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Que ser humano é esse, em tempos de Pandemia?

Que ser humano é esse, em tempos de Pandemia?

Estamos vivendo um momento único, primeiro porque toda experiência é única. E também, porque talvez nunca antes, as sombras do ser humano estivessem tão visíveis.

Os tempos de Pandemia pela história, certamente, deixaram marcas que trouxeram evolução, por um lado, e horrores para contar, por outro. Não somos os primeiros a viver uma quarentena que traz consequências duras e tristes para um futuro próximo. E creio que, ainda, não seremos os últimos.

Das  duras "marcas" evolutivas do Passado só podemos imaginar, como teriam sido os longos dias de dor e sofrimento, em épocas onde a tecnologia não era tão avançada, tão útil e protetora? Só podemos imaginar.

Mas, agora, que estamos vivendo a primeira Pandemia do Século XXI, estamos dentro do furacão e podemos testemunhar ou protagonizar essas duras marcas, e pior, ser atuantes dentro delas. Não podemos esquecer que somos os agentes da nossa própria história, e que ninguém é vítima (a não ser de si mesmo). Poderíamos justificar os acontecimentos, por falta de conhecermos a história pregressa do mundo, mas aí teríamos que admitir que matamos as aulas de história no ensino fundamental.

Não há justificativas para o ser humano estar agindo tal qual age em uma época onde a informação e o conhecimento vazam por todos os poros tecnológicos imagináveis, mas existem motivos. Tristes motivos. A Psicologia explica o termo sombra:"O arquétipo da sombra representa, de acordo com a psicologia analítica de Carl Jung, o “lado sombrio” da nossa personalidade. É o submundo conturbado da nossa psique que contém os nossos sentimentos mais primitivos, os egoísmos mais afiados, os instintos mais reprimidos e aquele “eu escondido” que a mente consciente rejeita e que nos mergulha nos abismos mais profundos do nosso ser".(Referência: Site amentemaravilhosa.com.br).

A sombra guarda dentro de nós tudo aquilo que abominamos e projetamos para fora, acusando, culpando, condenando e agora xingando!!! Por que ser mal educado virou moda (as redes sociais estão aí para provar).

Estamos destilando todo o veneno fétido que guardamos como bons samaritanos que fingimos ser, porque precisávamos da aprovação do outro, desde nossos pais até o mundo inteiro. Mas, a sombra em si não é podre, a sombra em si é apenas o reservatório de dor que fomos obrigados a construir para sermos, desde o berço, aceitos e regulados por uma sociedade controladora e prepotente, nascida de gente como a gente.

Vá lá, lidar com a sombra não é fácil. Ainda tem muita gente no mundo que acredita que terapia é para loucos, sem perceber que chegamos a um ponto onde já não conseguimos mais olhar nossas dores e reconhecê-las sem ajuda. E ajuda é o que não falta. Pois, que a dor, tendo dois lados, também produz soluções para aqueles que buscam sinceramente serem melhores.

Pois então, que ser humano é esse que a Pandemia apenas escancara? Por que esse já vem dando sinais desde muito tempo, ou desde sempre, mostrando sua sombra nas atitudes inconscientes, no medo, na negação das responsabilidades, tanto pessoais, quanto de cidadania? Que ser humano é esse?

É o ser humano que tem tido sua individualidade, sua essência, sua identidade negadas, reprimidas pela cultura massiva, pelos interesses econômicos escusos, pelos modismos alienantes, pelo consumismo doentio. E tudo isso tentando servir de tapa buracos da carência afetiva, da falta de amor, da falta de espiritualidade (e não de religião institucional).

Que ser humano seria esse se pudesse ou tivesse a coragem de olhar-se por dentro, e ainda que sabendo ter de atravessar o pântano de sua sombra, mostraria-se capaz de amar a si mesmo, compreendendo que ele não é o erro, mas que foi induzido a crer que assim era, apenas para manter o mundo encarcerado na covardia de permanecer sendo uma vil e destrutiva sombra de tudo o que poderia ser? Que ser humano, então, seria esse?

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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