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Há algo de bom nos homens?

Há algo de bom nos homens?

Há um tempo, lendo assuntos relativos ao feminismo, encontrei essa provocação do Baumeister. Em tempos de reconstrução e reformulação do significado e dos traços que fabricam as identidades, achei que valia a pena traduzir e disponibilizar o texto em português; trabalho feito com a benção do autor . (O original pode ser encontrado em 

https://psy.fsu.edu/~baumeisterticelab/goodaboutmen.htm. Os grifos são do autor. O desenho, de André Bonini)

Você provavelmente está pensando que um debate chamado “Há algo de bom nos homens” será uma conversa rápida! Publicações recentes não tiveram muito o que dizer sobre os homens. Títulos como “Homens não são rentáveis” falam por si.

Maureen Dowd, na obra intitulada “Os homens são necessários?”, embora nunca tenha dado uma resposta explícita, o leitor saberá que sua resposta é não. O livro de Brizendine, “O cérebro feminino”, traz na sua apresentação: “Homens, preparem-se para experimentar inveja cerebral”. Imagine um livro anunciando que mulheres logo invejarão o cérebro superior masculino!

Esses não são exemplos isolados. A pesquisa de Eagly compilou montanhas de dados sobre os estereótipos que as pessoas têm sobre homens e mulheres, que os pesquisadores resumiram como “o efeito WAW”. WAW significa “Mulheres são maravilhosas”. Tanto homens quanto mulheres têm opiniões mais favoráveis sobre as mulheres do que sobre os homens. Quase todo mundo gosta mais de mulheres do que de homens. Eu certamente gosto.

Meu propósito neste debate não é tentar equilibrar os fatos elogiando os homens, embora, ao longo do discurso, eu terei várias coisas positivas a dizer sobre ambos os sexos. Querer refletir se há algo de bom nos homens, é apenas o meu ponto de partida. O título provisório do livro que estou escrevendo é “Como a cultura explora os homens”, mas esse, para mim, é o princípio de grandes questões sobre como a cultura molda a ação. Nesse contexto, o que é bom nos homens significa “para que os homens servem”, do ponto de vista do sistema.

Portanto, esse debate não é sobre a “guerra dos sexos” e, na verdade, acho que um legado infeliz do feminismo foi a ideia de que homens e mulheres são basicamente inimigos. Vou sugerir, em vez disso, que na maioria das vezes homens e mulheres têm sido parceiros, preferindo apoiar-se mutuamente a explorar ou manipular um ao outro.

Tampouco se trata de tentar argumentar que os homens devem ser considerados vítimas. Eu detesto toda a ideia de competir para saber quem sofre mais. E certamente não estou negando que a cultura explorou mulheres. Mas, em vez de ver a cultura como patriarcado, o que equivale a uma conspiração masculina para explorar mulheres, acho que é mais preciso entender cultura (por exemplo, um país, uma religião) como um sistema abstrato que compete com sistemas rivais — e que usa homens e mulheres, muitas vezes de maneiras diferentes, para promover sua causa.

Também acho que é melhor evitar julgamentos de valor, tanto quanto possível. Eles tornaram a discussão sobre a política de gênero muito difícil e sensível, distorcendo o jogo de ideias. Não tenho conclusões para apresentar sobre o que é bom ou ruim ou como o mundo deve mudar. Na verdade, minha própria teoria é construída em torno de compensações, de modo que, sempre que algo de bom acontece, está ligado a algo ruim e, assim, as coisas se equilibram.

Eu não quero escolher um lado em detrimento de outro. Militantes da “guerra dos sexos”, por favor, vão para casa.

Homens no Topo

Quando eu digo que estou pesquisando como a cultura explora os homens, a primeira reação geralmente é: “Como você pode dizer que a cultura explora os homens, quando os homens estão no comando de tudo?” Essa é uma objeção justa e precisa ser levada a sério. Invoca a crítica feminista da sociedade. Essa crítica começou quando algumas mulheres olharam sistematicamente para o topo da sociedade e viram homens em todos os lugares: a maioria dos governantes mundiais, presidentes, primeiros-ministros, a maioria dos membros do Congresso e parlamentos, a maioria dos CEOs de grandes corporações e assim por diante. Vendo tudo isso, as feministas pensavam, “uau, os homens dominam tudo, então a sociedade está configurada para favorecer os homens. Deve ser ótimo ser homem.”

O erro dessa maneira de pensar é olhar apenas para o topo. Se alguém olhasse para baixo, para o chão da sociedade, encontraria principalmente homens lá também. Quem está na prisão, em todo o mundo, como criminoso ou preso político? A população no corredor da morte nunca se aproximou de 51% pertencente ao sexo feminino. Quem está sem teto? Mais uma vez, principalmente homens. Quem a sociedade usa para trabalhos ruins ou perigosos? Estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA reportam que 93% das pessoas mortas no trabalho são homens. Da mesma forma, quem é morto em batalha? Mesmo no atual exército americano, que integrou muito os sexos e colocou mulheres em combate, os riscos não são iguais. Este ano, passamos pelo marco de 3.000 mortes no Iraque e dessas, 2.938 eram homens e 62 mulheres.

Imagine, por exemplo, uma antiga batalha em que o inimigo foi expulso e a cidade salva, e os soldados vitoriosos são banhados com moedas de ouro. Uma feminista primitiva poderia protestar, “ei, todos esses homens estão recebendo moedas de ouro, metade dessas moedas deve ir para as mulheres”. Em princípio, eu concordo. Mas lembre-se, enquanto estes homens que você vê estão recebendo moedas de ouro, há outros homens que você não vê, que ainda estão feridos e sangrando até a morte no campo de batalha.

Esse é um primeiro indício importante de como a cultura usa os homens. A cultura tem muitas compensações; ela precisa que as pessoas façam coisas perigosas ou arriscadas, e por isso oferece grandes recompensas para motivar as pessoas a assumirem esses riscos. A maioria das culturas têm tendência a usar muito mais os homens para essas atividades de alto risco com alta compensação do que as mulheres. Eu proponho que existem importantes razões pragmáticas para isso. O resultado é que alguns homens colhem grandes recompensas, enquanto outros têm suas vidas arruinadas ou mesmo interrompidas. A maioria das culturas protege suas mulheres do risco e, portanto, também não lhes dão grandes recompensas. Eu não estou dizendo que isso é o que as culturas devem fazer moralmente, as culturas não são morais. Elas fazem o que fazem por razões pragmáticas, impulsionadas pela competição contra outros sistemas e outros grupos.

Estereótipos em Harvard

Eu disse que hoje em dia a maioria das pessoas tem estereótipos mais favoráveis de mulheres do que de homens. Não foi sempre assim. Até a década de 60, a psicologia (assim como a sociedade) tendia a ver os homens como norma e as mulheres como a versão ligeiramente inferior. Durante a década de 70, houve um breve período em que não havia diferenças reais, apenas estereótipos. Somente a partir de 1980, a visão dominante passou a ser de mulheres melhores e homens numa versão inferior. O surpreendente para mim é que levou pouco mais de uma década para ir de uma visão a outra, isto é, de pensar que os homens são melhores que as mulheres para pensar que as mulheres são melhores que os homens. Como isso é possível?

