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É possível utilizar o Direito Sistêmico sem constelar?

É possível utilizar o Direito Sistêmico sem constelar?

O profissional do direito pode lança mão dos conhecimentos sistêmicos sem necessariamente constelar o caso. 

Isso pode ser possível ao profissional que conheça as Leis Sistêmicas (Pertencimento, Ordem, Compensação). Ao conhecer a aplicabilidade das leis sistêmicas um profissional da área jurídica tem condições de observar a situação com outras lentes. 

Por exemplo, um advogado que tenha o conhecimento, ainda que de modo superficial das Leis Sistêmicas, consegue instruir seu cliente, quando acionar o poder judiciário ou não, quando demandar contra alguém ou não, se aquela demanda vinda do cliente é proporcional ou não. De modo que, por vezes o cliente busca no Poder Judiciário, na figura do Juiz alguém que "faça a justiça", que seja o ponto de equilíbrio daquela situação. Porém, com perguntas simples ao cliente o advogado consegue identificar qual é o verdadeiro desejo do cliente. 

Às vezes é o desejo profundo de punir seus pais por não ter lhe dado colo e atenção suficientes. Ou ainda, um abandono sofrido ainda na infância. Ou até mesmo um coração ferido por um ex marido que abandonou mulher e filhos. 

Quando o profissional jurídico compreende qual é a raiz conflituosa ele tem condições de trazer isso à luz ao cliente, desse modo, orientando qual a melhor decisão a ser tomada. Seja iniciar uma demanda judicial ou buscar uma ajuda terapêutica/psicológica. 

Tendo consciência disso o profissional também consegue se distanciar dos emaranhamentos do cliente.

É muito comum profissionais serem procurados por clientes com demandas parecidas com os conflitos do próprio profissional. Isso não é por acaso. Nós, profissionais, atraímos para nós os clientes que vão nos ajudar a resolver nossos próprios conflitos. E em alguns casos nossos conflitos não estando resolvidos podemos nos emaranhar no conflito do cliente.

Por isso, é importante termos discernimento quando um cliente apresenta seu conflito. 

Quando o profissional está reconciliado com seus pais, ele tem muito mais condições de ajudar ao outro, de modo que a tarefa pode ser executada sem impedimentos e emaranhamentos

É óbvio que nem todos os profissionais estarão conscientes de todos os processos pessoais  e muitas vezes agem com o cliente sem perceber que aquilo pode ser um emaranhamento. Entretanto, a ajuda pode ser fornecida na medida, quando se tem noção de como funcionam as Leis Sistêmicas e sua atuação. Servindo inclusive de bússola para o profissional conseguir se nortear.

Por exemplo, um juiz que precisa julgar uma pessoa acusada de abuso sexual contra criança praticado pelo pai. Ainda que ele não faça uma constelação, ele tem elementos para se nortear ao fazer algumas perguntas ao acusado. Como: se ele já foi abusado na infância, ou se apanhava muito quando pequeno, ou se sofreu abandono por seus pais. O que isso tem a ver com o abuso? Tudo! Um adulto abusado/violado/violentado, pode vir a fazer o mesmo com alguém. Ou ainda, em um sistema familiar que teve abusos a energia do abuso está presente. Ainda, que não o abuso sexual.

Alguns casos, precisariam necessariamente de uma constelação, entretanto outros não. Com as ideias centrais das Leis, já se consegue ser um profissional com um olhar minimamente sistêmico.

Obs: Em artigos anteriores exponho o que são as Leis Sistêmicas.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
MILENA PATRICIA DA SILVA
MILENA PATRICIA DA SILVA Seguir

Sou mãe do pequeno Henrique, escritora professora de Direito Sistêmico, Advogada, pesquisadora, terapeuta, master e coach em PNL, doula, apaixonada pelo cuidar do ser, pelo conhecimento, pelos livros e pela vida e por chá de manjericão.

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