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Ego sem Ismo

Ego sem Ismo

Antes de começar a tocar no assunto, vamos falar dos conceitos que serão a base dessa nossa conversa. 

Ego: Segundo a PSICOLOGIA - 1. núcleo da personalidade de uma pessoa. 2. princípio de organização dinâmica, diretor e avaliador que determina as vivências e atos do indivíduo.

Ismo: Doutrina, sistema, teoria, tendência, corrente etc. (mais frequente no plural e com sentido pejorativo).

Agora, podemos começar. 

Eu tenho observado pela a vida afora que o conceito de Ego (assim como muitos outros conceitos na história) vão se modificando de acordo com o passar do tempo e da evolução da própria língua, isso é natural e faz parte, porém seria descuido meu não sinalizar quando essas mudanças acabam por ser apenas distorções convenientes dos significados reais e que em muitos casos não mudam sua forma de ser, mudando apenas de nome e de acordo com a moda.

Eu diria que o Ego é um desses conceitos, fora que realmente a própria definição não alcança a totalidade de seu significado. Mas, o que quero dizer é, que a princípio, Ego é apenas uma faceta de tudo aquilo que somos. Podemos ter egos inflados, egos murchos, egos de todos os tipos, de acordo com as vivências de cada indivíduo, porém, contudo, entretanto e todavia, o conceito segue (ou deveria seguir) sendo o mesmo. Apenas um faceta de nossa individualidade.

A mim me parece, que como tudo o que é natural, o ego em essência não será nem bom e nem mau. Eu não sou Psicóloga, portanto não vou me meter a besta e dizer algo que vá contra o conceito ideal. Mas, ainda sim acredito que a falibilidade do Ego não seja uma característica intrínseca à sua essência e sim uma consequência da falha do indivíduo em si. E, por favor corrijam-me, se estiver errada, porque estarei nesse caso, imaginando além do conceito. 

Ter Ego é absolutamente necessário se queremos ser seres completos e autogeridos. E ponto. O problema é quando não somos bons gerentes de nós mesmos e acabamos por culpar o conceito, justificando que assim somos porque isso está no imaginário coletivo.

E falando em coletivo, entramos no conceito de Ismo, algo que como a própria definição do dicionário citada acima esclarece, é já colocado como algo usado, em geral, de modo negativo, portanto, distorcido. Ou seja, já contaminado pelo  imaginário coletivo. E isso é o que eu chamo de comprar pronto, quando apenas aceitamos os conceitos sem questionar. 

Para que fique mais claro o que quero dizer com isso tudo, basta lembrar que muitos objetos dentro de um mesmo idioma recebe nomes diferentes dependendo da região de um País. E o que uma coisa tem com a outra? 

Tudo! Precisamos parar de ser vítimas de nossos conceitos comprados prontos, pois que daí saem muitas coisas ruins como o preconceito, por exemplo, que vem se mostrando um mal interminável da humanidade.

Mas, vamos voltar ao Ego. Ele é necessário para que saibamos que somos indivíduos únicos e irrepetíveis. Sua função, no meu ponto de vista, é mostrar a importância que nossa essência exerce sobre a evolução do humano, cada ser tem algo a entregar que ninguém mais possui. Agora, quando colocamos o termo Ismo, estamos na verdade generalizando, afirmando que todo o Ego é Ismo. Que se afirmar enquanto indivíduo na sociedade é negativo, que ser "especial" é exibicionismo. Enfim, sei que esse tema é longo e daria muito papo, mas meu objetivo aqui é sempre jogar a isca para reflexões e não criar respostas prontas (até porque eu teria que ser um gênio para isso, e meu ego não chega a tanto, hehe).

O que importa mesmo, principalmente porque vivemos uma vida coletiva, é entender o verdadeiro valor do indivíduo e não mais crucificar nosso Ego, como o responsável pela imaturidade, pela falta de compromisso e de responsabilidade que esse coletivo (também distorcido) nos impõe, fazendo ou tentando fazer do indivíduo, que é a mais pura essência da humanidade, o vilão de sua própria história. Está na hora de repensar os ismos, os cêntricos, os óicos e deixar o ego ser o que é, algo a ser construido e não destruído como pregam algumas filosofias equivocadas. Viva o ego sem ismo.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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