Tenho certeza que você está esperando que eu fale sobre Larry Summers em algum momento, então vamos acabar com essa espera! Você se lembra dele, — ex-reitor de Harvard. Como resumido em The Economist, “Summers enfureceu a premissa feminista ao questionar em voz alta se o preconceito por si só poderia explicar a escassez de mulheres no topo da ciência”, depois de dizer inicialmente: “é possível que talvez não haja tantas mulheres ensinando Física em Harvard, porque não há tantas mulheres quanto homens com essa alta habilidade inata”. Essa é apenas uma explicação possível, entre outras. Ele teve que se desculpar, se retratar, prometer enormes quantias de dinheiro, e não muito tempo depois, renunciou.

Qual foi o crime dele? Ninguém o acusou de discriminar as mulheres. Seu erro foi pensar coisas que não podem ser pensadas, a saber: que pode haver mais homens com alta capacidade. A única explicação permissível para a falta de mulheres cientistas é o patriarcado — que os homens estão conspirando para manter as mulheres abaixo deles. Não pode ser habilidade. Na verdade, há algumas evidências de que os homens, em média, são um pouco melhores em matemática, mas vamos supor que Summers estivesse falando sobre inteligência geral. As pessoas podem apontar para muitos dados que afirmam que o QI médio dos homens adultos é aproximadamente o mesmo que a média das mulheres. Portanto, sugerir que os homens são mais inteligentes que as mulheres, é errado. Não é de admirar que algumas mulheres se sintam ofendidas.

Mas não foi isso que ele disse. Ele disse que havia mais homens nos níveis mais altos de habilidade. Isso ainda pode ser verdade, apesar de a média ser a mesma — se também houver mais homens na base da distribuição, ou seja, mais homens estúpidos do que mulheres. Durante a polêmica sobre seus comentários, eu não vi ninguém levantar essa questão, mas os dados estão lá, na verdade abundantes, e eles são indiscutíveis. Há mais homens do que mulheres com QIs muito baixos. De fato, o padrão com retardo mental é o mesmo que com o gênio, ou seja, à medida que se vai de leve, médio e ao extremo, a preponderância dos homens fica maior.

Todos esses garotos retardados não são obra do patriarcado. Os homens não estão conspirando juntos para tornar os filhos um do outro mentalmente retardados.

É quase certo que seja algo biológico e genético. E meu palpite é que a maior proporção de homens em ambos os extremos da escala de QI faz parte de um padrão. A natureza joga mais dados com os homens do que com as mulheres. Os homens vão a extremos mais que as mulheres. É verdade, não apenas com o QI, mas também com outras coisas, inclusive a altura: a variação masculina de altura é mais uniforme, com homens muito mais altos e homens muito mais baixos. Mais uma vez, há uma razão para isso, à qual retornarei.

Por enquanto, o ponto é que isso explica como podemos ter estereótipos tão diferentes. Os homens vão a extremos mais que mulheres. Estereótipos são sustentados por viés de confirmação. Quer pensar que os homens são melhores que as mulheres? Então olhe para o topo, os heróis, os inventores, os filantropos e assim por diante. Quer pensar que as mulheres são melhores que os homens? Então olhe para baixo, os criminosos, os viciados, os perdedores.

Fundamentalmente, os homens são realmente melhores e piores que as mulheres.

Um padrão de mais homens em ambos os extremos pode criar todo tipo de conclusão equivocada e outras falhas estatísticas. Para ilustrar, vamos assumir que homens e mulheres são, em média, exatamente iguais em todos os aspectos relevantes, porém, com mais homens nos dois extremos. Se você medir as coisas que estão contidas em uma extremidade, deformará os dados e fará com que homens e mulheres pareçam significativamente diferentes.

Considere a média de notas na faculdade. Graças à grande variedade de notas, a maioria dos alunos agora obtém A’s e B’s, mas alguns chegam ao F. Com esse tipo de teto baixo, os homens de alto rendimento não conseguem elevar a média masculina, mas os homens perdedores a puxarão para baixo. O resultado será que as mulheres terão notas médias mais altas do que os homens — mais uma vez, apesar de não haver diferença na qualidade média do trabalho.

O resultado oposto vem com salários. Existe um salário mínimo, mas não o máximo. Portanto, os homens de alto desempenho conseguem elevar a média masculina, enquanto os de baixo desempenho não conseguem puxá-la para baixo. Qual o resultado? Os homens receberão salários médios mais altos do que as mulheres, mesmo que não haja diferença média relevante.

Hoje, com certeza, as mulheres recebem notas mais altas, mas salários mais baixos do que os homens. Há muita discussão sobre o que tudo isso significa e o que deve ser feito a respeito. Mas, como você vê, ambos os fatos poderiam ser apenas uma peculiaridade estatística que se origina da extremidade masculina.

Compensação

Pensar que um gênero é melhor do que outro não é muito plausível. Por que a natureza faria um gênero melhor que o outro? A evolução seleciona traços bons e favoráveis, e se há uma boa maneira de ser, depois de algumas gerações, todos serão daquela maneira.

Mas a evolução preservará as diferenças quando houver uma compensação: quando uma característica é boa para uma coisa, enquanto o oposto é bom para outra coisa.

Vamos voltar às três principais teorias que temos sobre gênero: os homens são melhores, não há diferença entre os gêneros, e as mulheres são melhores. O que está faltando nessa lista? Diferente, mas igual. Deixe-me propor isso como uma teoria oposta que merece ser considerada. Eu acho que é realmente o mais plausível. A seleção natural preservará as diferenças inatas entre homens e mulheres, desde que os traços diferentes sejam benéficos em diferentes circunstâncias ou para diferentes tarefas.

Exemplo de compensação: os afro-americanos sofrem de anemia falciforme mais do que os brancos. Isto parece ser devido a uma vulnerabilidade genética. Esse gene, no entanto, promove resistência à malária. Os negros evoluíram em regiões onde a malária causava muitas mortes, então valeu a pena ter esse gene apesar do aumento do risco de anemia falciforme. As pessoas brancas evoluíram em regiões mais frias, onde havia menos malária, e assim a compensação foi resolvida de forma diferente: quanto mais evita o gene que previne a malária, menos arrisca a anemia falciforme.

A abordagem da compensação produz uma teoria radical da igualdade de gênero. Homens e mulheres podem ser diferentes, mas cada vantagem pode estar ligada a uma desvantagem.

Portanto, sempre que você ouvir um relato de que um gênero é melhor em alguma coisa, pare e pense o porquê isso provavelmente é verdade e para que a característica oposta pode ser boa.

Não poder versus Não querer

Antes de nos aprofundarmos por esse caminho, deixe-me levantar outra ideia radical. Talvez as diferenças entre os gêneros sejam mais sobre motivação do que capacidade. Essa é a diferença entre não poder e não querer.

Volte por um momento para a questão de Larry Summers sobre por que não há mais mulheres, professores de Física em Harvard. Talvez as mulheres possam fazer matemática e ciências perfeitamente bem, mas elas simplesmente não querem. Afinal, a maioria dos homens também não gosta de matemática! Da pequena minoria de pessoas que gosta de matemática, provavelmente há mais homens do que mulheres. Uma pesquisa da Eccles tem concluído repetidamente que a falta de mulheres matemáticas e cientistas reflete mais sua motivação do que sua capacidade. E pela mesma lógica, eu suspeito que a maioria dos homens poderia aprender a trocar fraldas e limpar debaixo do sofá também, mas se os homens não fazem essas coisas, é porque eles não querem ou não gostam, não porque eles são naturalmente incapazes (tanto quanto ocasionalmente fingem ser!).

