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Essência da espiritualidade e a poesia de Manoel de Barros

Essência da espiritualidade e a poesia de Manoel de Barros

Eu sempre li poemas, poesias, palavras faladas e escritas que remetem o ser em algo desnudo, profundo, intenso, grande, derramado, verdadeiro de tão falso, falso e imaginativo, real, em pedaços, em facetas.

Sempre fui apaixonada por Manoel de Barros, conhecem? Suas escritas decifrava muito o meu sentir. Por anos a fio.

Eis que quando a gente busca uma resposta ela sempre está conosco, no sentir. Ela está lá. Manoel além de ser lido, pode ser escutado em canções. Ouvindo e lendo o poema percebi. Manoel falou de Deus. E eu escutei.

Tem uma poesia dele chamada Bernardo, que fala de uma pessoa. Mas que pessoa. Que Deus. Quero contar isso a vocês:

A poesia é assim:

"Bernardo já estava uma árvore quando
eu o conheci.
Passarinhos já construíam casa na palha do seu chapéu.
Brisas carregavam borboletas para o seu paletó.
E os cachorros usavam fazer de poste as suas pernas.
Quando estávamos todos acostumados com aquele bernardo-árvore
ele bateu asas e avoou.
Virou passarinho.
Foi para o meio do cerrado ser um arãquã.
Sempre ele dizia que o seu maior sonho era
ser um arãquã para compor o amanhecer."


Tem gente que tem gosto por coisa simples e logo entende, tem gente que não quer entender. Eu, quando abri os olhos do coração, entendi tudo certo e foi assim: Bernardo já estava uma árvore quando eu o conheci.

(Estava no estado de consciência onde ele se parecia mais com a natureza do que com o ser humano)

Passarinhos já construíam casa na palha do seu chapéu.

(Mostra que não importa para o ser Bernardo ser esse pouso, ser parte do todo ou ser confundido com ele, porque fazia sentido)

Brisas carregavam borboletas para o seu paletó. E os cachorros usavam fazer de poste as suas pernas.

(Até as investidas mais incômodas e que nos deixariam desligar da condição natureza, por não aceitarmos certas condições, eram tidas com naturalidade, como parte do processo, como algo bonito e poético e de resiliência)

Quando estávamos todos acostumados com aquele bernardo- árvore

(Uma pessoa que dava sentido, que iluminava. Porque quando estamos perto de uma árvore vemos o porte dela, a lembrança de um céu, de um Deus, de uma luz, do nosso ser sendo parte, de olhar para isso como alegria. E quem tem um árvore por perto tem essas ligações não é mesmo? Assim era Bernardo, já era um ser que representava essa conexão com o alto e que trazia essa mensagem.)

Ele bateu asas e avoou.

(entende-se que voltou para o lar, de onde todos nós viemos)

Virou passarinho.

(Porque criamos asas sendo infinitos e esse ser agora que
representava a natureza tornou parte dela.)

Foi para o meio do cerrado ser um arãquã.

(Um passarinho com canto bonito que gosta de liberdade, de correr é muito ligeiro e tem o olhar do todo, representante de Deus)

Sempre ele dizia que o seu maior sonho era ser um arãquã para compor o amanhecer.
(Quando voltamos para esse lugar, somos o todo, compomos tudo na criação de Deus, e podemos ser o pássaro, a luz, o sol, a terra, o mar, as lembranças, tudo. E por que não criamos essa mesma condição quando estamos aqui em terra? Porque não podemos ser o sujeito mais flor que dinheiro, mais árvore que carros, mais céu que terra. A existência material é importante, desde que você não olhe para ela como todo o sentido da existência. )

Aqui foi contado sobre uma pessoa que já estava mais a procura da natureza, do que é divino, próximo ao chamado da espiritualidade. Essa pessoa respondia mais a Deus do que as estruturas materiais. Os seres que olham e fazem essa ponte, pessoas que nos fazem bem, nos ensinam, nos trazem uma mensagem, nos trazem os chamados que nós vamos escutando ou não.

Mas porque não podemos ser essas pessoas?
Tudo isso está associado a uma crença muito forte que vamos seguindo como um script, de que nesse universo em que vivemos devemos ter e não ser. E precisamos olhar par isso. Já que a verdadeira felicidade está nesse reencontro do propósito do alto com a sua trajetória aqui. E desde que você queira, você poderá sim dar o melhor de si para O MUNDO.

E agora, quem aí quer ser Bernardo?

Ps: Alguém venha ver se permaneço gente ou se misturei tanto a poesia que agora também faço parte. Acho que a segunda opção.

E, deixo aqui "A música". Escutem ligando o olhar de amor universal. Vocês se misturaram a algo grande também. Vem!
 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Rayanne Jarcem
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Um cadinho de Cláudio e um tantin de Edilma! Uma mistura que cresceu e foi investir no amor a vida. Também pudera, o que eles me deram é muito grande. É o novo, portanto, é poesia.

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