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Por que raspei meus cabelos?

Por que raspei meus cabelos?

Muitas vezes a boa solução é difícil, pois nos faz perder a importância. Bert Hellinger

Há muitos anos, tive uma experiência intensa com uma mestra, uma mulher incrível, chamada Sondra Ray, autora, renascedora, terapeuta, especialista no livro Um Curso Em Milagres.

Ela estava sentada,  todos nós em círculo e ela nos contou vários trechos de sua vida.

Atraiu minha atenção, porque ela usava um lenço. Logo mais eu percebi que seus cabelos eram curtíssimos. Raspados.

Ela contou uma bonita metáfora, algo sobre fazer isso a cada quantidade de tempo, quando visitava a Índia. Uma forma de renovação, como fazem as águias. De deixar ir o velho e retomar as novas forças da vida.

Fiquei deveras impressionada. Senti em meu coração que isso um dia haveria de ser uma experiência para mim.

Bem, o tempo passou, muitas coisas aconteceram. Também meus aniversários.

Ao programar o Curso de Terapeutas desse ano, percebi que esta seria a experiência proposta ao grupo: quem quisesse poderia raspar seus cabelos ou cortá-los. Ou simplesmente participar como uma experiência meditativa. Cuidar do Ser é o lema do curso.

Foi ímpar. Nosso violinista, Diogo Carlos Ferreracovski, entoava a Canção de S. Francisco: Oh, Mestre! Fazei com que eu procure mais... amar que ser amado...

Eu ouvia.

Tudo certo, tudo organizado. O grupo meditando silente, cabeleireira, amiga Aurora Santos com seu esposo, Adriano, em postura de prece e respeito. Tudo simples. De uma harmonia que parecia cristal.

Levantei-me e realizei minha decisão.

Senti cada mecha de meu cabelo sendo cortado, ouvia as palavras sagradas, que eram mais um murmúrio de unidade. Creio que era algo assim: que sua vida seja abençoada, que tudo seja abençoado, que todos os milagres aconteçam.

Fiquei realmente em transe, todas as minhas lágrimas escorriam.

Depois da experiência da chegada de meus filhos, essa, foi sem dúvida a mais intensa. Já caminhei sobre brasas inúmeras vezes, mas não se compara.

Então, uma aluna, comadre e amiga querida, Ana Flavia Molinari, me perguntou:
- Por que você raspou os cabelos?

Que resposta dar?

Raspei para ter a experiência profunda de humildade, de desapego. Vejo tanta gente dizendo que rasparia, que não é importante. Então, pensei: se não é importante para mim, posso doar para quem precisa.

Será possível fazer ao menos duas perucas infantis. Que alegria ver crianças que precisam receber algo que eu gostava tanto. Sim!  Eu sempre amei minhas madeixas.

Precisava ter raspado, passado máquina zero? 

Não!  Para doar, bastavam 20 cm de cabelo. Eles ainda ficariam na altura de meus ombros. Entretanto, eu quis passar por essa experiência: abrir mão do que era uma vaidade para mim. Perceber o que realmente eu sentiria.

O que eu senti?

Senti a dor das pessoas torturadas. Eu assisti Olga. Na hora vieram todas aquelas sensações: a violação dos direitos divinos humanos de ser quem é.

Senti a dor das mulheres do meu sistema: elas não podiam cortar os cabelos. Era uma forma de controle dos homens sobre as mulheres. Muitas mulheres assumiram essa postura também proibindo as próprias filhas.  Eu descobri, muito cedo, que muitos podemos ser machistas ou feministas. É uma postura da alma ignorante que se considera no controle do alheio.

Senti a dor das crianças sem seus cabelos: veio o sentimento de vergonha, de estar desnuda.

Cheguei em casa, meu pai teve um susto, entrou em choque, minha prima também, pensou que eu estivesse enlouquecido. Não!  Tudo bem. Agora eles já me olham com um certo sentimento de “eu te amo mesmo assim.”

Meus filhos também se assustaram e perguntaram: "Por que, Mamain?"

Então, eu disse: "Filhos, para agradecer a Deus por todos vocês, meus milagres. E para pedir outros milagres, claro!"

Eles me abraçaram e disseram: "Oh, Mamain!"

Sabe? Eu realmente decidi tirar minha vida da teoria. E os convido a fazerem o mesmo. Do jeito mais ousado que puder. Humildade e ousadia caminham de mãos dadas.

Cuidar do ser é antes de tudo cuidar de si mesmo. O maior presente que podemos oferecer à humanidade é sermos boas pessoas, pessoas amorosas.

Ah!  Essa semana eles disseram:  "Ói! O cabelo da Mamain já está crescendo!"

Sim, filhos... a vida é um eterno movimento. Um sopro!

 

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OLINDA GUEDES é mãe da Nina Maria, apaixonada pela vida, escreve com o coração o que cabe em palavras.  É mãe de mais outras seis majestades na terra, e quatro anjos no céu.

Está feliz por outros que estão mais felizes.

Conduz, no Instituto Anauê-Teiño, a Escola de Saberes Úteis. Uma iniciativa cujo objetivo é trocar saberes das diversas ciências com o propósito de uma vida mais feliz, próspera e saudável.

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Oilá, gente linda! É uma boa história a minha vida... ainda temos muito a viver. A parte mais linda é ser "Mamain" das duas princesas Nina Maria, Camila Maria e dos cinco príncipes cavalheiros...

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