Vários trabalhos recentes questionaram toda a ideia de diferenças de gênero em relação às habilidades: mesmo quando diferenças médias são encontradas, elas tendem a ser extremamente pequenas. Em contraste, quando você olha para o que homens e mulheres querem, o que eles gostam, há diferenças genuínas. Olhe para a pesquisa sobre o impulso sexual: homens e mulheres podem ter a mesma “habilidade” para o sexo, seja o que for que isso signifique, mas há grandes diferenças em relação à motivação: qual gênero pensa em sexo o tempo todo, quer mais vezes, quer mais parceiros diferentes, arrisca mais por sexo, se masturba mais, pula em todas as oportunidades e assim por diante. Nossa pesquisa descobriu que praticamente todas as comparações e todos os estudos mostraram maior desejo sexual em homens. É oficial: os homens têm mais excitação do que as mulheres. Esta é uma diferença na motivação.

Da mesma forma, mencionei a diferença salarial, mas pode ter menos a ver com habilidade do que com motivação. Altos salários vêm de longas horas de trabalho. Workaholics são na maioria homens (há algumas mulheres, mas não tantas quanto homens). Um estudo revelou que mais de 80% das pessoas que trabalham 50 horas por semana são homens.

Isso significa que, se quisermos alcançar nosso ideal de salários iguais para homens e mulheres, talvez precisemos legislar sob o princípio de pagamento igual por menos trabalho. Pessoalmente, apoio esse princípio. Mas reconheço que é de difícil aprovação.

A criatividade pode ser outro exemplo de diferença de gênero mais baseada na motivação do que na capacidade.

A evidência apresenta um aparente paradoxo, porque os testes de criatividade geralmente mostram homens e mulheres marcando a mesma pontuação, mas através da história alguns homens têm sido muito mais criativos do que as mulheres. Uma explicação que se encaixa nesse padrão é que homens e mulheres têm a mesma habilidade criativa, mas motivações diferentes.

Eu sou músico e há muito tempo me pergunto sobre essa diferença. Sabemos, pelo cenário da música clássica, que as mulheres podem tocar instrumentos de forma bela, soberba, proficiente — essencialmente tão bem quanto os homens. Elas podem e muitas o faz. No entanto, no jazz, onde o artista tem que ser criativo enquanto toca, há um desequilíbrio impressionante: quase nenhuma mulher improvisa. Por quê? A habilidade está lá, mas talvez a motivação seja menor. Elas não se sentem motivadas a fazer isso.

Suponho que a explicação comum para tal diferença seja que as mulheres não foram encorajadas, ou não foram valorizadas, ou foram desencorajadas a serem criativas. Mas eu não acho que essa explicação comum se encaixa muito bem aos fatos. No século XIX, na América, as meninas e mulheres de classe média tocavam piano muito mais que os homens. No entanto, a prática de piano não resultou em nada criativo.

Não havia grandes mulheres compositoras, nem novos rumos no estilo da música ou uma nova maneira de tocar piano, ou qualquer coisa assim. Todas aquelas pianistas femininas entretinham suas famílias e convidados no jantar, mas não pareciam motivadas a criar algo novo.

Enquanto isso, mais ou menos na mesma época, os negros nos Estados Unidos criavam o blues e depois o jazz, ambos mudando a maneira como o mundo experimenta a música. De qualquer forma, aqueles homens negros, a maioria saindo da escravidão, eram muito mais desfavorecidos do que as mulheres brancas de classe média. Mesmo colocar as mãos em um instrumento musical deve ter sido consideravelmente mais difícil. E lembre-se, estou dizendo que as habilidades criativas são provavelmente iguais. Mas de alguma forma os homens estavam mais motivados a criar algo novo do que as mulheres.

Um teste do que é significativamente real é o mercado. É difícil encontrar alguém ganhando dinheiro sugerindo que diferenças de gênero estão nas habilidades. Mas na motivação, há muito. Olhe para a indústria de revistas: revistas masculinas têm assuntos diferentes de revistas femininas, porque homens e mulheres gostam, apreciam e se interessam por coisas diferentes. Veja a diferença de filmes entre os canais a cabo masculinos e femininos. Veja a diferença nos comerciais para homens e para mulheres.

Isso nos leva a uma parte importante do argumento. Estou sugerindo que as diferenças importantes entre homens e mulheres são encontradas na motivação e não na capacidade. Quais são, então, essas motivações? Eu quero enfatizar duas.

O fato mais subestimado
A primeira grande diferença básica tem a ver com o que eu considero ser o fato mais subestimado sobre gênero. Considere esta questão: Qual é a porcentagem de mulheres entre nossos ancestrais? Não é uma questão difícil, e não é de 50%. É verdade que cerca de metade das pessoas que já viveram eram mulheres, mas essa não é a questão. Estamos perguntando sobre todas as pessoas que já viveram e que têm um descendente hoje. Ou, em outras palavras, sim, todo bebê tem mãe e pai, mas alguns desses pais tiveram vários filhos.

Pesquisas recentes usando análise de DNA responderam essa pergunta há dois anos. A população humana de hoje é descendente de duas vezes mais mulheres do que de homens.

Eu acho que essa diferença é o fato mais subestimado sobre gênero. Para obter esse tipo de diferença, você tinha que ter algo como, ao longo de toda a história da raça humana, talvez 80% das mulheres, e apenas 40% dos homens se reproduzindo.

Neste momento, estamos tendo um debate vívido sobre quanto comportamento pode ser explicado pela teoria evolucionista. Mas se tem algo que a evolução explica, são as coisas relacionadas à reprodução, porque a reprodução está no centro da seleção natural. Basicamente, as características mais eficazes para a reprodução estariam no centro da psicologia evolutiva. Seria chocante se essas chances reprodutivas tão diferentes para homens e mulheres não conseguissem produzir algumas diferenças de personalidade.

Para as mulheres ao longo da história (e pré-história), as chances de reprodução têm sido muito boas. Mais adiante, nesta conversa, refletiremos sobre coisas como: por que era tão raro que cem mulheres se reunissem e construíssem um navio e navegassem para explorar regiões desconhecidas, ao passo que os homens têm feito regularmente tais coisas? Mas correr riscos como esse seria estúpido, do ponto de vista de um organismo biológico em busca de reprodução. Elas poderiam se afogar ou ser mortas por selvagens ou pegar uma doença. Para as mulheres, a melhor coisa a fazer era acompanhar a multidão, ser agradável, apostar no seguro. As chances eram boas que os homens iriam aparecer e oferecer sexo e elas poderiam ter bebês. Tudo o que importava era escolher a melhor oferta. Somos descendentes de mulheres que apostaram na segurança.

