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Dos milagres e outras cositas

Dos milagres e outras cositas

Hoje de manhã, ao pegar o celular para minha dose de tecnologia necessária para começar o dia, me deparei com uma frase do Carpinejar que dizia mais ou menos o seguinte:

Milagres se alcançam de pé. No primeiro não concordei muito, peguei os meus jogos de loteria para conferir se não havia acontecido um milagre na calada da noite.

De repente me veio o seguinte pensamento, as crianças são aquelas que no faz de conta, tudo resolvem com um estalar de dedo. 

Disso, comecei a lembrar de algumas pessoas que quando passam por um processo terapêutico de constelação familiar, me perguntam que se depois de fazer uma aplicação de hora e meia, toda a dor que elas sentiram durante anos a fio, simplesmente desaparecerá no ar.

Automaticamente vem à minha cabeça a ideia de que nossa sociedade espera que tudo se resolva com um passe de mágica. Daí vem nossa vocação em criar heróis, inclusive na política, que do dia para noite resolverão tudo. Daí vem também o sucesso que filmes de super heróis, mágica e outras coisitas mais, fazem (não julgo e não me julgue, sou fã do Harry Potter desde criancinha). Desse mesmo modo surgem religiões que prometem acabar com seu sofrimento do dia para noite.

Esse imediatismo na resposta passa também para o âmbito das terapias. Algumas pessoas acabam tendo o mesmo tipo de fé, a fé infantil. 

Então, quer dizer que as terapias não funcionam? É claro que as intervenções sensoriais funcionam, porém, assim como corpo precisa de tempo para se restabelecer de uma doença, nossas emoções e imagens internas precisam de tempo para amadurecer.

A cura é uma jornada que travamos diariamente. A fé que salva não brota do nada, mas é construída em cima de muitos processos internos e na alteração do nosso padrão mental. Essa é a fé do adulto. A fé da criança cria asas, os heróis e o vilões, mas só fica na criação.

Se você hoje está em uma grande crise, não posso te iludir e dizer que em apenas uma aplicação todos os seus problemas estarão resolvidos, porém sei que as terapias ajudam muito.

Quando passei por uma grande crise emocional e fiz uma constelação, senti que a pedra que me prendia tinha diminuído e com isso consegui voltar a andar e resolver questões por mim mesmo. Eu continuei no processo até que a crise tivesse sumido. Porém a pedra, continuou por um tempo.

Imagine que você esteja em um grande crise financeira e sua dívida começa a crescer. A fé de criança deseja que soluções miraculosas apareçam (e essas podem aparecer), porém você precisa também se organizar, colocar gastos no papel, reduzir custo e ver o que é essencial em seus gastos, pensar em formas de aumentar suas entradas e por aí vai. Além disso, mudar sua estrutura mental com relação ao dinheiro. Confesso que algumas vezes, deitei e desejei que tudo se resolvesse, mas não fiz nada prático. Estava na fé da criança.

Outro exemplo, você vem se alimentando de forma irresponsável por anos e então decide fazer a dieta milagrosa da vez. Começa até a ter sucesso, mas pouco tempo depois, já volta aos velhos hábitos e talvez até engorde mais. Você está na fé da criança que não entende que a cura é um processo. Fiz dietas por anos, emagrecia e engordava. Este ano, após trabalhar várias emoções com inúmeras terapias que conheci, comecei um processo de cura e como consequência estou cuidando mais de minha alimentação e fazendo esporte. Ah, então está tudo resolvido? Não! Vira e mexe minha fé de criança fica brava por eu não estar mais magro e coisa e tal. Daí lembro, a cura é uma jornada.

Milagres existem e são reais, mas para vivenciá-los, devemos obter a fé do adulto.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Rodrigo Oliveira
Rodrigo Oliveira Seguir

Terapeuta sistêmico

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