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Educar sem bater

Educar sem bater

Decidir criar filhos de maneira mais humanizada é o primeiro passo de um percurso que vem cheio de dúvidas. Afinal como educar sem bater? Como agir quando as (inevitáveis) birras, desafios a autoridade e o mau comportamento acontecer?

A boa notícia é que existem alternativas ao castigo físico e elas são verdadeiras benéficas para o desenvolvimento das crianças. De acordo um estudo americano, quando uma criança é criada sem violência, ela se desenvolve com melhor comportamento do que aquelas que sofreram algum tipo de agressão.
Quer entender melhor como educar sem bater e ajudar seus filhos a se desenvolverem de maneira mais saudável?

Por que educar sem bater?

Existem inúmeros estudos que apresentam motivos convincentes para não optar pelas palmadas, gritos e xingamentos no dia a dia com os menores. A violência interfere no desenvolvimento cerebral, podendo alterar a forma do órgão, uma vez que a produção de hormônios do estresse aumenta sob exposições à agressão física, psicológica e verbal. Crianças submetidas à agressões até os cinco anos de idade demonstram mais problemas de comportamento ao longo do seu desenvolvimento, principalmente entre seis e oito anos. Bebês expostos a mais de duas violências físicas, se apresentaram mais agressivos aos cinco anos e com comportamentos negativos aos nove. Crianças que apanham são mais desobedientes na infância e também sofrem na fase adulta com revoltas e insubordinação no ambiente de trabalho. Apanhar pode desencadear problemas de cognição e saúde mental, além de comportamento antissocial, mesmo agressões ditas “mais leves” (palmadas na extremidade das mãos, puxar o cabelo, etc) têm consequências negativas como: aumento da agressividade, comprometimento na relação com os pais, baixa autoestima, não assimilação de regras. Assim, vale a pena investir esforço em uma educação que preserve a saúde e agregue valores positivos.

Quais as principais metodologias que ajudam na educação das crianças?
Parece difícil entender como educar sem bater? Pois saiba que existem várias metodologias que servem como apoio aos pais na decisão de mudar a forma de educar crianças. Entre elas estão a Comunicação Não- Violenta e a Disciplina Positiva. Abaixo explicamos um pouco mais sobre cada uma.

Disciplina Positiva

Propagada por Jane Nelsen, que estruturou a metodologia a partir do trabalho de dois psiquiatras (Alfred Adler e Rudolf Dreikurs), a Disciplina Positiva é uma proposta que incentiva a compreensão entre as pessoas, a partir do reconhecimento das emoções.

Por isso, essa metodologia não aprova medidas como chantagem, suborno e castigos, pois, estabelece o bom comportamento como algo não- condicionado, assim como a oferta de amor e carinho. Para tanto, a Disciplina Positiva se desenvolve a partir de critérios, como:

  • Sentimento de pertencimento e de conexão da criança com a família;
  • Respeito mútuo, o que desmistifica o medo comum de permissividade, uma vez que legitima a autoridade, somada à atenção e à educação no trato interpessoal;
  • A criança é considerada um indivíduo e não uma propriedade, portanto com sentimentos, desejos e personalidade;
  • Promoção de habilidades múltiplas, como cooperação e responsabilidade;
  • Incentivo a autonomia e a descoberta de interesses.


Comunicação Não-Violenta

Conceito criado pelo psicólogo Marshall Rosenberg, a Comunicação Não-Violenta (CNV) trabalha a forma de falar e também a de escutar, a partir da empatia e da atenção, a fim de proporcionar respeito mútuo e segurança emocional.

Todo esse processo é árduo e trabalhoso, mas muito satisfatório, pois dá respostas para o que, antes, provocava violência e abre um espaço novo para a real emoção de se desenvolver e amadurecer.

Como educar sem bater? As 5 dicas mais importantes

Até aqui deu para perceber que ambos os conceitos são úteis não somente para entender como educar sem bater, mas também para demais relações interpessoais, não é mesmo? Então, para ter ideias de como lidar com os pequenos no dia a dia e colocar em prática as orientações das metodologias que citamos, veja as dicas abaixo:

1- Não rotule seus filhos.

Usar adjetivos na correção de uma criança faz com que ela interiorize tais palavras e se limite devido a isso. Assim, ao usar essas expressões, você poderá fazer com que o seu filho não se sinta capaz de melhorar e ir além. Como resultado, ele pode acabar desistindo de tentar porque sempre “faz tudo errado”, “é muito preguiçoso”, “não presta atenção em nada”... etc.

2- Valorize o esforço

Na lógica inversa do tópico anterior, reconhecer e enfatizar as boas atitudes das crianças as encorajam a continuarem tentando e experimentando novas possibilidades. Afinal, desse modo, elas não desenvolvem o medo de serem humilhadas, ridicularizadas ou ignoradas (ainda que chamar a atenção possa ser uma prática comum usada por algumas crianças para conseguirem mais atenção dos pais).

3- Deixe as crianças chorarem

Chorar é uma forma de expressar diversos sentimentos. Reprimir essa ação não é algo positivo, pois ensina, desde a infância, que os sentimentos precisam ser mascarados e reprimidos. Essa atitude não dá as crianças a chance de elas aprenderem com essa sensação, nem de experimentarem a frustração, a tristeza e a angústia sentimentos naturais que precisam ser vivenciados de maneira saudável.
É claro que isso não significa fingir que nada está acontecendo. Tentar conversar e entender (sem diminuir a situação) o motivo do choro é papel dos responsáveis. Apenas não reprima esse recurso que é uma forma de lidar com emoções.

4- Adeque a fala à idade

Outro ponto bastante importante é saber como abordar e o que cobrar conforme a faixa etária da criança, dado o nível de entendimento para que a comunicação entre pais e filhos surta efeito. Assim:

  • Até os três anos, a melhor forma de aprendizagem é a imitação;
  • Na segunda fase da primeira-infância o que surte melhor efeito é valorizar os pontos positivos;
  • A partir dos seis anos, já é possível apresentar as diversas opções e consequências de cada uma delas a partir das diferentes situações;
  • Com adolescentes, é preciso ser realista e dimensionar corretamente o que se espera deles e saber o que eles conseguem realmente atender, de acordo com a maturidade de cada um.

5- Escute com atenção

Quando as crianças estiverem contando algo, tenha uma postura ativa de atenção, por exemplo perguntando mais detalhes (tomando o cuidado de não interromper) e, somente com o fim da narrativa, aponte caminhos. Isso fará com que a criança se sinta respeitada e entendida, fazendo com que continue buscando seu auxílio para desabafar.

Abordar e persistir nessas ações é de extrema importância, a fim de desnaturalizar a punição física nos lares. Isso porque, no Brasil, 80% da violência física dirigida a crianças e adolescentes acontece no meio familiar.

Como você viu, educar sem bater não precisa ser um “bicho de sete cabeças”. Valorizar e respeitar a criança é de suma importância, buscando uma comunicação não agressiva e também entendendo que, mesmo pequenos, nossos filhos são seres pensantes, críticos e atuantes que merecem nosso respeito, carinho e orientação.

📍Luciane Santos 

Pedagoga e Terapeuta Holístico 

Saber Sistêmico
Luciane Santos
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Olá!! Sou Luciane Santos Pedagoga e Terapeuta . Apaixonada pelo Aprendizado e Desenvolvimento Humano. Acredito que estamos nessa vida para sermos cada dia melhores, realizados e felizes com nossas escolhas. Seja Bem Vindo!!

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