Para os homens, a perspectiva era radicalmente diferente. Se eles fossem junto com a multidão e apostassem na segurança, as chances seriam de que eles não teriam filhos. A maioria dos homens que já viveu não tem descendentes que estão vivos hoje. Suas vidas foram becos sem saída. Por isso, era necessário arriscar, experimentar coisas novas, ser criativo, explorar outras possibilidades. Navegar para o desconhecido poderia ser arriscado, e você poderia se afogar ou ser morto ou qualquer outra coisa, mas, se você ficasse em casa, não iria se reproduzir de qualquer maneira.

Somos, a maioria, descendentes do tipo de homem que fez a viagem arriscada e conseguiu voltar rico. Nesse caso, ele finalmente teria uma boa chance de passar seus genes. Somos descendentes de homens que arriscaram (e tiveram sorte).

A enorme diferença no sucesso reprodutivo muito provavelmente contribuiu para algumas diferenças de personalidade, porque traços diferentes apontavam o caminho para o sucesso. As mulheres fizeram o melhor, minimizando os riscos, enquanto os homens de sucesso foram os que se arriscaram. A ambição e o esforço competitivo provavelmente importavam mais para o sucesso masculino (medido por descendentes) do que para as mulheres. A criatividade era provavelmente mais necessária para ajudar o homem individual a se destacar de alguma forma. Até mesmo a diferença de desejo sexual era relevante: para muitos homens, haveria poucas chances de se reproduzir e, portanto, eles precisavam estar prontos para todas as oportunidades sexuais. Se um homem dissesse que "hoje não, estou com dor de cabeça", ele poderia perder sua única chance.

Outro ponto crucial. O perigo de não ter filhos é apenas um lado da moeda masculina. Toda criança tem mãe e pai biológicos e, portanto, se houvesse apenas a metade dos pais em relação às mães entre nossos ancestrais, alguns desses pais tinham muitos filhos.

Olhe isto deste modo. A maioria das mulheres tem apenas alguns filhos e quase nenhuma tem mais do que uma dúzia - mas muitos pais tiveram mais do que alguns, e alguns homens tiveram várias dezenas, até centenas de crianças.

Em termos de competição biológica para produzir filhos, então, os homens superavam as mulheres tanto entre os perdedores quanto entre os maiores vencedores.

Para colocar isso em termos mais subjetivos: quando ando por aí e tento olhar para homens e mulheres como se os visse pela primeira vez, é difícil escapar da impressão (desculpe, galera!) de que as mulheres são simplesmente mais simpáticas e amáveis do que homens. (Isso eu acho que explica o “efeito WAW” mencionado anteriormente). Os homens podem querer ser amáveis, e os homens podem e conseguem fazer com que as mulheres os amem (então a habilidade existe), mas os homens têm outras prioridades, outras motivações. Para as mulheres, ser amável era a chave para atrair o melhor encontro. Para os homens, no entanto, era mais uma questão de agredir muitos outros homens até mesmo para ter uma chance de ter um encontro.

Compensações novamente: talvez a natureza tenha projetado mulheres que buscassem ser amáveis, enquanto os homens foram projetados para lutar, principalmente sem sucesso, pela grandeza.

E valeu a pena, mesmo apesar da maioria “perdedora”. Especialistas estimam que Genghis Khan tinha várias centenas e talvez mais de mil crianças. Ele assumiu grandes riscos e acabou conquistando a maior parte do mundo conhecido. Para ele, os grandes riscos levaram a enormes recompensas para sua descendência. Meu ponto é que nenhuma mulher, mesmo que ela conquistasse o dobro do território de Genghis Khan, poderia ter tido mil filhos. Esforçar-se pela grandeza nesse sentido não oferecia à fêmea humana tal compensação biológica. Para o homem, a possibilidade estava lá, e assim o sangue de Genghis Khan percorre grande parte da população humana de hoje. Por definição, apenas alguns homens podem alcançar a grandeza, mas para os poucos homens que o fazem, os ganhos são reais. E nós descemos desses grandes homens muito mais do que de outros homens. Lembre-se, a maioria dos homens medíocres não deixou nenhum descendente.

As mulheres são mais sociais?
Deixe-me voltar agora para a segunda grande diferença motivacional. Ela tem suas raízes em uma pequena tese publicada no Psychological Bulletin há cerca de dez anos, mas a questão ainda é recente e relevante hoje em dia. Diz respeito à questão de saber se as mulheres são mais sociais do que os homens.

A ideia de que as mulheres são mais sociais foi levantada por Cross e Madsen em um manuscrito submetido ao periódico. Fui enviado para fazer a revisão e, embora eu tivesse discordado da conclusão deles, senti que eles haviam resolvido bem o caso, por isso defendi a publicação da tese. Eles forneceram muitas evidências. Eles disseram coisas como, “olha, os homens são mais agressivos que as mulheres. Agressão pode prejudicar um relacionamento, porque se você machucar alguém, então essa pessoa pode não querer estar com você”.

As mulheres se abstêm da agressão porque querem relacionamentos, mas os homens não se importam com relacionamentos e estão dispostos a ser agressivos. Portanto, a diferença na agressividade mostra que as mulheres são mais sociais que os homens.

Mas eu tinha acabado de publicar meus primeiros trabalhos sobre "a necessidade de pertencer", que concluíam que homens e mulheres tinham essa necessidade, e então fiquei preocupado em ouvir que os homens não se importam com a conexão social. Eu escrevi uma resposta que dizia que havia outra maneira de ver todas as evidências que Cross e Madsen encontraram.

A essência de nossa visão é que existem duas maneiras diferentes de ser social. Na psicologia social, tendemos a enfatizar relacionamentos próximos e íntimos, e sim, talvez as mulheres se especializem neles e sejam melhores do que os homens. Mas também se pode olhar para ser social em termos de ter redes maiores de relacionamentos mais rasos, e sobre estes, talvez os homens sejam mais sociais do que as mulheres.

É uma pergunta comum, o que é mais importante para você, ter algumas amizades próximas ou ter muitas pessoas que conhecem você? A maioria das pessoas diz que o primeiro é mais importante. Mas a grande rede de relações superficiais também pode ser importante. Não devemos ver automaticamente os homens como seres humanos de segunda classe simplesmente porque eles se especializam no tipo menos importante e menos satisfatório de relacionamento. Os homens também são sociais - apenas de uma maneira diferente.

Então, nós reexaminamos as evidências que Cross e Madsen haviam fornecido. Considere agressão. É verdade que as mulheres são menos agressivas que os homens, não há discussão. Mas é realmente porque as mulheres não querem comprometer um relacionamento próximo? Acontece que, em relacionamentos próximos, as mulheres são bastante agressivas. As mulheres são mais propensas que os homens a perpetrar violência doméstica contra parceiros românticos, desde um tapa na cara até um ataque com uma arma mortal. As mulheres também abusam mais de crianças do que os homens, apesar de ser difícil desvincular-se da maior quantidade de tempo que passam com as crianças. Ainda assim, você não pode dizer que as mulheres evitem a violência contra parceiros íntimos.

Em vez disso, a diferença é encontrada na esfera social mais ampla. As mulheres não batem em estranhos. As chances de uma mulher, digamos, ir ao shopping e acabar em uma briga com outra mulher são sumamente pequenas, mas há mais risco para os homens. A diferença de gênero na agressão é encontrada principalmente lá, na rede mais ampla de relacionamentos. Porque os homens se importam mais com essa rede.

