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O poder curativo das histórias

O poder curativo das histórias

Eu sempre gostei muito de ouvir as histórias contadas pela minha mãe. Quando eu era pequena, minha mãe se sentava no sofá e eu me deitava sobre suas pernas. Enquanto ela narrava, passava as mãos nos meus cabelos e o prazer de ouvi-la se somava ao de suas carícias.

Eu acredito no poder curativo das histórias. Muita gente conhece, inclusive, a “livroterapia”, uma terapia alternativa que consiste na cura emocional do paciente a partir da leitura ou da escuta da história de um livro. O livroterapeuta “receita” um livro cuja história tem o efeito de um medicamento.

Minha mãe era, então, a minha “livroterapeuta”. Ela reproduzia as histórias que a sua mãe contava e algumas ela inventava... e esse “momento história” era muito bom para nós duas...

Hoje me dou conta de que essa bonita experiência com minha mãe me trouxe um aprendizado que me proporciona experiências curadoras com a minha família. Eu e meu marido temos dois filhos: o Gustavo, de 12 anos; e a Gabriela, de 6 anos. Há algum tempo, a nossa caçula dava demonstrações de ter ciúmes do irmão ou do pai sempre que um deles se aproximava de mim para um beijo ou um abraço. Os ciúmes a fazia sofrer muito e ela não conseguia compreender ou controlar esse sentimento.

Então, ao reconhecer a riqueza do “momento história” que eu tinha com minha mãe, decidi criar uma história que pudesse ajudar Gabriela a lidar com os seus ciúmes. A história que inventei quando ela tinha, aproximadamente, uns quatro anos, faz referência aos momentos anteriores ao seu nascimento. Já a contei inúmeras vezes, especialmente, no meu “momento história” com Gabriela. Ela é mais ou menos assim:

“Um dia, o seu irmão veio falar comigo e com seu pai. Ele disse que queria muito ter um irmãozinho ou uma irmãzinha. Então, seu pai e eu gostamos muito da ideia e concordamos que seria muito bom termos mais um bebê. Pedimos para falar com Jesus que nos levou, enquanto dormíamos, para uma sala imensa lá no céu. Lá tinha muitos e muitos bebês fofos. Jesus, então, disse para todos aqueles bebês: ‘Temos aqui uma mãe chamada Denize, um pai chamado Geziel e um menininho chamado Gustavo. Esse menino quer muito um irmãozinho ou uma irmãzinha." E então perguntou: ‘Quem aqui quer ser o irmão ou a irmã desse menino?’ Daí, Gabriela, você foi quem levantou a mão dizendo que queria. Jesus se aproximou, te pegou no colo e falou, para nós, muitas coisas lindas sobre você: que era uma criança amorosa, querida, inteligente, bondosa e outras coisas bonitas. Ele fez, então, uma mágica e te transformou em uma luzinha bem pequenininha e entregou para o teu pai que a encostou da minha barriga. Foi assim que você foi parar na minha barriga. Daí, nós voltamos para a casa e estava grávida.

Sempre que a Gabriela manifestava seus ciúmes em relação ao irmão eu a recordava da história e finalizava dizendo: “Filha, olha só que bom que temos o teu irmão. Ele queria tanto você. Foi ele quem pediu para a gente ir buscar um irmãozinho ou irmãzinha. Por isso, hoje temos a alegria de ter você aqui. Ele teve uma ideia brilhante! Então, não precisa ter ciúmes do teu irmão, pois ele te ama muito e meu coração se enche de alegria quando você concorda que eu o ame também”. Com algumas alterações, eu dizia essas palavras quando o ciúme se dirigia ao pai...

Essa história tem ajudado Gabriela a superar ou diminuir, consideravelmente, os ciúmes que tem do irmão ou do pai quando eles recebem o meu carinho. Ela tem me ensinado, também, a refletir sobre o poder das histórias e de como a energia do amor das nossas mães nutre o nosso amor pelos nossos filhos.

Denize Teis

 

 

 

 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Denize Terezinha Teis
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Sou Denize Terezinha Teis. Filha de Claudino e Carmen. Esposa de Geziel e mamãe do Gustavo e da Gabriela. Além do imenso amor por maternar, também amo ser professora!

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