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Pensando sobre Adoção

Pensando sobre Adoção

Já parou para pensar que muitas são as razões para entregar um filho para adoção?

Eu fui mãe quando ainda era adolescente. Muitos foram os medos que me cometeram. Eu engravidei com apenas 15 anos de idade e foi um susto. Lembro ainda hoje como foi quando eu fiz o exame de teste de gravidez. Minha mãe me levou ao ginecologista, um senhor já velhinho na minha avaliação de adolescente.

Fiquei envergonhada, mas minha mãe confiava nele e eu fiquei mais tranquila. Bem no início da gravidez eu já sentia enjoos, mas eu não me dei conta de que poderia estar grávida. Minha mãe e meu padrasto é que perceberam que eu estava vomitando diversas vezes. Eles perguntavam porque eu estava vomitando e eu respondia que era porque tinha comido uma linguiça que tinha me feito mal.

Imagina, meu padrasto, meio colono, já debochava de mim, brincando que só passaria depois de nove meses. Não lembro se minha menstruação chegou atrasar. Eu lembro que minha mãe sempre foi muito cuidadosa com a saúde, então para afastar qualquer sombra de dúvida ela me levou no ginecologista que pediu exame de sangue, porque naquela época, diziam que o exame de sangue era muito mais confiável.

Quando recebemos o resultado, eu lembro que ela me entregou o envelope e eu ia no caminho segurando aquele envelope muito nervosa, no entanto procurando aparentar calma. Minha mãe perguntou quando eu ia abrir, nós estávamos indo para parada de ônibus, eu disse: quando chegar em casa; ela disse: tá bom! Ansiosa eu disse: não, vou abrir quando nós estivermos no ônibus sentadas. Ela disse: tá bom. Eu disse: Não, vou abrir agora. E abri. Eu não entendi nada do que tava escrito lá porque eram símbolos, números. Eu só entendi a palavra COMPATÍVEL, mas ainda apreensiva, com medo do futuro, eu disse: "ah, mãe compatível com não gravidez", entretanto era compatível sim com gravidez. Eu seria mãe! Mas como se não estava preparada!? Tantos sonhos para o futuro! Tantos projetos! Sempre ouvi dizer que um filho travava a vida da mulher.

Eu sempre quis estudar, amava aprender. Se não fosse pelo apoio e amparo da minha mãe e da minha família, como eu ficaria? O que eu faria? Era muito jovem, ainda não tinha um trabalho remunerado. Foi um susto muito grande. Eu não sabia se daria conta de cuidar bem do meu filho. Fui tomada por um conflito gigantesco entre a menina cheia de planos e a mãe que eu já estava me tornando. Minha mãe, muito generosa, me disse: minha filha, você pode escolher ficar em casa ou ficar com seu namorado, essa é uma escolha sua, mas primeiro você precisa mostrar o resultado do exame e conversar com ele.

Marcamos e então meu namorado foi na minha casa e nós conversamos. Foi uma das conversas mais difíceis que eu tive. Eu estava muito nervosa. Não sabia qual seria a reação dele. Muitos medos e inseguranças me acometiam. Nós estávamos apaixonados e então decidimos ficar juntos para cuidar do nosso filho. Agora, lembrando essa história, penso, quantas adolescentes não tiveram a mesma sorte... Deus abençoe a cada uma delas e as decisões por elas tomadas.

Eu estava no primeiro ano do ensino médio quando engravidei pela primeira vez, era mês de maio. Enjoei durante toda a gravidez, meu corpo estava se adaptando ao novo integrante da família. Muitas vezes precisei sair correndo pelos corredores da escola para chegar ao banheiro e vomitar. A medida que a barriga crescia, meu medo também crescia, a minha insegurança no futuro, a minha preocupação se eu daria conta, se eu seria uma boa mãe, se eu saberia amamentar, se teria a delicadeza necessária para cuidar de um bebê, embora já tivesse experiência em cuidar de crianças porque eu cuidava dos meus irmãos e das tarefas domésticas para ajudar minha mãe que trabalhava fora, eu não sabia se estava preparada para ser mãe. Eu pensava também se eu teria condições de proporcionar um bom futuro para o meu filho, sabia que estudar era fundamental e sempre incentivei ele a buscar conhecimento. Eu sabia que a responsabilidade de gerar uma vida era muito grande.

Eu estava me tornando mulher e mãe ao mesmo tempo praticamente, mas não me sentia pronta para isso. Eu queria muito que meu filho fosse feliz, que meu filho tivesse orgulho da sua mãe, eu queria ser uma excelente mãe. Esse era o desejo ao menos, pois todos somos suscetíveis a falhas. Eu tinha medo de não poder sustentar, alimentar, trazer para ele a subsistência, mesmo porque eu não trabalhava e nem o meu namorado. Nós conversamos e com o tempo ele conseguiu um trabalho e as coisas foram se ajeitando, éramos muito simples, mas tínhamos amor pela vida que estava sendo gerada no meu ventre. Juntos construímos uma família.

Depois do meu filho Matheus que hoje tem 21 anos, tivemos a Ana Clara que hoje tem 6 anos.

Contando a minha história, eu penso: quantas mães adolescentes passaram pelos mesmos medos, receios, aflições e quem sabe não tiveram a mesma sorte e o amparo da família e/ou do pai da criança e sentiram que não havia outra alternativa a não ser entregar o seu filho para adoção ou quem sabe até praticar um aborto?

Cada um sabe o que vai dentro do seu coração, não cabe nenhum de nós fazer qualquer julgamento. A dor que cada um carrega, só o próprio ser sabe como é, só ele sabe o tamanho do que vai dentro do seu peito. A nós terapeutas cabe apenas ter a empatia de ouvir as suas histórias com respeito e com muito amor. Eu sou muito grata a toda minha família! A todo meu sistema! Eu os reverencio. Eu os amo. Eu incluo todos no meu coração e os honro levando a vida adiante, ofertando ao mundo o que há de melhor em mim. GRATIDÃO por conhecer um pouquinho da minha história 🙌🙏

Daniele Nunes Senger Mãe

Pedagoga

Consteladora Familiar

Coaching Integrativo

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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