Agora considere a cooperação. A maioria das pesquisas descobriu que os homens ajudam mais que as mulheres. Cross e Madsen relutaram contra isso e, eventualmente, apenas recuaram sobre o clichê batido de que talvez as mulheres não ajudem, porque elas não são criadas para ajudar ou não são socializadas para ajudar. Mas acho que o padrão é o mesmo que com a agressão. A maioria das pesquisas procura por cooperação entre estranhos, na esfera social mais ampla, e assim os homens cooperam mais. Dentro da família, no entanto, as mulheres são muito prestativas, provavelmente mais do que os homens.

Agressão e cooperação são, de certa forma, opostos, então o padrão convergente é bastante significativo. As mulheres cooperam e agridem na esfera íntima, de relacionamentos íntimos, porque é com isso que elas se importam. Em contraste, os homens se preocupam (também) com a rede mais ampla de relações mais rasas, e por isso são muito prestativos e agressivos lá.

Essa mesma conclusão pode explicar vários outras diferenças entre homens e mulheres. Os estudos que observaram o período de recreio descobriram que as meninas se juntam e brincam com a mesma companheira de brincadeira durante a hora inteira. Os meninos brincaram com uma série de diferentes colegas ou com um grupo maior. As garotas querem o relacionamento um-a-um, enquanto os garotos são atraídos para grupos maiores ou redes.

Quando duas garotas estavam brincando juntas e os pesquisadores traziam uma terceira, as duas garotas resistiam a deixá-la participar. Mas dois garotos vão deixar um terceiro garoto entrar no jogo deles. Meu ponto é que as garotas querem a conexão um-a-um, então adicionar uma terceira pessoa estraga o tempo para elas, mas o mesmo, não é verdade para os garotos.

A conclusão é que homens e mulheres são sociais, mas de maneiras diferentes. As mulheres se especializam na esfera estreita das relações íntimas. Os homens se especializam no grupo maior. Se você fizer uma lista de atividades que são feitas em grandes grupos, é provável que você tenha uma lista de coisas que os homens fazem e desfrutam mais do que mulheres: esportes coletivos, política, grandes corporações, redes econômicas e assim por diante.

Características Úteis

Novamente, diferenças importantes de personalidade provavelmente decorrem da diferença motivacional básica no tipo de relacionamento social que interessa a homens e mulheres.

Considere a conclusão comum de que as mulheres são mais expressivas emocionalmente que os homens. Para um relacionamento íntimo, uma boa comunicação é útil. Permite que as duas pessoas se entendam, apreciem os sentimentos umas das outras e assim por diante. Quanto mais os dois parceiros íntimos se conhecem, melhor eles podem cuidar e apoiar um ao outro. Mas em um grupo grande, onde você tem rivais e talvez inimigos, é arriscado mostrar todos os seus sentimentos. O mesmo vale para transações econômicas. Quando você está negociando o preço de algo, é melhor guardar seus sentimentos um pouco para si mesmo. E assim os homens se contêm mais.

A justiça é outro exemplo. Pesquisas feitas por Major e outros na década de 70 usaram procedimentos como este. Um grupo de sujeitos executaria uma tarefa, e o pesquisador diria então que o grupo havia ganhado certa quantia de dinheiro, e caberia a um membro dividi-lo da maneira que quisesse. A pessoa poderia guardar todo o dinheiro, mas geralmente não era isso que acontecia. As mulheres dividiram o dinheiro igualmente, com uma participação igual para todos. Os homens, em contraste, dividiram de forma desigual, dando a maior parte da recompensa para quem trabalhou mais.

Qual é melhor? Nenhum. Tanto a igualdade quanto a equidade são versões válidas de justiça. Mas elas mostram a diferença da orientação de cada esfera social. A igualdade é melhor para relacionamentos próximos, quando as pessoas cuidam umas das outras e retribuem as coisas e dividem recursos e oportunidades igualmente. Em contraste, a equidade - dando maiores recompensas para contribuições maiores - é mais eficaz em grandes grupos. Na verdade, não chequei, mas estou disposto a apostar que, se você pesquisou as corporações grandes e bem-sucedidas da Fortune 500 na América, não encontraria uma única entre 500 que pagasse a cada funcionário o mesmo salário. Os trabalhadores mais valiosos que contribuem mais geralmente recebem mais. Simplesmente é um sistema mais efetivo em grandes grupos. O padrão masculino é adequado para os grandes grupos, o padrão feminino é mais adequado para pares íntimos.

O mesmo pode ser dito sobre as diferenças entre relações baseadas na permuta deliberada e relações baseadas na cooperação mútua. As mulheres são mais orientadas para estas relações, os homens mais àquelas. Na psicologia, tendemos a pensar em cooperação mútua como uma forma mais avançada de relacionamento do que a relação de permuta deliberada. Por exemplo, suspeitaríamos de um casal que após dez anos de casamento ainda estivesse dizendo: "Eu paguei a conta de energia elétrica no mês passado, agora é a sua vez". Mas a suposta superioridade das relações baseadas na cooperação mútua aplica-se principalmente aos relacionamentos íntimos. No nível dos grandes sistemas sociais, é o contrário. Os países baseados na distribuição econômica  comum (incluindo os comunistas) continuam primitivos e pobres, enquanto os países ricos e avançados chegaram onde estão por meio de permutas econômicas.

Há também o ponto sobre os homens serem mais competitivos, as mulheres mais cooperativas. Mais uma vez, porém, a cooperação é muito mais útil do que a competição para relacionamentos íntimos. Que utilidade há em competir contra o seu cônjuge? Mas em grandes grupos, chegar ao topo pode ser crucial. A preferência masculina por hierarquias dominantes e o esforço ambicioso de chegar ao topo também refletem uma orientação para o grande grupo, não uma aversão à intimidade. E lembre-se, a maioria dos homens não se reproduziu, e nós descemos principalmente dos homens que lutaram até chegar ao topo. O mesmo não ocorreu com as mulheres.

Mais uma coisa. Cross e Madsen fizeram muitas pesquisas mostrando que os homens pensam em si mesmos com base em suas características incomuns, que os diferenciam dos outros, enquanto os autoconceitos femininos apresentam características que as conectam a outras pessoas. Cross e Madsen pensaram que isso era porque os homens queriam se separar dos outros. Mas, de fato, ser diferente é uma estratégia vital para pertencer a um grande grupo. Se você é o único membro do grupo que pode matar um antílope ou encontrar água, falar com os deuses ou marcar uma bola de 3 pontos, o grupo não pode se dar ao luxo de se livrar de você.

É diferente em um relacionamento íntimo. O marido de uma mulher e seu bebê vão amá-la mesmo que ela não toque trombone. Então, cultivar uma habilidade única não é essencial para ela. Mas tocar trombone é uma maneira de entrar em alguns grupos, especialmente bandas de metais. Essa é outra razão pela qual os homens vão a extremos mais que as mulheres. Grandes grupos fomentam a necessidade de estabelecer algo diferente e especial em si mesmo.

Benefícios dos Sistemas Culturais
Vamos nos voltar agora para a cultura. A cultura é relativamente nova na evolução. A linha de evolução que transformou os animais sociais, continua. Eu entendo a cultura como um tipo de sistema que permite ao grupo humano trabalhar em conjunto de forma eficaz, usando a informação. A cultura é uma maneira nova e melhorada de ser social.

