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O QUE FAZER QUANDO ALGUÉM NÃO ACREDITA EM DEUS

O QUE FAZER QUANDO ALGUÉM NÃO ACREDITA EM DEUS

Acordo cedo na maioria dos dias porque sou uma pessoa  com relógio biológico totalmente regulado para dormir à noite e acordar cedinho. Matutino que chama. Minha avó chamava isto de irmos dormir com as galinhas e acordar antes do galo acordar. Sou uma pessoa romântica também, porque vivo ligada em poesias e nas memórias afetivas que a vida me proporciona. 

Não tenho facilidade de memorizar tabela periódica, dados pessoais, número de calçado fui aprender no final da minha infância.

Este ano completei cinquenta e um aniversários e decidi que é ótimo ser eu mesma. Isso tem feito uma verdadeira evolução na minha existência, eu que sempre fui admiradora da natureza, deparo com a própria natureza revelando todas suas nuances.  Decidir isto quando se é solteiro de filhos e quando tudo está vôo de cruzeiro, dentro das normalidades da vida é ótimo. Contudo, em tempos de pandemia, com uma família real a nos demandar, sabemos que é uma decisão daquelas que nos tiram o sono. 

Não reclamo, porque também sou movida a desafios e admiro a vida e suas movimentações autopoiéticas como diria Maturana e Varela.

Vim escrever porque me deparei com esta pergunta em minha caixa de mensagem, numa rede social:

Minhas poesias se recolhem.

Não há como responder com poesia agora.  Busco ajuda nas metáforas:

Imagine alguém que tem diante de si um prato saboroso de alimento. Esta pessoa, em visita à sua avó, percebe que a avó prepara exatamente sempre seu prato preferido. Então, num sorriso feliz, esta pessoa diz:

- Ah, vovó, a senhora não existe.  E dá lhe um abraço macio e fofinho como bem aprendeu com a jovial pessoa, apesar de seus tantos mais aniversários.

O que esta pessoa quis dizer?

- que a avó é uma ficção?

- que ela acredita na existência da avó?

- que a avó é uma ideia?

- que a avó é uma realidade?

É assim que é a vida e a transcendência, a consciência de que tem algo maior, melhor, perfeito, incrível, luz, amor, bondade, todas as virtudes e experiências sem oposição, sem conflito, sem intromissão.

Eu não vejo nada demais em alguém não acreditar. Aliás, para mim isso de acreditar lembra é de fantasmas, sim, aqueles que brincávamos quando éramos crianças:

- Mamãe, tem lobisomem?

- Mamãe, saci pererê existe?

- Mamãe e o céu?  e o inferno?

- Mamãe, por que meus cabelos tem essa cor?

Ops! lá vou eu para outro mundo.

É isto.  Deus deve ser uma experiência.

Ele não é fantasma, nenhuma entidade.

A pergunta certa, estimada estudante, nos leva para verdades.  Cuide antes das perguntas.   Reconciliar com algo que deve se acreditar em sua existência é um tanto quanto estranho, eu deixaria esta dúvida de lado e repensaria.

Ele é uma saborosa experiência. Igual comer quiabo com couve e tomate, um de meus pratos preferidos. Certamente só existiu em minha infância e aqui em casa quando nos raros momentos de tempo eu preparo ou peço para alguém preparar, quando isto acontece, geralmente tenho que ensinar.

Quem tem amor de graça na infância não tem estes tipos de dúvidas.

Por uma infância feliz, é sempre tempo. O poeta já disse. 

Deus vem no pacote feliz de risos banguelas, de doces cambalhotas, bolinhos de chuva e cantigas de roda.  A infância é a primeira morada do amor e dos milagres.

Quando não está ali, pode ser encontrado depois em outras moradas. Mas, há que ter a chave certa: sempre a alegria de ser amado, de estar no corpo físico, de não saber de tudo, da experiência do viver.

Você já sentiu o aroma de um canteiro de lavanda ou de manjericão, ou de alecrim?

 

 

 

 

 

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
OLINDA GUEDES
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Oilá, gente linda! É uma boa história a minha vida... ainda temos muito a viver. A parte mais linda é ser "Mamain" das duas princesas Nina Maria, Camila Maria e dos cinco príncipes cavalheiros...

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