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Pai ausente

Pai ausente

Para meu Pai:

"HONRAMOS AQUELES QUE NOS ENTREGAM ALGO ESSENCIAL. NESSE CASO, NOSSOS GENITORES NOS ENTREGARAM A VIDA. 

ENTRETANTO, NEM TODOS OS GENITORES CONSEGUEM, PODEM, ESTÃO LIVRES OU AUTÔNOMOS PARA SE TORNAREM PAIS.

SER GENITOR É ENTREGAR UM MATERIAL GENÉTICO, É EMPRESTAR SEU CORPO PARA QUE UMA VIDA POSSA SE CONSTRUIR.

SER PAI É SER GUARDIÃO, AMAR, AMPARAR, ASSISTIR, EDUCAR.PROVER DE TUDO O QUE É NECESSÁRIO PARA QUE A CRIANÇA SE TORNE CADA VEZ MAIS PLENA NA EXPRESSÃO DE SUAS POTENCIALIDADES, HABILIDADES. PARA QUE POSSA TAMBÉM SUPERAR LIMITES, LAPIDAR SUAS CARACTERÍSTICAS, TORNANDO-AS CADA VEZ MAIS POSITIVAS". OLINDA GUEDES.

Aos sessenta e seis anos, posso olhar para trás e entender que sou uma órfã funcional. Meu pai faleceu há muito, muito tempo. Há quarenta e seis anos, um tempo tão grande que nem vi passar. Foi preciso aparecer uma mestra e contextualizar a diferença entre pai e genitor, de maneira clara, límpida, quebrando paradigmas, para que meu entendimento completasse e meu coração transbordasse. Entendi sua função e seu lugar.

Meu pai não estava quando o meu primeiro dente de leite caiu, nunca cuidou de um joelho ralado ou apaziguou um choro. Não me ensinou a andar de bicicleta. Não me explicou quem coloria as borboletas que tanto me encantava. Não me ensinou que os garotos podiam ser perversos e que a vida magoa. Me dei conta que o vazio que eu sempre sentia era seu abandono. 

Precisamos de pai até quando adultos. Sua presença e apoio podem parecer menos essenciais com o passar do tempo, mas com eles nos sentimos mais completos, e para isso não há idade.

Pai ausente não é só o vazio físico de uma figura que não tivemos, as vezes, é também alguém que "mesmo estando" não soube ou não quis exercer o seu papel. É uma ausência psicológica capaz de criar em uma criança diversas feridas emocionais.

A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento porque já não quero julgar, então passei a entender com mais tranquilidade e querer com mais doçura. Hoje posso te dizer: "Gratidão, pela vida que você me doou". Ninguém dá o que não experienciou. Você também foi órfão funcional. Digo sim por tudo que vivemos mas principalmente pelo que poderíamos ter vivido, mas vou viver de um modo mais leve. Hoje eu te vejo, vejo a sua solidão, sua dor, por isso vou fazer diferente para que você e todos que vieram antes de você possam ser reconhecidos, honrados e curados. Obrigado pai. Agora entendo, toda grande dor traz no seu bojo uma grande solução: estamos liberados

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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