O feminismo nos ensinou a ver a cultura como homens contra as mulheres. Em vez disso, acho que as evidências indicam que a cultura surgiu principalmente com homens e mulheres trabalhando juntos, mas trabalhando contra outros grupos de homens e mulheres. Muitas vezes, as competições mais intensas e produtivas eram grupos de homens contra outros grupos de homens, embora ambos os grupos dependessem do apoio das mulheres.

A cultura permite que o grupo seja mais do que a soma de suas partes (seus membros). A cultura pode ser vista como uma estratégia biológica. Vinte pessoas que trabalham juntas, em um sistema cultural, compartilhando informações e dividindo tarefas e assim por diante, viverão melhor - sobrevivem e se reproduzem melhor - do que se essas mesmas vinte pessoas vivessem na mesma floresta, mas fizessem tudo individualmente.

A cultura, portanto, fornece algum benefício por ter um sistema. Vamos chamar isso de "ganho sistêmico", ou seja, quão melhor o grupo pode ser por causa do sistema. Pense em dois times de futebol. Ambos os grupos de jogadores conhecem as regras e possuem as mesmas habilidades individuais. Um grupo tem apenas isso e eles saem para jogar como indivíduos tentando fazer o melhor. O outro trabalha em equipe, complementando um ao outro, brincando com o sistema. O sistema provavelmente permitirá que eles joguem melhor do que o grupo jogando como indivíduos separados. Esse é o ganho sistêmico.

Um fato vital é que o escopo do ganho sistêmico aumenta proporcionalmente ao tamanho do sistema. Isso é essencialmente o que está acontecendo no mundo agora, a globalização na economia mundial. Sistemas maiores proporcionam mais benefícios, de modo que à medida que expandimos e mesclamos mais unidades em sistemas maiores, no geral há mais ganho.

Há uma implicação crucial de tudo isso. A cultura depende do ganho sistêmico e sistemas maiores fornecem mais ganhos. Portanto, você obterá mais benefícios da cultura de grupos grandes do que de pequenos. Um relacionamento íntimo pode fazer um pouco em termos de divisão de trabalho e compartilhamento de informações, mas um grupo de 20 pessoas pode fazer muito mais.
Como resultado, a cultura surgiu principalmente nos tipos de relações sociais favorecidas pelos homens. As mulheres favorecem relacionamentos próximos e íntimos. Estes são mais importante para a sobrevivência da espécie. É por isso que as mulheres humanas evoluíram primeiro. Precisamos desses relacionamentos íntimos para sobreviver.

As grandes redes de relacionamentos mais rasos não são tão vitais para a sobrevivência - mas são boas para outra coisa, a saber, o desenvolvimento de sistemas sociais maiores e, em última análise, para a cultura.

Homens e Cultura
Isso fornece uma nova base para entender a política de gênero e a desigualdade.

A visão geralmente aceita é a de que, no início da sociedade humana, homens e mulheres eram quase iguais. Homens e mulheres tinham mundos separados e faziam coisas diferentes, mas ambos eram respeitados.

Muitas vezes, as mulheres eram coletoras e os homens eram caçadores. A contribuição total para a alimentação do grupo foi aproximadamente a mesma, embora houvesse algumas diferenças complementares. Por exemplo, a comida dos coletores era confiável na maioria dos dias, enquanto os caçadores levavam para casa boa comida de vez em quando, mas nada nos outros dias.

A desigualdade de gênero parece ter aumentado com a civilização inicial, incluindo a agricultura. Por quê? A explicação feminista é que os homens se uniram para criar o patriarcado. Isto é essencialmente uma teoria da conspiração, e há pouca ou nenhuma evidência de que é verdade. Alguns argumentam que os homens apagaram as provas dos livros de história para salvaguardar seu poder recém-conquistado. Ainda assim, a falta de evidências deve ser preocupante, especialmente porque esse tipo de conspiração teria que acontecer de novo e de novo, em grupo após grupo, em todo o mundo.

Deixe-me oferecer uma explicação diferente. Não é que os homens empurraram as mulheres para baixo. Em vez disso, foi apenas a esfera feminina que permaneceu onde estava, enquanto a esfera masculina, com suas redes sociais grandes e rasas, se beneficiou lentamente do progresso da cultura. Ao acumular conhecimento e melhorar os ganhos da divisão do trabalho, a esfera masculina gradualmente progrediu.

Daí a religião, a literatura, a arte, a ciência, a tecnologia, a ação militar, os mercados comerciais e econômicos, a organização política, a medicina - tudo isso surgiu principalmente da esfera masculina.

A esfera feminina não produziu tais coisas, embora fizesse outras coisas valiosas, como cuidar da próxima geração para que as espécies continuassem a existir.

Por quê? Não tem nada a ver com homens mais habilidosos, talentosos, ou algo assim. Provém principalmente dos diferentes tipos de relações sociais. A esfera feminina consistia de mulheres e, portanto, era organizada com base no tipo de relacionamento próximo, íntimo e solidário que as mulheres favorecem. Esses são relacionamentos vitais e satisfatórios que contribuem de maneira vital para a saúde e a sobrevivência. Enquanto isso, os homens favoreciam as redes maiores de relacionamentos mais rasos. Estes são menos satisfatórios e nutritivos e assim por diante, mas formam uma base mais fértil para o surgimento da cultura.

Note que todas as coisas que listei - literatura, arte, ciência, etc. - são opcionais. As mulheres estavam fazendo o que era vital para a sobrevivência da espécie. Sem cuidado e educação íntimos, as crianças não sobrevivem e o grupo morrerá. As mulheres contribuíram com as necessidades da vida. As contribuições dos homens eram mais opcionais, talvez luxos. Mas a cultura é um poderoso motor de tornar a vida melhor. Através de muitas gerações, a cultura pode criar grandes quantidades de riqueza, conhecimento e poder. A cultura fez isso - mas principalmente na esfera masculina.

Assim, a razão para o surgimento da desigualdade de gênero pode ter pouco a ver com os homens diminuindo as mulheres com alguma conspiração patriarcal duvidosa. Pelo contrário, veio do fato de que riqueza, conhecimento e poder foram criados na esfera masculina. Isto é o que empurra a esfera masculina à frente. Não opressão.

Dar à luz é um exemplo revelador. O que poderia ser mais feminino do que dar à luz?

Ao longo da maior parte da história e da pré-história, o parto foi o centro da esfera das mulheres e os homens foram totalmente excluídos. Os homens raramente ou nunca estavam presentes no parto, nem o conhecimento sobre o parto era compartilhado com eles. Mas não muito tempo atrás, os homens foram finalmente autorizados a se envolver, e os homens foram capazes de descobrir maneiras de tornar o parto mais seguro para a mãe e o bebê. Pense nisso: a atividade mais essencialmente feminina, e ainda assim os homens conseguiram melhorá-la de maneiras que as mulheres não haviam descoberto por milhares e milhares de anos.

