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Despedida, uma dificuldade humana

Despedida, uma dificuldade humana

Dentre as dificuldade humanas destaco uma, a da despedida, principalmente a despedida de um relacionamento com outra pessoa.

Nos preparamos para o início, para a conquista. Nos preocupamos e investimos o quanto aguentamos até alcançarmos um objetivo. Cada um na sua intensidade, necessidade e realidade, mas assim seguimos, em busca de relação. Somos seres relacionais. Viemos de uma relação entre duas pessoas. É necessário a fusão do material genético de duas pessoas para a vida existir. Não somos feitos para vivermos sozinhos. 

E na caminhada em busca e vivência de relacionamentos, raramente nos preparamos para a despedida. Aqui não me refiro à pessoas com dificuldades de se entregarem verdadeiramente para um relacionamento e que, justamente por não terem se envolvido, se misturado, se perdido e se encontrado em relação com outra pessoa, finalizam uma relação de forma rápida e como fuga.

Me refiro à despedida de algo intenso e profundo que tenhamos vivido com alguém. Um relacionamento onde a vivência junto à outra pessoa me faz ser um novo eu hoje, que seja parte de mim, mas que tenha chegado ao fim. É desse fim que me refiro. 

Quando alguém com que temos um relacionamento morre, sofremos. Não havíamos nos despedido da pessoa, nem do que ela representava para nós naquele momento. Essa ruptura na relação não nos permite a despedida antes, ela nos força à uma despedida concreta, real, muitas vezes bruta e dolorosa. Nessa situação as crenças e convicções particulares de cada um se fazem presente. 

Mas há as despedidas anunciadas, previstas e esperadas, como num outro exemplo, quando terminamos os anos escolares. Chegamos ao fim do terceiro ano do ensino médio e essa fase da vida termina. É necessário nos despedirmos dessa fase. Posso continuar estudando, mas não serei mais aluno do ensino médio, algo novo me espera. E para que haja espaço para o novo, o antigo precisa ir. Precisamos aprender a liberar, a sermos mais leves, a caminharmos sem peso extra, a deixar espaço para o que há de vir, para o que ainda seremos, para o essencial. 

Quando reconhecemos que estamos aqui de passagem, que todas as nossas relações são temporárias, então o tempo, com o qual somos presenteados, torna-se precioso. Quando percebemos isso, reconhecemos e apreciamos, a relação atinge uma profundidade especial. E é nesse momento que nossa alma diz,

"Eu permaneço com você enquanto me é permitido.

Eu cuido de você enquanto me é permitido.

Eu amo você enquanto me é permitido.”


Aqui estamos, enquanto nos é permitido. 🌷

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Vanessa Bonissoni
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Filha de Everaldo e Neide, Psicóloga, Esposa do Sergio, Gestalt-terapeuta, Mãe do Leonardo e do Daniel, Consteladora, Apaixonada pela vida, pelas pessoas e pelos animais!

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