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O QUE EU JÁ FIZ PELOS MEUS PAIS?

O QUE EU JÁ FIZ PELOS MEUS PAIS?

Algumas perguntas nos fazem refletir profundamente, te fazem enxergar algum ponto que por muito tempo estava lá, escondido, passando por despercebido. E essa pergunta foi uma delas. Fiquei alguns dias refletindo sobre o tema e agora ao escrever essas palavras ainda não sei ao certo onde eu começo e meus pais terminam ou onde eu termino e meus pais começam.

Quanto de mim realmente é meu? Afinal somos uma mistura com um pouco de autenticidade. 

Pensando sobre isso, cheguei à minha primeira conclusão de lealdade. Meus pais tiveram uma vida muito difícil, tiveram que deixar os estudos muito cedo, pois a vida exigia outras prioridades, porém, o desejo do conhecimento estava muito forte dentro dos seus corações e por isso sempre me motivaram a estudar e seguir constantemente à procura de novos conhecimentos. Hoje estou terminando o ensino superior e vejo dentro dos seus olhos que é como se eles estivessem realizando um sonho através de mim, uma realização dividida em três.

Quando eu falo que a realização é dividida, posso compreender o porquê sempre busco aprovação deles no campo dos estudos, e ao escrever essas frases vem muitos exemplos na minha cabeça. Aprovação sobre o curso superior que eu iria trilhar, opinião dos meus pais ao iniciar minha jornada como terapeuta, o curso de pós graduação que pretendo fazer... e hoje olhando com muito carinho essas questões eu percebo que devo ser grata por este sentimento e envolvimento pelos estudos, mas compreendendo que eu devo acalentar meu destino e escolher a melhor maneira de viver os meus dias, pois sim, eu sou capaz!

Outra situação muito forte que vem no meu coração escrevendo sobre esse tema é o sentimento constante de justiça pela igualdade das mulheres. Dentro do meu sistema há muitas dores femininas, muitas memórias traumáticas, muita opressão. Minha mãe sempre me ensinou que eu jamais deveria me sentir inferior ao lado de qualquer homem, pois assim como eles eu era capaz e deveria mostrar que posso sim ser independente.

Acontece que a minha lealdade foi tão intensa que acabei deixando a figura masculina para trás, é como se somente o feminino fosse importante. Através de muita reflexão e vivências em constelações eu percebo que há um lugar para todos nós e por isso todos somos importantes.

Após concluir este pensamento fui no dicionário pesquisar a palavra feminismo e encontrei a seguinte definição: Ideologia que defende a igualdade, em todos os aspectos (social, político, econômico), entre homens e mulheres. Então, sejamos todos FEMINISTAS, pois não há superioridade, todos nós pertencemos e temos nossa responsabilidade neste plano terreno e devemos honrar por esta responsabilidade sem requerer tomar a do outro. 

A conclusão desses primeiros dias refletindo a pergunta "O QUE EU JÁ FIZ PELOS MEUS PAIS?" eu pude assimilar que muitas vezes a vida é como aquela tarefa que recebemos na escola quando somos criança, de ligar os pontos para formar um desenho, você não consegue ligar estes pontos apenas olhando para frente do desenho, é preciso observar o que está acontecendo olhando para os pontos que foram ligados trás também.

Assim, podemos reparar muitas coisas neste tempo que se chama agora, compreendendo o que houve no passado. 

Seguirei mais alguns dias pensando nesta questão, pois a jornada da cura leva  tempo e sei que existem muitas outras questões de lealdade dentro do meu coração que precisam ser reparadas. 
 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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