algo bom está por vir que eu só tenho que continuar a aprender.

Não vou discordar em nada porque eu sempre acreditei que todo o aprendizado de coração sempre vai nos impulsionar para frente, em algo melhor, em nossa evolução, e se esse aprendizado vier a me abrir portas, eu vou aceitar de coração e tentarei dar o meu melhor.

Também sei que  tenho um longo caminho a percorrer e muitos e muitos estudos pela frente até chegar o momento de me sentir apta e confiante de que eu realmente consiga, de alguma forma, poder ajudar alguém que está fragilizado em sua dor ou indicar o caminho que ele próprio possa buscar a solução (como eu vim buscar aqui a minha cura).

Fazendo essa tarefa, revivi muitas alegrias e muitas dores. Dores essas que eu pensava já terem sido curadas devido ao tempo. Eu via as cicatrizes e jamais imaginei que algumas ainda sangravam.

Faz quatro anos que estou aposentada e espero resolver essas pendências em meu coração para poder seguir adiante em meu aprendizado.

Obrigada, Olinda! Por essa dinâmica de entendimento, aprendizado e cura.

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