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Sou o que sou pelo que nós somos

Sou o que sou pelo que nós somos

Princípio da filosofia africana Ubuntu, “Sou o que sou pelo que nós somos”, reafirma e ao mesmo tempo reforça a compreensão de que “Somos todos um”. Diante de tal adágio, me questiono: em que momento da história da humanidade esquecemos esse ensinamento axial, de que estamos interligadas a todas as formas de vida que há neste planeta?

Vou mais além ainda, quando foi que deixamos de perceber a conexão com nossa ancestralidade? (Seja ela individual, coletiva e/ou até mesmo de vidas passadas).

Pagamos um preço muito alto por essa “amnésia”, cobrado por meio de sentimentos de não pertencimento, sensação de inadequação, baixa autoestima, depressão, síndrome do pânico, não se sentir amada, vitimização, e por aí vai ou vamos, sobrevivendo ao invés de saboreando essa oportunidade ímpar, que é viver.

Dizem que toda situação tem minimamente dois lados (positivo e negativo), como é do conhecimento da maioria os aspectos negativos da atual situação pandêmica e de isolamento, vou direcionar algumas reflexões para o lado positivo dessa desafiadora experiência.

Antes dessa pandemia se infiltrar em nosso cotidiano, quantas de nós estavam valorizando suas vidas? Ou estavam vivendo sob o domínio do “tanto faz”?

Até que a morte aproximou-se através do Covid 19, e bateu na nossa porta. E num lampejo de lucidez tentamos arduamente barrar sua entrada, enquanto o filme de nossa existência é mentalmente projetado, e decidimos que o final de nossa história não pode ser esse, pois ainda há muito a ser vivido.  

O vírus teima em entrar, e força a fechadura de nossa casa com força, nos forçando a sair dessa letargia líquida, pós-moderna e o escambau, muitas vezes entorpecida de ansiolíticos, verdadeiros embotadores de emoções delineadoras de crescimento individual, societário e espiritual.

“A vida não é uma ideia, é uma potência indescritível” alerta Aílton Krenak. Que maravilha isso! Chega a ser uma frase motivacional para aquelas pessoas que não têm ideia do que estão fazendo de suas vidas. Traçando um paralelo com o pensamento do líder indigenista recorro à luminosidade de Clarice, “viver ultrapassa qualquer entendimento”, embora seja implacável com a apatia, falta de inteireza e de coragem para ser feliz, haja vista que a felicidade exige coragem.

Falta de coragem? Ah! Essa aí? É forjada no medo.  

Por medo da vida deixamos de viver, por medo do outro negamos sua existência e sua importância em nossas vidas, e nos perdemos no labirinto da solidão, por ignorar a impossibilidade de estar sozinha enquanto o outro existir, pois eu sou porque você é.

Simples assim...

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Clesley Maria Tavares do Nascimento
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Clesley Maria Tavares. Mulher, mãe, professora, rezadeira, educadora holística e guardiã do círculo de mulheres Solar Beija-flor.

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