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Teias Douradas

Teias Douradas

 

Você já fez curso de Ponto-Cruz? Eu não, mas minha mãe com toda paciência, me ensinou. Então, posso dizer que estudei também. Com minha mãe, tipo homeschooling – educação domiciliar. Fui aprendendo o tamanho da agulha em relação ao bordado, ao fio, ao tecido, aos recursos que dispúnhamos: geralmente era mesmo saco branco de algodão e pronto. Que luxo seria ter algo como um tecido especial como Étamine, Cânhamo... Meu Deus, seria a glória. Acho que não alcancei esse tempo, não, porque logo tive que ir para a faculdade e lá os pontos são outros, bem outros.

Por que estou falando isso tudo? Por conta de perguntas semelhantes a essa: 

Quantos módulos uma pessoa precisa concluir para iniciar a prática das constelações?

Eu adoro dizer: – Quando a pessoa começa a tocar piano? Quando ela toca a primeira nota ou quando ela já praticou 30 anos?

Também costumo dizer que Hellinger, sim, Bert Hellinger o pai das Constelações Familiares, não fez nenhuma formação em Constelações para começar a colocar temas.

Isso lhe assusta? Gosto dos sustos porque por meio deles aprendemos. A sensação de “fez um barulho na cabeça e não sobrou muita coisa” nas prateleiras mentais, bravamente organizadas à custa de tanta renúncia e sofrimento pelas escolas mecanicistas - ou seriam tecnicistas? Bem, falo das escolas pelas quais passamos todos nós e de onde saímos convencidos de que tudo o que se deseja aprender deve ser daquele jeito, daquele modo, com aqueles métodos... Não nego seu lugar e seu cabimento e a elas dedico honra e todo meu respeito.

Talvez necessária essa sensação, esse espanto, talvez não. Eu não sei. Só sei que, para tantos saberes há também tantos outros modos de se apropriar deles. E, certamente, há um modo próprio para se aprender sobre os saberes sistêmicos.

Tem gente que já chega para os módulos com uma postura alinhada ao pensamento sistêmico. Seu estilo de viver já é sistêmico por natureza, por sofrimento, quem sabe? Ou por algum motivo que só Deus e a pessoa sabem. Gente assim já ajuda naturalmente sua família, seus amigos, clientes. Então, só dão forma a algo que já fazem intuitivamente.

Outros, ah! Outros... Estes têm mesmo que se dedicar bastante. Rever os arquivos, reorganizar mapas mentais, revisar o amor, relacionamentos pessoais, conjugais, fraternos e até mesmo com Deus.

Gente muito sofrida tem que se curar, curar-se muito, antes de curar. Transformar feridas em cicatrizes, ver se há alguma ostra e, quem sabe, alguma pérola por lá. Sempre há.

Com o passar do tempo, vários fichamentos de livros, muita meditação, muito pranto, então libera-se o riso, o silêncio. As mãos, antes tão vazias, e fechadas talvez, se abrem e são como bandeiras de paz, acenando mansamente: a cura não é mais uma proposta de trabalho apenas, mas tornou-se a própria experiência e nesse processo de entrega para cuidar do próprio ser, foi concebido o desejo de seguir servindo por meio do “Cuidar do Ser”. Possível para alguns crentes e românticos.

Quem está curado cura... e assim, lindos e dourados dias surgem.

Consultórios cheios, grupos, palestras e alegrias. A vida se torna um grande banquete... onde muitos sabem que é isso, apesar de muitas vezes estarem apenas saboreando um bolo de fubá com sementinhas de erva doce. Sim, receitas para a felicidade saem da teoria.

Finalmente, um terceiro tipo chega para a Formação em Constelações. Um tanto inquietos, reticentes... ou um tanto cartesianos, com títulos, academia, ciência, formação, diplomas. Começam num módulo qualquer que, a contragosto, confiam nesta que vos fala – ou aqui vos escreve – porque muitos já falaram que dá certo, então, contra fatos não há argumentos, rendem-se. Gostariam mesmo de começar do módulo 1.  Fato é que estudam tudo, fazem fichamentos, leituras, por vezes voltam para rever conteúdos. Fato é também que – com pesar devo dizer – alguns disseram:

– A vida do ser humano é muito complexa. Não me sinto preparado.

– Ah! Preciso estudar tal coisa – psicologia, é a coisa mais comum – para me sentir seguro.

Mal sabem que nós, psicólogos, se quisermos ser bons terapeutas, devemos aprender fora da escola. Um pouco se aprende lá, quando tem a boa sorte que eu tive de ter uma Silvana, uma Marina, Regina, Luiz Carlos, José Mesquita. Mas... não vou falar mais nada aqui, porque tem mais argumentos chegando:

– Sinto que preciso de mais teoria.

– Preciso de mais prática.

– Preciso que meu cônjuge me aprove.

– Preciso que as pessoas me aceitem.

– Preciso que os clientes valorizem...

Etc e tudo. Também não quero falar mais nada. Mas, se puder, pense agora:

– Você já percebeu quando a semente começa a germinar? Lançada ao solo, não é?

Continue pensando:

– Como o pássaro sabe que é hora de levantar voo?

– Como os dentinhos do bebê sabem que os de leite têm que nascer primeiro que os definitivos?

– Como uma criança sabe que já sabe escrever?

- Com quantos paus se faz uma canoa? 

 

OLINDA GUEDES é mãe da Nina e Camila Maria, mais uma a caminho e de mais outros cinco príncipes na terra: João Victor, Gabriel Salomão, Lucas Felipe, Rian Matheus e Hugo José, e quatro anjos no céu... Apaixonada pela vida, escreve com o coração o que cabe em palavras. Ama as artes, e bordados é uma de suas paixões.

Conduz, no Instituto Anauê-Teiño, a Escola de Saberes Úteis. Uma iniciativa cujo objetivo é trocar saberes das diversas ciências com o propósito de uma vida mais feliz, próspera e saudável.

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Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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Oilá, gente linda! É uma boa história a minha vida... ainda temos muito a viver. A parte mais linda é ser "Mamain" das duas princesas Nina Maria, Camila Maria e dos cinco príncipes cavalheiros...

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