[ editar artigo]

O Advogado pode constelar por seu cliente?

O Advogado pode constelar por seu cliente?

Quando um advogado aceita defender uma causa, ele se vincula sistemicamente. Ou seja, ele passa a fazer parte daquela lide. Sendo assim, tendo um vínculo com o cliente e sua respectiva história.

Significa então, que em se tratando de um caso com difíceis acordos, negociações, compreensões, o advogado pode sim constelar esse processo.

Às vezes o cliente pode pedir para o advogado constelar para ele, então também havendo permissão o advogado pode também levar para um grupo a questão do seu cliente, mesmo que o cliente não esteja presente. A partir do momento que o advogado inicia a defesa ele se vincula. 

Quando falamos de vínculos, no campo das constelações, estamos dizendo que há um vínculo profundo entre advogado e cliente, sendo que ainda que de modo limitado o advogado passa a fazer parte daquele sistema, tendo potência de atuação sobre ele. Assim como, um membro de uma família pode constelar uma situação familiar, o advogado pode constelar um processo ao qual está vinculado. 

Desse modo, por isso que em certos processos, há uma forte vinculação entre cliente e advogado. Algumas vezes inclusive aparecem processos para o advogado atuar que é similar aos seus conflitos parentais, ou familiares. Dizemos sempre que nada acontece por acaso. Estamos todos a serviço do nosso sistema e também vinculado ao todo.

Bert Hellinger, o criador das constelações, traz também a ideia de inconsciente coletivo, esse inconsciente atua ainda que nós não concordemos com ele.O conceito de inconsciente coletivo é trazido por Jung, que traz essa ideia. Nós atuamos de modo instintivo e de algum modo vinculado com tudo isso.

Estar a serviço do sistema significa que todos dentro de um sistema fazem parte. Ou seja, eu não estou sozinha, antes de mim vieram meus pais, avós maternos e paternos, bisavós materno e paterno, trisavós materno e paterno e assim por diante!

Estar vinculado processualmente não é  a mesma coisa que o vínculo familiar, porém eles se assemelham. Dado que o advogado passa a atuar dentro do sistema familiar do cliente.

Já atuei em um processo em que eu sentia um peso muito grande, cada vez que eu abria o Projudi eu me sentia muito mal. Não consegui fazer a defesa de forma alguma. O quando antes eu consegui sair do processo eu o fiz. Ainda não plena consciência do que me fazia tão mal, porém arrisco alguns palpites tendo em vista a história dos meus ancestrais.

Além do que já foi mencionado, cabe deixar a seguinte reflexão, ninguém se dedica a uma profissão se ela não tiver vínculo algum com nossa ancestralidade. Ou seja, lá durante o ensino médio, decidimos que faremos x ou y curso, que queremos ser de determinada área. Até parece que a gente está escolhendo alguma coisa. Mas, por mais estranho que pareça, não é!

Muitos de nós queríamos ter feito um curso e acabou fazendo direito, por que será?

Porque o direito para nós, é uma tarefa do nosso sistema. De algum modo queremos reparar alguma injustiça que aconteceu no nosso sistema. Quanto mais conhecemos nosso sistema, mais vamos chegando às conclusões, que são precisas. 

Recentemente atendi uma cliente na terapia, ela é formada em direito, com mestrado em direito, trabalha no escritórios dos pais, como advogada. Porém, o que a levou à terapia foi o fato de estar fugindo do trabalho, cada dia encontrava uma desculpa para não ir ao escritório, encontrou cursos para realizar fora, viagens, tudo que a pudesse afastar do trabalho. Durante o atendimento perguntei a ela: "se você não tivesse feito direito qual curso você faria, o que você tem vontade de fazer?" Ela disse: "não sei!" Então em seguida disse: "ah, eu me inscrevi para o curso de medicina, mas dei o boleto para meu pai pagar e ele não pagou. Por ter uma família toda da área jurídica era óbvio que eu teria que fazer direito."

Então fomos mais fundo na investigação, ela também me contou que expressou sua vontade de tentar outra coisa, pois não estava feliz com o que estava fazendo. Mas os pais disseram a ela que ela estava louca. Que tinha tudo ali... etc...

Então pedi a ela que colocasse representantes para ela, para o pai e para a mãe. Ambos representantes dos pais, vieram de cor branca. Quando eu olhei, já sabia o que estava acontecendo, antes de eu perguntar a ela. Mas claro, perguntei: "Ah, então, os seus pais, o que eles teriam feito se não fosse direito?" Ela disse: "meu pai sempre quis fazer medicina, mas não passou, ficou  muito frustrado. E minha mãe também queria fazer medicina. Ah, o pai do meu pai, queria muito ser médico, e não tinha condições de fazer a faculdade, fez odontologia mas queria ter sido médico!"

Quando colocamos um bonequinho para o avô paterno, óbvio, veio um bonequinho branco também. Nesse caso, todos os bonequinhos foram sendo tirados pela cliente aleatoriamente, ou seja, ela não escolheu pela cor eles vieram sem ela olhar o que estava pegando. 

Então para nós duas ficava clara as razões de ela não estar feliz com sua profissão. O desejo da sua alma e o desejo não só dos pais, mas também do avô era ser médicos. Ela estava a serviço de algo maior, do seu sistema. Quando falamos dessa atuação inconsciente é disso que estamos falando.

Por isso, que nossa profissão sempre está a serviço de algo. E cada um de nós ao estudarmos nossa vida e a dos nossos antepassados poderíamos, certamente compreender.

 OBS: a foto do texto é da constelação mencionada acima.

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
MILENA PATRICIA DA SILVA
MILENA PATRICIA DA SILVA Seguir

Sou mãe do Henrique, escritora, professora de Direito Sistêmico, Advogada Sistêmica, pesquisadora, terapeuta, master treiner e coach em PNL, doula, paciente oncológica, apaixonada pela vida, pelo conhecimento, pelos livros e por chá de manjericão.

Ler conteúdo completo
Indicados para você