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Para aprender é essencial estar feliz: a proposta de pesquisa de Olinda Guedes

Para aprender é essencial estar feliz:
a proposta de pesquisa de Olinda Guedes

Uma reflexão pertinente e sempre atual: alunos aprendem porque estão felizes ou estão felizes porque aprendem?

Em um dos encontros online em que tenho participado sempre que posso, chamados “Sexta Básica – quem se importa, serve”, onde conversamos sobre a Educação Escolar neste momento em que a escola ficou em casa, fomos provocados pela nossa professora dos cursos de Constelações Familiares, do Saber Sistêmico, para escrevermos brevemente sobre a nossa impressão acerca do assunto proposto por ela como foco de pesquisa para o seu projeto de Mestrado.

Vou falar, então, sobre o que me veio à mente naquele momento, algo que se baseia no que tenho pensado com certa frequência, porque venho do meio universitário, da formação de professores.

Muitos são os autores e pesquisadores que, de uma ou outra forma, abordam sobre felicidade relacionada ao processo de aprender. No projeto que ora adentra o mundo acadêmico através da proposta de Olinda Guedes, para sua pesquisa no Curso de Mestrado em Educação, na Universidade Estadual do Centro Oeste, UNICENTRO, o foco de investigação é a felicidade como fator preponderante no processo de ensino-aprendizagem, como se observa desde o título do mesmo, repetido neste texto.

Olinda já demonstrou que gosta de cuidar da felicidade, não só da sua, nem só da de sua família, mas se importa com a felicidade dos outros. Fez disso a sua profissão, faz disso a sua linha de estudos. Fala disso, de diversas formas, há tanto tempo, inclusive em seus textos escritos, em especial no livro intitulado O que traz quem levamos para a escola, seu primeiro voltado especificamente ao campo da aprendizagem escolar. Agora se propõe uma investigação científica sobre o papel da felicidade como caminho e condição para aprender.

Parece um olhar para o caminho inverso daquele que mais comumente se vê: felicidade apenas como consequência ou resultado do aprender. Na verdade não se trata de um caminho inverso, mas de ida e volta. Sim, estar feliz é condição para aprender, e aprender provoca um estado de felicidade.

Há uma relação dialética entre estado de felicidade e aprendizagem. Paulo Freire (1921 – 1997) já dizia que “A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode se dar fora da procura, fora da boniteza e da alegria” (FREIRE, 2004, p. 142).

Ele enfatizava a necessidade de se viver a prática pedagógica com amorosidade, afetividade e alegria, em especial quando se tratava de discutir questões de aprendizagem de alunos das classes menos favorecidas social e economicamente.

Essas discussões presentes em sua obra permanecem atualíssimas.

Jussara Hofmann (2009) defende que se percebe o quanto uma escola é boa tanto quanto ali se encontram alunos felizes. Ela fala disso quando se refere à avaliação escolar pela perspectiva da mediação da aprendizagem. Ernst Fritz Schubert, ex-diretor escolar alemão, desenvolveu em 2007, a disciplina Felicidade para ocupar lugar no currículo da sua escola juntamente com Matemática, Alemão e outras.

Hoje muitas escolas na Alemanha e na Áustria já adotam o conceito ensinado por ele, que já formou no Instituto que leva o seu nome, mais de 500 professores para essa disciplina. Dizem alguns desses professores que o que é ensinado em Ética, eles exercitam na disciplina de Felicidade.

Schubert afirma, em entrevista concedida ao site Deutschland.de, que estudos científicos confirmam que os alunos desenvolvem uma autoestima mais forte, são mais compreensivos, aproximam-se mais abertamente das outras pessoas, confiam mais em si próprios e buscam de forma mais otimista a realização dos seus objetivos.

O estudo de Olinda, ao meu ver, trará grandes contribuições a essas discussões tão necessárias na comunidade acadêmica, porque sendo ela grande psicóloga, professora, estudiosa do desenvolvimento humano, consteladora e formadora na área das Constelações Sistêmicas, divulgadora e incentivadora da Pedagogia Sistêmica no Brasil, certamente dará foco ao olhar das Constelações Sistêmicas para o papel da felicidade no processo de aprendizagem.

Já nos disse ela que dialogará com Bert Hellinger, teólogo, filósofo, escritor e psicoterapeuta alemão, criador da Teoria das Constelações Sistêmicas Familiares (1925 – 2019), Edgar Morin, antropólogo, sociólogo e filósofo francês, autor de vasta obra em áreas como Filosofia, Sociologia e Epistemologia (nascido em 1921), Marianne Franke, professora, educadora e terapeuta alemã, propositora da Pedagogia Sistêmica (nascida em 1942), além de outros.

Esse anúncio, por si, já nos deixa em grande expectativa! 

Então, a minha primeira impressão foi a de que a Educação Escolar continua em processo de transformação e de que a escola do futuro com que sonhamos já não está tão distante, porque o diálogo está cada vez mais aberto e abrangente.

Olinda Guedes, estrela no mundo das Constelações Sistêmicas Familiares, bem vinda, com seu brilho, ao mundo acadêmico da Educação! 

allegra-luz: ““Se conseguirmos fazer a metade do bem que queremos, a vida já valeu a pena.” ”

Referências:

FELICIDADE COMO DISCIPLINA ESCOLAR. Deutschland.de. Disponível em: https://www.deutschland.de/pt-br/topic/conhecimento/felicidade-como-disciplina-escolar-na-alemanha Acesso 16/10/2020

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 30 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004 (Coleção leitura).

HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2009.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Angela Helena Bona Josefi
Angela Helena Bona Josefi Seguir

Ângela é casada e tem 5 filhos. Tem formação em Constelações Sistêmicas e Organizacionais by Olinda Guedes. É professora, com experiência na Educação Básica e no Ensino Superior. Palestrante e ministrante de cursos na área da Alfabetização.

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