Não vamos exagerar. As mulheres conseguiram, afinal, gerir o parto muito bem por tantos séculos. As espécies sobreviveram, que é o ponto de partida. As mulheres conseguiram fazer o trabalho essencial. O que os homens acrescentaram foi, do ponto de vista do grupo ou espécie pelo menos, opcional, um bônus: algumas mães e bebês que poderiam ter morrido sobreviveram. Ainda assim, as melhorias mostram algum valor advindo do jeito masculino de ser social. Grandes redes podem coletar e acumular informações melhor do que as pequenas, e assim, em um tempo relativamente curto, os homens conseguiram descobrir melhorias que as mulheres não conseguiram encontrar. Mais uma vez, não é que os homens fossem mais inteligentes ou mais capazes. É apenas que as mulheres compartilhavam seus conhecimentos individualmente, de mãe para filha, ou de uma parteira para outra, e no longo prazo isso não poderia se acumular e progredir tão efetivamente quanto nos grupos maiores de relações mais rasas favorecidas pelos homens.

Em Que os Homens São Bons?
Com isso, podemos agora voltar à questão: em os homens são bons do ponto de vista de um sistema cultural? O contexto é que esses sistemas competem contra outros sistemas, grupo contra grupo. Os sistemas de grupo que usavam seus homens e mulheres de forma mais eficaz permitiriam que seus grupos superassem seus rivais e inimigos.

Quero enfatizar três respostas principais sobre como a cultura usa os homens.

Primeiro, a cultura depende dos homens para criar as grandes estruturas sociais que a compõem. Nossa sociedade é formada por instituições como universidades, governos e corporações. A maioria delas foi fundada e construída por homens. Novamente, isso provavelmente teve menos a ver com mulheres sendo oprimidas ou o que quer que seja e mais com homens sendo motivados a formar grandes redes de relacionamentos superficiais. Os homens estão muito mais interessados do que as mulheres em formar grandes grupos e trabalhar neles e chegar ao topo deles.

Isso ainda parece ser verdade hoje. Várias notícias recentes chamaram a atenção para o fato de que as mulheres agora começam a ter mais pequenos negócios do que os homens. Isso geralmente é coberto na mídia como um sinal positivo sobre as mulheres, o que é. Mas as mulheres predominam apenas se você contar todos os negócios. Se você restringir os critérios a empresas que empregam mais de uma pessoa, ou aqueles que ganham dinheiro suficiente para viver, então os homens criam mais. Eu suspeito que quanto maior o grupo que você olha, mais eles são criados por homens.

Certamente, hoje, qualquer pessoa de qualquer sexo pode começar um negócio, e se houver alguma vantagem e desvantagens haverá alguém para ajudar as mulheres a fazê-lo. Não há obstáculos ou bloqueios ocultos, e isso é demonstrado pelo fato de as mulheres começarem mais negócios do que os homens. Mas as mulheres se contentam em ficar pequenas, como operar um negócio de meio período no quarto de hóspedes, ganhando um pouco mais de dinheiro para a família. Elas não parecem motivadas a construir corporações gigantes. Há algumas exceções, é claro, mas há uma grande diferença na média.

Assim, homens e mulheres confiam nos homens para criar as gigantes estruturas sociais que oferecem oportunidades para ambos. E é claro que homens e mulheres podem ter um bom desempenho nessas organizações. Mas a cultura ainda depende principalmente dos homens para trazê-las ao primeiro lugar.
 
O Homem Descartável
Uma segunda coisa que torna os homens úteis à cultura é o que chamo de descartabilidade masculina. Isso remonta ao que eu disse no início, que as culturas tendem a usar os homens para os empreendimentos de alto risco e alto retorno, onde uma parte significativa deles sofrerá resultados ruins, desde ter seu tempo desperdiçado, até ser morto.

Qualquer homem que leia os jornais encontrará a frase “inclusive mulheres e crianças” algumas vezes por mês, geralmente sobre ser morto. O significado literal dessa frase é que a vida dos homens tem menos valor que a das outras pessoas. A ideia é geralmente "É ruim se as pessoas são mortas, mas é especialmente ruim se mulheres e crianças morrem". E eu acho que a maioria dos homens sabe que em uma emergência, se houver mulheres e crianças presentes, ele deve se preparar para deixar sua vida sem argumento ou reclamação para que os outros possam sobreviver. No Titanic, os homens mais ricos tiveram uma menor taxa de sobrevivência (34%) do que as mulheres mais pobres (46%) (embora não seja assim no filme). Isso em si é notável. Os homens ricos, poderosos e bem-sucedidos, os que têm poder e influência, supostamente aqueles que a cultura está preparada para favorecer - em um piscar de olhos, suas vidas eram menos valorizadas do que as de mulheres com quase nenhum dinheiro, poder ou status. Os poucos assentos nos botes salva-vidas foram para as mulheres que não eram nem ricas, em vez de ir para aqueles patriarcas.

A maioria das culturas teve a mesma atitude. Por quê? Existem razões pragmáticas. Quando um grupo cultural compete com outros grupos, em geral, o grupo maior tende a vencer no longo prazo. Por isso, a maioria das culturas promoveu o crescimento populacional. E isso depende das mulheres. Para maximizar a reprodução, a cultura precisa de todos os úteros capazes, mas alguns pênis podem fazer o trabalho. Geralmente, há um excedente peniano. Se um grupo perder metade dos homens, a próxima geração ainda pode ser de tamanho normal. Mas se perder metade de suas mulheres, o tamanho da próxima geração será severamente reduzido. Por isso, a maioria das culturas mantém suas mulheres fora de perigo enquanto usa homens para trabalhos arriscados.

Esses trabalhos arriscados se estendem além do campo de batalha. Muitas linhas de empreendimento exigem que algumas vidas sejam desperdiçadas. Exploração, por exemplo: uma cultura pode enviar dezenas de grupos, e alguns se perderão ou serão mortos, enquanto outros trazem riquezas e oportunidades. A pesquisa é da mesma maneira: pode haver uma dúzia de possíveis teorias sobre algum problema, apenas uma das quais está correta, então as pessoas testando as várias teorias erradas acabarão desperdiçando seu tempo e arruinando suas carreiras, em contraste com o sortudo, que recebe o prêmio Nobel. E, claro, os trabalhos perigosos. Quando os escândalos surgiram sobre os perigos da indústria de mineração na Grã-Bretanha, o Parlamento aprovou as leis de mineração que proibiam que menores de 10 anos e mulheres de todas as idades fossem mandadas para as minas. Mulheres e crianças eram preciosas demais para serem expostas à morte nas minas: mas não os homens. Como eu disse anteriormente, a diferença de gênero no trabalho perigoso persiste hoje, com os homens respondendo pela grande maioria das mortes no trabalho.

Outra forma de descartar o homem é construída nas diferentes formas de ser social. O descarte vem com os grandes grupos que a socialidade masculina cria. Em um relacionamento íntimo, nenhuma pessoa pode ser realmente substituída. Você pode se casar novamente se seu cônjuge morrer, mas não é realmente o mesmo casamento ou relacionamento. E é claro que ninguém pode realmente substituir a mãe ou o pai de uma criança.

Por outro lado, grandes grupos podem substituir praticamente todo mundo. Pegue qualquer organização de grande porte - a Ford Motor Company, o Exército dos EUA, a Green Bay Packers - e você descobrirá que a organização continua, apesar de ter substituído todas as pessoas nela. Além disso, cada membro fora desses grupos sabe que pode ser substituído e, provavelmente, será, algum dia.

