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O gêmeo pode vir junto, no coração

O gêmeo pode vir junto, no coração

Venho falar de algo que me toca profundamente. O gêmeo que não pode vir.
Eu, sempre fui duas. Duas energias, nome que dizia algo da metade pra frente e da metade para trás. Presença constante de outra em mim, tudo duplicado em uma vida só. Amor direcionado a alguém que precisa estar, mas cadê?

O irmão gêmeo segundo Bert Hellinger é o primeiro amor de um ser que está sendo gerado. O outro que por ventura não venha, faz falta demais aquele irmão ou irmã que ficou.  Diria que daí fica um primeiro e um grande amor para sempre.

Lá por volta dos meus 9 anos comecei a guardar lugar para alguém. A família não entendia, mas me remetia profunda irritação alguém sentar nesse lugar. Passei então a dizer que era da boneca, da mochila, do casaco. Mas não encaixava.
Outro dia, aos 12 anos me deparei com uma pessoa muito parecida comigo. Chorei e queria abraçar como um reencontro, na hora me senti tomada por saudade, por certo não me recordava desse momento, e só me veio a lembrança quando dei conta de saber. Era ela.

Aquele irmão que fica na vida, sente infinitas emoções ao amar esse pedaço dele que não chegou junto a vida. Sente raiva, sente falta, sente amor, sente dó, sente culpa, mas principalmente vazio.

Já dizia Bert também, a alma sempre sabe quando falta alguém. Presenciei relatos de gemelares que só fez isso: Esperar e esperar!

Não suficiente comprava dois pares de sapatos e roupas repetidas, as vezes mudava a cor apenas para disfarçar. Já precisei de amigo em dobro nos lugares, me alimentar em dobro, divertir em dobro e até mesmo sofrer. Mas principalmente esperar alguém.


Essa dinâmica inconsciente de estar conectada a alguém que as vezes nem os pais sabiam que estava ali, gera uma descompensação. E é necessário dar lugar no coração a essa parte tão importante para todos.

Assim, quem ficou, fica mais um pouco. Sente merecedor de viver, ocupa seu lugar e ama infinitamente quem não veio mesmo assim. Assim se sente completo. Na dinâmica do "você também faz parte" os gemelares descansam, um vivendo, e o outro na eternidade.

Ainda bem que existo em duas partes e uma mesmo não presente fisicamente, emana a força para que eu atravesse a vida.

Vejo que o universo foi é muito bondoso conosco, com meu sistema. Que me permitiu estar aqui para ser feliz, assim como ela, em outro lugar.

E se eu falar para vocês que conheço o sorriso dela? Certo dia sonhei que nos encontrávamos, ela forte e atenta, eu dócil e doida. Ela diz: "Você consegue ser tudo que seriamos." 

No fundo era isso mesmo que precisava: eu forte, atenta, dócil e doida. 

Aos gemelares, meu profundo amor, grandão mesmo, para caber todos que chegaram até aqui e os que estão em outras dimensões.


Percebo que o importante é entender que o amor era tão grande, que duplicou.

Saber Sistêmico
Rayanne Jarcem
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Um cadinho de Cláudio e um tantin de Edilma! Uma mistura que cresceu e foi investir no amor a vida. Também pudera, o que eles me deram é muito grande. É o novo, portanto, é poesia.

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