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Medo natural x medo mórbido

Medo natural x medo mórbido

Eu tenho passado por experiências difíceis (e quem não?), mas que têm me ensinado muito, mais até do que eu gostaria. E uma delas foi que as pessoas, em geral, parecem não saber que existem graduações de medo.

Como meus amigos leitores já sabem, eu não sou profissional da área de saúde, mas tenho uma vasta "experiência" no departamento medo. E para aqueles que ainda não me conhecem: - Muito prazer!! Minha experiência vem do TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático).

Para começar a falar disso, vamos entender do que falaremos, né? Então, o que é medo: "estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência". E mórbido: "relativo a ou que revela doença, enfermidade".

Quando falei do medo possuir graduações, quis dizer que existem níveis diferentes de manifestações que vão do medo natural, ou de um leve sobressalto, até o horror, pânico ou terror. O que tenho observado é que as pessoas não levam em consideração essa graduação, na verdade, a maioria talvez reduzisse esse estado a um simples desconforto desagradável e inconveniente. Vale esclarecer que qualquer nível de medo pode traumatizar, e é o trauma que acaba por se manifestar de modo doentio.

Mas, do que estou falando afinal? Do medo mórbido. De um medo que pode ser tão extremo a ponto de se tornar crônico. O TEPT é basicamente isso, um medo que virou diário. Não vou entrar nesse mérito aqui, convido a quem se interessar que, por gentileza, procure entre meus outros artigos e vai encontrar o tema. E aproveite a leitura dos outros... Hehe.

É muito comum as pessoas se divertirem com as reações de medo "exageradas" que pessoas fóbicas apresentam, sem levar em consideração que o medo (seja em que grau for,  é sempre uma reação frente a algo que nos assusta ou apavora). Diversões à parte, o mais difícil é tentar fazer as pessoas compreenderem que o medo também pode ser uma doença, o medo mórbido e uma porção de problemas emocionais que nascem daí.

Mas, tudo bem, já sabemos que só quem conhece, reconhece. E, infelizmente, tem muita gente que nem reconhece. Estou falando aqui, do pânico, da fobia, da ansiedade, da depressão, todas doenças enraizadas no medo. E também estou falando do descaso que vem da negação daqueles que não reconhecem seus próprios traumas e desmerecem-nos em si e nos outros.

Estou falando disso, porque já sofri muito tentando explicar às pessoas que me eram importantes, as razões de ter medo de coisas "absurdas". Mas, foi em uma dessas tentativas que descobri o meu erro. Quando eu falava de medo, as pessoas entendiam essa "coisinha" incômoda que a gente tem que fingir que não sente, porque senão passamos por covardes, ou outras coisas ainda piores.

E então, essas pessoas tomadas por um sentimento nobre de querer ajudar, teciam uma ladainha no melhor estilo autoajuda (nada contra), mas que se resumia a enfrentar as situações sem um preparo, o que oferece o risco real da re- traumatização. Também, acabei por perceber que esse era mais um paliativo para fazer o assunto parecer menos grave do poderia ser.

Eu teria que ser mais clara e falar logo em pânico, horror ou terror, aí as pessoas entendem, mas acham que é exagero. O fato é que vale mais deixar o assunto no ar, não porque as pessoas não mereçam ser informadas, mas que mexer nesse assunto pode abrir feridas mais complexas e negadas. Mas, ficou mais fácil compreender que as pessoas têm o famoso "medo do medo", talvez o mais perigoso, porque é alienante. 

Eu estou falando disso, porque esse é um tema muito desconsiderado, embora o medo mórbido seja a emoção mais nociva a que podemos ser submetidos, já que dela vem tudo o que existe em termos de emoções negativas, embora muitos pensem que seja o ódio, que é apenas mais um derivado.

Outra questão é a onda do pensamento positivo (nada contra, também), porque as pessoas na ânsia de querer ajudar, insistem em que devemos pensar positivo, repetir mantras, visualizar imagens fofinhas, sem saber que pessoas com medo mórbido têm extrema dificuldade de trabalhar com a mente, já que é uma das funções que são "desligadas" na hora do medo. Mas, tudo bem, já disse e insisto, só quem conhece, reconhece.

Esse papo é mais um desabafo, do que qualquer outra coisa, inclusive a tentativa de me fazer entender. Já que sei que existem mais pessoas com medo do que gostaríamos de admitir. De qualquer forma e com todo o respeito por quem tem medo mórbido, olhe para ele, é possível curá-lo. 

 

Saber Sistêmico
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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