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Espelho: Inimigo meu?

Espelho: Inimigo meu?

Eu não sou psicóloga, mas sempre estive envolvida com processos terapêuticos. Com isso, aprendi algumas coisas, ou pelo menos, ouvir falar. Na Psicologia existe uma teoria chamada Projeção, que significa: “um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s)”.

Muitos conhecem esse mecanismo como espelho. Certamente, alguém já lhe disse, principalmente se você faz terapia, que tal ou qual pessoa é seu espelho. Pois eu quero contar a experiência que eu tive e como eu entendo o significado de se ver espelhado no outro e o quanto isso pode ser libertador.

É verdade que não é muito agradável admitir nossos defeitos (ainda mais quando se é um perfeccionista incorrigível), mas se queremos evoluir, ou se nos sentimos pressionados pela vida a fazê-lo, teremos que, em algum momento, admitir nossos espelhos.

Eu, em tese, já entendia isso e concordava. Realmente, é normal (ou a palavra certa seria comum?) a gente se irritar com atitudes, decisões e escolhas de outras pessoas, e que nem sempre estão tão próximas a ponto de nos atingir pessoalmente.

Mas, isso tem uma razão de ser, que vai além até de simplesmente proteger o Ego. Claro que, do meu ponto de vista, esse é o principal objetivo da “maioria” dos espelhadores (os que fazem uso desse mecanismo, ou seja, todos nós).

No processo terapêutico que estou vivenciado hoje, eu acabei por perceber pela experiência de olhar para mim mesma algumas projeções que nem ao menos eu conseguia perceber antes (até por que assim, não precisaria admiti-las) e poderia, com isso, continuar julgando pelo bem da humanidade. Afinal, às vezes, a gente julga achando que está ajudando alguém (que feio).

Enfim, eu comecei a perceber que certos comportamentos, embora não fossem por mim praticados, ainda sim me incomodavam de uma forma muito pessoal. Sabe aquela hora em que você diz : “- Caramba, eu jamais faria isso!!!” e, assim mesmo, você se sente muito mal (e inclusive acha que é por isso mesmo que se sente mal), porque não admite que alguém seja capaz de fazer algo tão vil,  ou tão desastroso, ou mesmo tão burro.

O que eu descobri pode ser óbvio para quem for ler esse texto, mas para mim foi como acender um farol no meio de um deserto escuro e frio. Quando olhamos no espelho real, vemos exatamente aquilo que acreditamos ou esperamos ver (pelo menos em tese), mesmo que a gente não goste do que vê.

Mas, quando você olha para alguém com atitudes estranhas ao seu perfil, esse espelho não reflete o que você vê, mais sim aquilo que você sente. E devemos considerar que é exatamente a emoção que queremos negar que aparece nesse espelho retorcido.

Outro detalhe, emoções são sentidas sempre da mesma maneira, elas são produto da química do nosso organismo. Então, porque me é difícil enxergar que naquele dado momento, a atitude do outro apenas reflete (ou desperta) meu medo, minha ira, meu ciúme, minha inveja ou seja lá o que for?

Porque as emoções são iguais, mas não os valores. De repente, o que faz toda a diferença não são as emoções e nem os comportamentos, mas sim os valores. Alguém pode ferir seus valores usando as mesmas emoções que você, mas não necessariamente o mesmo padrão de comportamento. Por isso, é tão difícil admitir que os outros são nossos espelhos.

Mas, o que significa valor? “é o grau de importância de alguma coisa, com o objetivo de determinar quais são as melhores ações a serem tomadas ou qual a melhor maneira de viver”.

Então, você já parou para pensar que na sua vida determinados valores lhe fazem andar para frente, enquanto outros valores lhe puxam para trás e que o espelho nada mais é que a porta de entrada para a descoberta de valores e atitudes melhores e que isso é uma oportunidade fantástica de evoluir, já que espelhos têm aos montes por aí?

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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