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Sua Benção!

Sua Benção!

Benção Vô Antônio Sobral e Benção Vovó Aurinda!

Benção Vô Argemiro e Benção Vovó Laura!

 

Por meio de vocês quero conectar com todos os meus antepassados. Parece estranho essa palavra que soa como se tudo fosse muito distante... Confesso que sinto vocês tão pertinho de mim, tão dentro do meu coração!

Gostaria que estivéssemos a oportunidade sentar à mesa grande, com vários dos nossos ao redor proseando com alegria e amorosidade, rindo das histórias de meu pai, ouvindo as canções de tio Guido e o acordeom de tia Líbia, rememorando os encontros amorosos de vovó Argemiro e vovó Laura nas praias de Pernambuco, perguntando ao vovó Sobral e a vovó Aurinda como eles se conheceram... Ah! Seria um encontro delicioso!     

Sou Najla, a filha de Norma e Marcus que ama vocês e sei que vivem em mim!

Não conheci nenhum de vocês, meus avôs!  Tenho estranheza em chamar Vô, nunca chamei ninguém assim... Impressionante como é gostoso falar: vovô! Parece que esperei por este momento toda a vida! é com vocês que inicio.   

Vô Sobral, ouvi pouca coisa a seu respeito. Sei que veio do Pará cursar Medicina na Bahia, fico imaginando a longa viagem e o quanto de saudade você sentiu durante os anos seguintes, afinal nunca retornou a sua terra natal. Sinceramente penso na sua mãe, deve ter ficado com o coração apertado com sua partida...

Tenho tantos questionamentos:

Vocês mantiveram algum contato?

E os seus irmãos?

De que região é a nossa família?  

Como chegou a Macarani e encontrou a vovó Aurinda?  

Soube que se estabeleceu como médico na cidade, era de pouca conversa, desenhava muito bem e partiu precocemente deixando a viúva e 5 filhos ( minha mãe tinha 3 anos de idade). 

Vô, hoje eu lhe sinto aqui...quanto tempo para eu lhe sentir na minha alma! Eu sinto muito por tudo que passou na vida, pelas dificuldades que passou para estudar, a saudade da sua família de origem e por sua partida tão precoce e a falta oportunidade de acompanhar seus filhos, de não conhecer seus netos, da gente nunca ter dado um abraço... Eu Sinto muito!

Vô Argemiro, também não o conheci fisicamente, mas tenho a sua presença bem pertinho na minha memória. Todas as histórias contadas por vovó Laura, com seus olhos marejados e sua fala cheia de emoção, relatando os encontros amorosos entre os dois primos que se amaram desde que ela tinha 8 anos (acho lindo isto!), do diário que ela escrevia sobre os veraneios em Porto de Galinhas, das noites nos engenhos de Pernambuco, do nascimento de cada filho e da sua doença respiratória. Meu avô Argemiro, tenha certeza que é muito amado por toda sua família, que seus filhos lhe admiravam e se orgulhavam de todos os seus ensinamentos (quantas vezes, passando nas estradas com meu pai ele apontava uma vaca com alguma característica que você gostava e dizia: papai sempre preferia animal assim...) desde os mais sutis.

Tudo fica guardado dentro da gente.

Vovó Aurinda, como mulher e mãe, imagino quanto difícil foi a sua história, principalmente após a morte do vô Sobral. Mas, que legado belo você nos deixa dando exemplo de uma mulher, que na sua luta invisível, criou com muita garra os seus 5 filhos muito jovens, que cresceram e seguiram seus caminhos buscando construir as suas próprias histórias. Tenho certeza absoluta que não foram épocas fáceis para cuidar dignamente essas crianças, dificuldades financeiras, orgulhos “engolidos” em pró da família, mas eu quero que saiba tem brio em sua vida: quanta dignidade! Quanta honra! Vó, a senhora sempre teve esta beleza física, representada pela posse clássica (de lado), mas, o mais belo que nos oferta é o orgulho que dar em ser neta de uma mulher com uma força admirável, que se superou na adversidade e construir uma linda história de vida.

Vovó Laura, que delícia poder dizer a você o quanto me espelho na sua força, persistência e garra para enfrentar os infortúnios e realizar sonhos mais íntimos.

Eu ainda tive a oportunidade de lhe ver curando tuberculosos, socorrendo epilépticos, ensinando o catecismo as crianças da cidade, alfabetizando adultos, lendo e ensinando a liturgia as velhinhas que lanchavam contigo nas quartas feiras.

Pelos seus olhos, sentia o amor materno ao admirar os filhos adultos nas conquistas da vida, sentia a sua posição e o seu  papel matriarcal por meio do extremo respeito dos filhos e netos que mesmo lhe chamando de você, como é um costume de todos na família, lhe tomavam a benção com um beijo no rosto.

Tenho muita gratidão por ter me despertado os gosto por histórias quando nos contava as do menino Jesus, sua vó Santana e Maria, sua mãe; por me despertar o amor de Deus na minha vida e despertado a minha fé.

Quero agradecer a vocês quatros (Vovô Sobral e vovó Aurinda, Vovô Argemiro e vovó Laura) que estão representando todos os nossos antepassados, pela VIDA que tenho, que me foi ofertada por vocês, mesmo diante de todas as adversidades que enfrentaram. Eu agradeço muito e respeito a história de cada um de vocês. Sinto muito por tudo que passaram!

Sou no meu corpo e na minha alma um pedacinho de cada um de vocês! Tenho na minha essência suas verdades, crenças, histórias, comportamentos, segredos, medos... tenho também, o amor, o respeito, a sabedoria, a Fé e tantas outras coisas boas!

Quero pedir a permissão para seguir a minha própria caminhada, construir dignamente a minha própria história, sem amarras, sem culpas.

Hoje, olho para frente, peço a  benção a vocês , caminho e  vejo flores e pássaros, respiro fundo, abro os braços e no horizonte sigo em direção a FONTE!

A fonte da vida, da plenitude, da inteireza, da entrega, do amor e da abundância.  

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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