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Terapeuta tem sofrimentos? Como assim?

Terapeuta tem sofrimentos? Como assim?

Há alguns dias fui acometida por sintomas que começaram com leves desconfortos ao engolir os alimentos. Alguns ajustes no pensamento e lá se foram as preocupações para o estômago. Mais ou menos 20 dias de dor aguda, sintomas de úlcera gástrica, pensamento terrível de um câncer e tudo o que existe de mais assustador. Remédios para o estômago e sensação de alívio. Sintomas que não estamos acostumados a ouvir. Tudo começou a dar errado, problemas no trabalho, sou professora.  Preocupações com o filho, que também começou a ter problemas na escola. Ele estava sentindo exatamente a minha insegurança. Marido com problemas no trabalho, meu Deus, quanto sofrimento!

Qualquer barulho tirava a minha paz, até o cochicho dos alunos. Pressão arterial alta, até que eu saísse daquele ambiente. Em casa, a paz. Minha casa, meu castelo! Então, os comentários começaram a me apavorar. Ela não é terapeuta? Não dá para confiar em alguém assim. Que moral ela tem para falar de cura? Ai, ai! Quantos julgamentos! Como iria ser? Será que eu devo parar com tudo isto, deixar de estudar e voltar a ser como eu era antes? Apenas um ser preocupado consigo mesmo e conformado com o sofrimento alheio?

Sim, busquei apoio. Pedi ajuda à Olinda Guedes (https://sabersistemico.com.br/@olindaguedes), que com sua sabedoria e seu enorme coração me levou a muitos questionamentos sobre a minha vida. Foi aí que eu me dei conta que um terapeuta, para o ser, tem que ser humano, tem que ter humanidade dentro de si. Vergonha? Vergonha é fingir uma vida maravilhosa e sem problema algum. Como eu olharia para os meus clientes dizendo que sou perfeita? Certamente eles diriam: como ela fala daquilo que nunca viveu? Não, ela não se coloca no meu lugar, não valida meu sofrimento.

Me lembrei do que aprendemos sempre com a própria Olinda. Que não somos maiores que os nossos clientes. Somos iguais! Logo percebi que todas as pessoas das quais recebi os julgamentos não eram meus clientes. E me dei conta de que eles sim são sofredores, pois não tiveram ainda a oportunidade de, assim como eu, experienciar o sofrimento como crescimento pessoal.

Quando adoecemos, temos sim a vontade de acreditar em pessoas que realmente não nos querem tão bem, e às vezes, desistir parece o melhor caminho. Mas quando optamos por Cuidar do Ser, precisamos lembrar que somos o primeiro ser que necessita de cura. E aí, vamos ouvindo os sintomas e seguindo com ele, procurando soluções eficazes para nós mesmos. Afinal, ajudamos tantas pessoas a encontrarem o seu caminho. Somos todos iguais!

Iniciei um tratamento com Florais de Bach, e aos poucos estou refletindo nos passos que precisam ser dados no meu dia a dia. Sei que vou aprender a superar cada intempérie que venha a surgir.

Essa semana, recebi um pedido de socorro por mensagem, uma situação complicada, depressão profunda, problemas cardíacos e tentativa de suicídio. Eu poderia ter deixado pra lá, afinal de contas, também estava doente. Encontrei um horário, atendi essa pessoa como trataria a mim mesma. Foi tão bom! Juntas tranquilizamos nossos corações. Dei à ela um Rescue, ali mesmo no local de atendimento. A paz se fez!

Terapeuta adoece sim! É um ser humano como outro qualquer. Problemas nos tornam experientes, e assim, nos permitem realmente entender com muito mais amor o sofrimento dos nossos clientes. Sintomas são sim, uma bênção! Abraços pra você!

 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Anna Soligo
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15 anos de magistério, e 20 dedicados ao estudo de Reiki, Shantala, Florais de Bach e massoterapia. Utilizando as Constelações Sistêmicas Familiares há 2 anos, com a graça de estudar a PNL de uma forma sistêmica na metodologia de Olinda Guedes.

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