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CONSTELAÇÃO NA ÁGUA - 18.11.2020

CONSTELAÇÃO NA ÁGUA - 18.11.2020
Eliziane Schaefer Buch
nov. 30 - 6 min de leitura
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Eu branca – o que ainda está à espera?

Noto que devo liberar a mãe para que ela seja a minha mãe. Ela sempre me contou muitas coisas, me considera a sua melhor amiga, me confia segredos, desabafa problemas.

Me deu muitas incumbências, desde os meus 6 anos.

Reclamações, julgamentos, tarefas, cargas que não eram minhas. Por isso tive os meus tendões arrebentados do lado esquerdo do corpo. Fiz duas cirurgias, uma em dezembro de 2006 devido ao rompimento dos tendões do braço e a outra em 2019 devido ao rompimento dos tendões do joelho.

Enquanto escrevo a minha cabeça dói, os meus ouvidos estalam e zumbem. Estou tonta e enjoada.

A mamãe é azul, os meus avôs maternos são verdes e estão em conexão com a mãe, unidos pela cabeça. A mãe sempre repete histórias do passado e não esquece as mágoas que tem dos pais.

O vô era alcoolista, neto de bugra, o segundo filho de cinco irmãos. Ele não demonstrava amor pelos filhos, gritava e colocava todos para fora de casa quando bebia, puxava a toalha da mesa e jogava todos os pratos no chão...

Nunca deu um abraço ou felicitou por algo. A vó deixou ele e foi morar em outra cidade com a minha mãe e o meu tio, mas depois de 6 meses ele avô foi buscá-la e ela foi junto com ele.

Até hoje a mãe diz: eu só tinha 15 anos e ela foi com ele, me deixou. Eu tive que me sustentar com as minhas aulas de música. A minha avó faz 103 em janeiro e mora com a mãe há 11 anos. A mãe tem 78 anos e para ela é um peso muito grande, reclama diariamente que está cansada de cuidar da vó e questiona porque precisa passar por isso.

Ela precisou cuidar da sogra durante 18 anos.

Meus ombros estão muito pesados e o meu peito dói.

O meu pai é azul, unido pelos pés ao meu avô paterno. Ele também foi alcoolista e não conheceu o pai dele pois nasceu 3 meses depois do seu falecimento. Ambos morreram devido a insuficiência cardíaca. A posição do meu pai em relação ao meu avô paterno, amarelo, é de estar seguindo os seus passos. Ambos foram comerciantes, com muita sabedoria e sorte para os negócios.

Meu pai sempre foi uma pessoa alegre, fazia piadas e gostava que as pessoas ficassem alegres. Era pé no chão e tinha solução para tudo. A mãe era assim também até o pai falecer. Depois ela se tornou uma pessoa depressiva, triste, doente e com um comportamento infantil. Ela não consegue resolver certas situações, perdeu o interesse pelos afazeres domésticos e muitas vezes me coloca na posição de mãe dela, o que a tornou muito dependente de mim.

Sinto-me muito sobrecarregada pois preciso resolver muitas coisas para ela, para a vó, para os meus irmãos e para as minhas sobrinhas. Os meus irmãos não se dão e uma das sobrinhas é órfã de pai (irmão falecido).

Enquanto escrevo me sinto exausta. Entendo que sou culpada porque permiti e continuo permito esta situação.

Os meus irmãos são vermelhos, o maior é o mais velho e o menor o mais novo. Noto o vínculo de amor interrompido.

Me sinto muito tonta... tenho uma irmã excluída por parte de pai (amarelo).

Querida mamãe, eu não posso mais carregar tudo isso.

Eu já trabalhei o suficiente. Tenho a minha família para cuidar. A senhora não está sozinha porque tem o seu pai e a sua mãe em seu corpo. Nunca estará sozinha.

Gratidão pela vida e tudo que lhe custou, eu posso aqui em mim agora, curar qualquer vínculo de amor interrompido que possa ter ocorrido no passado. Os seus pais lhe deram a vida e isto foi o suficiente.

A senhora foi à luta, se tornou uma professora de música respeitada e renomada na cidade, conseguiu se sustentar e acumular o suficiente para ter uma vida confortável graças aos estudos de acordeon que o seu pai lhe proporcionou.

Me sinto muito tonta.

Querida mamãe, me libere, este sentimento não é meu, eu amo o vô e ele está em mim, ele estava trabalhando para uma dor do sistema e não estava disponível para demonstrar amor. A minha vida veio dele, através da senhora. Sou grata, imensamente grata por esta dádiva, pelos dons que recebi. Agora me preencho de amor, de amor materno, de amor de mãe.

Dor... no peito, na cabeça.

Mamãe, eu sinto muito pelo seu sofrimento, pelo amor que lhe faltou, mas eu a pequena, a sua filha. Eu nasci do seu ventre, sou o resultado do amor do pai por você. Sou sua filha e te acompanho como filha.

Dor, corpo paralisado, braços sem força.

Testemunho da vovó materna:

Querida filha, eu vejo você. Eu sinto muito por tudo o que aconteceu, eu não podia deixar o seu pai interferir na sua vida e na vida do seu irmão e causar mais dor do que ele já havia causado, por isso eu decidi ir embora com ele. Assim vocês puderam seguir o destino de vocês. Sempre amei muito vocês e foi por amor que fiz isso.

Sinto muito que você tenha se magoado, mas agora através da minha neta nós podemos curar este vínculo de amor interrompido. Podemos seguir o nosso destino, preenchidos de amor. Eu sou a sua mãe e você é a mãe da minha neta e eu estou aqui para reparar o que ficou interrompido, o que ficou em desordem.

Curar é possível, sim, isto é possível, assim está certo. 

Cada um no seu lugar. Eu e seu pai estamos em você assim como os pais do seu marido estão nele. Seu grande amor, que te fez feliz, que cuidou de você, te respeitou como esposa e lhe deu 5 filhos: Arthur, Viviane (anjinha), Eliziane, Cleiton (falecido aos 47 anos) e Fábio.

 

Eles são adultos e possuem suas famílias livres de qualquer emaranhado para seguirem prósperos, saudáveis e felizes.

Alívio.


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