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"Exercícios para Amar" ou "Aprendendo a Adotar". 2

 

Adotar – verbo transitivo direto; 1. Receber alguém como filho mediante ato jurídico.2. Seguir ou tomar como critério; escolher, preferir. 3. Tomar como próprio. Segundo o dicionário on-line Michelis.

O termo pela primeira vez usado no Código de Hamurabi, datado de 1.700 a.C., contudo foi em Roma segundo a Lei das XII Tábuas que se definiu que : “adotar é pedir a religião e a lei aquilo que da natureza não pode obter-se” (COULANGES, apud NETO, ROSA E MAIA 1.957,p.75). O Código Civil Brasileiro 1.916, baseado no direito Romano e Francês tinha alguns aspectos curiosos que vale a pena pesquisar. Em 1.957 com a Lei n. 3.133 de 08 de maio ouve grande mudança neste conceito. No ano de 1.990 em 13 de julho o Estatuto da Criança e do Adolescente veio trazer novas diretrizes a adoção.

No entanto, na vida real, a adoção muitas vezes tinha uma outra face mais prática e primitiva, como na realidade éramos no século passado... As crianças eram “pegas para criar”, e tornavam-se “criados”, criados da casa... Triste pensar que era a forma que sabíamos amar, só tínhamos condições de trocar o cuidado em serviço...

Minha bisavó paterna Domicilia foi “pega para criar” para servir de criada da casa. A família e ela eram Coimbra, Portugal e não lhe deram nem sobrenome em direitos de herança... Bisa Domicilia de Jesus chegou no Brasil em 1.910 com duas filhas pequenas, com dinheiro emprestado por um compadre, para poder encontrar seu marido (meu bisavô) Antônio Simões Vilão que era jardineiro e tinha vindo para o Brasil 7 anos antes. Nunca mais ela foi procurada e nem teve notícias da família que a criou ou dos seus genitores.

Morreu com mais de oitenta anos chamando por uma irmã, que nunca mais viu:

- Candida!!! Candida!!!

Quanta dor... Por isso penso o quanto é necessário, apesar da legislação que vem se aprimorando, também nos esmerarmos em amar por amar. O quanto temos ainda em aprender em relação ao acolher e aceitar sem querer vantagens neste “ato caridoso”.

Eu amo meus cactos, minhas orquídeas, a diversidade entre eles, mesmo quando não dão flores.... Meu esposo sempre brinca quando falamos sobre ter cachorros: –“Eles tem dois problemas: eles crescem e fazem cocô”!!! Temos que lembrar dos detalhes sempre antes de tomarmos uma atitude mais definitiva de adoção, mesmo que estejamos começando com cães.

Quando pensamos em ser pais, gerar um filho, na maioria das vezes oramos à Deus para que tenha saúde, que seja “perfeito” fisicamente. E se não forem?? Mas em alguns países do nosso lindo planeta existem legislações que permitem que seja feito aborto em fetos com exames de cariótipos que apresente alguma anomalia... Me lembra a Roma antiga onde os que não apresentassem um bom aspecto físico ao nascer para serem guerreiros, eram exterminados. Conversava a um tempo atrás com um jovem idealista (das suas próprias ideias) e ele fazia a defesa do aborto no caso de deficiências físicas ou doenças congênitas. Eu fiz uma pergunta a ele: Quantos bebês vão poder ter a chance de nascer, quando for possível se prever a personalidade, a índole e nível de intransigência ?? Será que eu e você iríamos nascer???

Mas nós evoluímos!!! Será?? Existem casais há anos na fila de espera para adoção no Brasil, e casais estrangeiros conseguem adotar primeiro, sabem por quê? Eles não  tem exigência de idade, sexo, cor de pele e aceitam irmãos...

Vamos cuidar de nós mesmos, aprender a cuidar das nossas dores, das nossas exigências descabidas e olhar o outro nos olhos e dizer: - Eu vejo você!

Tantos, tantos pais querendo filhos, um tanto mais de filhos precisando de pais!

Por que esta conta não fecha?

“É preciso amar as pessoas as pessoas, como se não houvesse amanhã... Porque se você parar pra pensar, na verdade não há...” (Legião Urbana)

 

 

 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Tânia Andrade
Tânia Andrade Seguir

Psicopedagoga Terapeuta de Constelação Sistêmica Familiar. Atendimento individual e Online

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