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E eu amei todos eles

E eu amei todos eles

E eu amei todos eles

O meu primeiro cliente para amar com as mãos (MRS), tem o nome de um anjo. É um garoto fisicamente miúdo, mas de um coração enorme e a inteligência que foge à normalidade. Chamam isso de altas habilidades ou superdotação. Apesar dos 19 anos, diz que vai à faculdade (engenharia de computação), porque é obrigado pelas mulheres (vó, mãe, tia).

Ele simplesmente ama massagens. Tem muita necessidade de toque, de abraços, de colo.  Já passou por vários diagnósticos de doenças autoimunes, intolerância a glúten, à lactose, nenhum se confirmou. Possui manchas na pele que foi diagnosticada como esclerodermia. Mas ele não se importa muito com isso, o que o incomoda é uma dor na altura do estômago, ou baixo ventre, mas ele não identifica direito e nem os médicos. Parece que ele já se conformou com a dor quase constante. Mesmo antes da MRS, quando recebia qualquer tipo de massagem nos momentos de crise de dor, sempre se sentia melhor.

O longo momento da massagem foi muito lindo, entreguei cada movimento com todo amor do mundo e ele acolheu cada gesto com a disponibilidade de uma criança. No momento de “dar colo”, foi perfeito. Ele aconchegou-se e pude perceber que sentia-se muito à vontade.  Quando perguntei como foi, ele disse apenas que foi muito bom. E que durante o tempo todo só passaram coisas boas pela sua cabeça.

O segundo atendimento foi uma senhora, mãe de duas filhas adolescentes, que se diz “ainda estar casada”. Falou da insegurança em relação ao trato com as filhas e dos medos de dizer não. Está sempre preocupada em agradar, em não decepcionar. Percebe-se claramente a dificuldade no convívio com a mãe, que sempre a comparava com a irmã, que aos olhos da mãe era a “perfeita”... De todos os atendimentos, essa foi a conversa mais longa. Falei além da massagem, propriamente dita, ainda um pouco sobre os estudos que tenho feito desde Bert Hellinger.

Durante a massagem foi tudo relativamente tranquilo, até que no momento do “dar colo”, eu cantei “mãezinha do céu”... nesse momento ela chorou copiosamente... Fiquei tranquila, continuei o acalanto e ela chorou longamente, até que me veio a inspiração de “improvisar” a letra de uma tradicional cantiga de ninar...

Nana menina, nana pra crescer,
Nana menina mamãe ama você...
Nana filhinha, nana pra viver,
Nana filhinha mamãe ama você...

Calma menina,
Calma pra você...
Calma filhinha,
Mamãe ama você...

Com esse refrão, ela foi voltando à calma, abraçou-me forte e adormeceu. Deitei-a de volta no colchão e falei baixinho que podia descansar pelo tempo que fosse necessário e quando se sentisse pronta para levantar-se e “tocar a vida... Eu estaria ali, juntinho dela. Ao final, disse-me que gostaria de conversar, porém achava melhor fazer isso no próximo encontro. Deixei como tarefa o link das lives “Educação começa em casa”, que ela comprometeu-se a assistir.

A terceira cliente, uma senhorinha, mãe de uma jovem de 20 anos. Vai vencendo um câncer de colo de útero e a ansiedade da possibilidade de um segundo. Queixa-se de insônia, dor nos joelhos, nos braços: tudo do lado direito. Conversamos um pouco, falei que o lado direito está ligado à figura do pai. Ela insistiu em dizer que não tem nada a ver. Com o pai foi sempre tudo bem, ele nunca deu trabalho pra ela e nem ela pra ele. Faleceu há sete anos e ela só tem boas lembranças...

Fomos para a massagem... Fiquei com a impressão de que ela não relaxou muito, que talvez tenha se mantido num raciocínio muito cartesiano, ela sempre diz que estuda bastante. É fã de Olinda Guedes. Durante o acalanto, no colo, soltou uma gargalhada... eu entendi por que... mudei o canto. Ela voltou à calma. Quando pedi que se deitasse e descansasse um pouco mais e quando estivesse pronta... levantou-se imediatamente dizendo estar “sempre pronta"... Depois que se ajeitou, tomou a água saborizada que ofereci.

Conversamos mais um pouco. Falei que como ela vem estudando o assunto, com certeza sabia que as memórias não são apenas pessoais, e que as memórias transgeracionais podiam não se referir ao seu papai, mas aos ancestrais... ela gritou:

"- Caiu a ficha!... Senti até um estalo aqui no ouvido direito. O meu pai falava com muita mágoa do pai dele, que bebia muito e caía pelas ruas e ele tinha que ir buscá-lo. Na cidade pequena em que eles viviam, ele e os irmãos eram conhecidos como o 'filho do bêbado', ele sentia muita vergonha disso tudo. Tanto é, que desde que saiu de lá, ainda menino, nunca mais quis voltar.  Sentia também uma certa revolta pelo fato da mãe ser submissa e não tomar nenhuma atitude”.

Expliquei um pouco sobre os filhos estarem a serviço, e que eles mostram o que os pais não deram conta de ver. Deixei como tarefa um exercício de “tomar pai e mãe” que contribua para a reconciliação do pai dela com o pai dele (ambos já falecidos).

O quarto e quinto atendimentos, já relatei num texto anterior.

A sexta cliente é uma amiga muito especial, seguimos trabalhamos juntas na escola há muito tempo. Ela está vivendo um momento de muitas dores, nervo ciático, e outros problemas na coluna, a médica disse que não tem cura... poderá perder os movimentos... enfim, aos 65 anos de idade, a perspectiva não é das melhores, mas ela é batalhadora e não desiste de nada. Confia e acredita muito que eu posso ajudá-la. 

No primeiro encontro, após as massagens, ela comentou que “lembrou-se” da avó materna, que ficou órfã muito cedo e as pessoas que deveriam cuidá-la a maltratavam muito, sempre batiam na cabeça dela com uma colher de pau. Conversamos sobre memórias transgeracionais e no segundo encontro dei a ela um mimo. Uma colher de pau colorida, pintada com um pássaro no cabo e pedi que a deixasse em algum lugar onde pudesse visualizá-la, e nesse momento dizer para a vó: “já passou... agora ninguém mais pode te machucar... você não precisa mais sentir essa dor e nem eu...” Combinamos dois ou três encontros por semana, desde que ela sinta-se confortável e nenhum toque seja dolorido.

Ainda tenho mais onze na lista... espero atender a todos. Mas posso garantir. EU AMEI TODOS ELES, com as mãos, com o coração e com toda a minha alma.

 

 

 

 

 

 

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