Assim, os homens criam o tipo de redes sociais onde os indivíduos são substituíveis e dispensáveis. As mulheres favorecem o tipo de relacionamento em que cada pessoa é preciosa e não pode ser verdadeiramente substituída.

Conquistando a Masculinidade
A frase “seja homem” não é tão comum como era antes, mas ainda há algum senso de que a masculinidade deve ser conquistada. Toda mulher adulta é uma mulher e é respeitada como tal, mas muitas culturas retêm o respeito aos homens até e a menos que eles provem a si mesmos. Isso é, obviamente, tremendamente útil para a cultura, porque pode definir os termos pelos quais os homens ganham respeito como homens e, dessa forma, podem motivar os homens a fazer coisas que a cultura considera produtivas.

Algumas publicações sociológicas sobre o papel masculino enfatizaram que, para ser homem, você tem que produzir mais do que consome. Ou seja, espera-se que os homens, em primeiro lugar, provejam a si mesmos: se alguém prover para você, você é menos homem. Em segundo lugar, o homem deve criar alguma riqueza adicional ou valor excedente para que possa prover outros além de si mesmo. Estes podem ser sua esposa e filhos, ou outros que dependam dele, ou seus subordinados, ou até mesmo apenas pagar impostos que o governo pode usar. Independente de qualquer situação, você não é um homem, a menos que produza nesse nível.

Mais uma vez, não estou dizendo que os homens sofrem mais do que as mulheres. Existem muitos problemas e desvantagens que as culturas colocam para as mulheres. Meu ponto é que as culturas acham os homens úteis nessas formas muito específicas. Exigir que o homem ganhe respeito produzindo riqueza e valor que possa sustentar a si mesmo e aos outros é um exemplo disso. As mulheres não enfrentam este desafio ou requisito específico.

Essas demandas também contribuem para vários padrões de comportamento masculinos. A ambição, a competição e a busca pela grandeza podem estar ligadas a essa exigência de lutar pelo respeito.

Todos os grupos masculinos tendem a ser marcados por insultos e outras práticas que lembram a todos que NÃO há respeito suficiente por aí, porque essa consciência motiva cada homem a se esforçar mais para conquistar respeito. Isso, aliás, provavelmente tem sido uma grande fonte de atrito desde que as mulheres foram para o mercado de trabalho, e as organizações tiveram que migrar para políticas em que todos devam ser respeitados. Os homens não as construíram originalmente para respeitar a todos.

Uma das diferenças básicas de gênero mais aceitas é a competição versus a cooperação. A competição masculina pode ser, em parte, uma adaptação a esse tipo de vida social baseada em grupos maiores, em que as pessoas não são necessariamente valorizadas e é preciso lutar por respeito. Para ter sucesso na esfera social masculina de grandes grupos, você precisa de um eu ativo e competitivo para lutar por seu lugar, porque nada é dado a você e apenas alguns serão bem-sucedidos. Mesmo o ego masculino, com sua preocupação em provar a si mesmo e competir contra os outros, parece provável que seja projetado para lidar com sistemas onde há uma falta de respeito e você tenha que trabalhar duro para conseguir algum - ou então você estará exposto a humilhação.

Isso é tudo?
Eu não esgotei todas as maneiras pelas quais a cultura explora os homens. Certamente existem outros. O impulso sexual masculino pode ser aproveitado para motivar todos os tipos de comportamentos e colocá-los para trabalhar em uma espécie de mercado econômico em que os homens dão às mulheres outros recursos (amor, dinheiro, compromisso) em troca de sexo.

As culturas também usam homens para fins simbólicos mais do que mulheres. Isso pode ser positivo, como o fato de as culturas oferecerem funerais elaborados e outros memoriais para homens que parecem incorporar seus valores favoritos. Também pode ser negativo, como quando as culturas arruínam a carreira de um homem, envergonham-no publicamente ou até o executam por um único ato que viola um de seus valores. De Martin Luther King a Don Imus, nossa cultura usa os homens como símbolos para expressar seus valores. (Note que nenhum dos dois se saiu melhor por isso).

Conclusão
Para resumir meus pontos principais: Alguns homens de sorte estão no topo da sociedade e desfrutam das melhores recompensas da cultura. Outros, menos afortunados, têm suas vidas mastigadas por ela. A cultura usa homens e mulheres, mas a maioria das culturas os usa de maneiras um pouco diferentes. A maioria das culturas vê homens como mais dispensáveis do que mulheres, e essa diferença é provavelmente baseada na natureza, cuja competição reprodutiva transforma alguns homens em grandes perdedores e os outros homens em grandes vencedores. Por isso, a cultura usa homens para os muitos trabalhos de risco.

Os homens vão a extremos mais do que as mulheres, e isso se encaixa bem com o fato da cultura usá-los para testar muitas coisas diferentes, recompensando os vencedores e esmagando os perdedores.

A cultura não é sobre homens contra mulheres. De um modo geral, o progresso cultural emergiu de grupos de homens que trabalham com e contra outros homens. Enquanto as mulheres se concentravam nas relações íntimas que permitiam que a espécie sobrevivesse. Os homens criaram as redes maiores de relações superficiais, menos necessárias para a sobrevivência, mas eventualmente possibilitando o florescimento da cultura. A criação gradual de riqueza, conhecimento e poder na esfera dos homens foi a fonte da desigualdade de gênero.

Os homens criaram as grandes estruturas sociais que compõem a sociedade, e os homens ainda são os principais responsáveis por isso, embora agora percebamos que as mulheres podem ter um desempenho perfeito nesses grandes sistemas.

O que parece ter funcionado melhor para as culturas é jogar os homens uns contra os outros, competindo por respeito e outras recompensas que acabam distribuídas de forma muito desigual. Os homens têm que se provar produzindo coisas que a sociedade valoriza. Eles têm que prevalecer sobre rivais e inimigos em competições culturais, o que é provavelmente o motivo pelo qual eles não são tão amáveis quanto as mulheres.

A essência de como a cultura usa os homens depende de uma insegurança social básica. Essa insegurança é, de fato, social, existencial e biológica. Moldado no papel masculino está o perigo de não ser bom o suficiente para ser aceito e respeitado e até mesmo o perigo de não ser capaz de fazer bem o suficiente para criar descendentes.

A insegurança social básica da masculinidade é estressante para os homens, e não é de surpreender que tantos homens entrem em colapso ou façam coisas más ou heroicas ou morram mais jovens do que as mulheres. Mas essa insegurança é útil e produtiva para a cultura, o sistema.
Novamente, eu não estou dizendo que é certo, justo ou apropriado. Mas isso funcionou. As culturas que foram bem-sucedidas usaram essa fórmula, e essa é uma das razões pelas quais elas foram bem-sucedidas em detrimento de seus rivais.
 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Silvia Costa
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Ah, os livros que mamãe comprou para se entreter durante sua gestação arriscada! Neles, conheci o mundo, as línguas e a Psicologia. Tive sorte de encontrar as pessoas e os caminhos certos que me trouxeram aqui, no trabalho com desenvolvimento humano.

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